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Dessa vez vai ser diferente

A diferença entre Amarildo, Claudia e Douglas se chama Maria de Fátima da Silva. Movida pela maior das dores, dor que não pode ser definida em uma palavra apenas e por isso em nossa língua nem existe essa possibilidade, a mãe que perdeu um filho vai atrás da verdade. A menos que Maria de Fátima tenha o mesmo destino do filho acho que a chance de estarmos vendo o nascimento de uma heroína é bastante grande.

Não há como não se comover com a dor da mãe que chora a morte do filho, e Maria de Fátima pode arrastar com ela multidões que, unidas em torno de sua dor, exigirão a verdade. Amarildo e Claudia elevaram o estado de indignação do povo e Douglas, através da mãe, pode nos conduzir a um lugar menos hipócrita e, quem sabe, menos violento.

Maria de Fátima está, sozinha, fazendo a própria investigação da morte de Douglas, e, até agora, foram delas as observações mais coerentes. Ela viu o corpo do filho e como é enfermeira consegue analisar o que viu com alguma propriedade. Ela falou com quem diz ter testemunhado o que teria sido uma execução e deu à imprensa informações que a imprensa não tinha. Até agora não a vimos chorar. O que estamos vendo é uma mulher determinada a nos revelar a verdade, custe o que custar.

Maria de Fátima tem mais dúvidas do que respostas, mas ao escancarar suas dúvidas é ela que pode dizer a todos nós o que aconteceu com Douglas. É sua dor descomunal que talvez abra a porta de um lugar escuro e sujo que, quem sabe, ainda consigamos limpar. É a sua dor (assim como todas as dores que sentimos sem saber como aguentaremos seguir) que tem a capacidade de nos elevar a um lugar onde a vida ganha mais significado. É a dor de Maria de Fátima que pode nos resgatar.

Eu vou com ela, vou com esse sofrimento monstruoso, torcendo para que Maria de Fátima não seja calada por uma dessas balas perdidas que tantas vidas inocentes já calaram nas comunidades, e para que ela não deixe de ser ouvida pela imprensa.

Dessa vez a PM do Rio está lidando com uma força sem igual: a de uma mãe que, ao perder o filho, determina-se a fazer justiça. Dessa vez alguma coisa me diz que vais ser diferente.

Um pensamento sobre “Dessa vez vai ser diferente

  1. Pois é, minha amiga Milly. É mais uma dor de uma mãe que perde seu filho de forma e injusta e inexplicada diante da corrupção policial e de seu aspecto militarizado, totalmente dispensável para a sua real função social dentro do Estado.

    Que a justiça seja feita! Um abraço. Teu blog é show!

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