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Exército americano veta cabelo de soldadas negras

No dia 31 de março, o exercito americano divulgou uma atualização de sua “appearance and grooming policy” – em tradução livre, “política de aparência”, a AR 670-1.

Texto crítico a respeito da AR 670-1 publicado na seção Op-Ed do New York Times esclarece que nenhuma distinção é feita a respeito de raça ou etnia, mas apenas de gênero. Aí, a regulação fica diferente para homens e mulheres. “Não é difícil perceber que algumas seções pertencem especificamente ao cabelo da mulher negra, já que se referem a estilos como dreadlocks, tranças e pompons”, diz o texto.

São 26 mil mulheres afetadas pela política de aparência do exército americano e, como colocam os autores do texto para o New York Times, Ayana Byrd e Lori L.Tharps, a crueldade da regra, que está longe de ser uma exclusividade do exército já que muitas instituições e corporações fazem as mesmas exigências, é que a regulação afeta moralmente 26 mil mulheres dispostas a morrer por seu país

A AR 670-1 permite peruca e mega-hair, mas quem tem tempo de fazer mega-hair no meio de uma barraca no deserto?, sugerem sarcasticamente Byrd e Tharps. “Negros usam dreadlocks há séculos e o penteado pode perfeitamente comportar um capacete”, segue o texto, que dá exemplos de situações em que os penteados mais usados por negros causaram problemas:

Em Orlando, Florida, uma menina de 12 anos foi ameaçada de ser expulsa da escola porque seu cabelo natural estava “condenado a ser uma distração”; em 1999, funcionários da Federal Express foram demitidos por usarem dreadlocks; e há alguns meses, em Tulsa, Oklahoma, uma menina de sete anos violou o dress-code da escola primária ao aparecer de dreadlocks.

Recentemente, o prefeito de Nova York ganhou popularidade (e uma eleição) em parte por causa do cabelo black-power de seu filho mulato, que durante a campanha apareceu usando o estilo que nos anos 70 era uma demonstração de orgulho e força. Mas pelo visto a política de aparência do exército americano pertence ao século passado, embora tenha sido revista em março.

Uma petição assinada por 17 mil pessoas pede que Obama reveja a política de aparências. “O que essas mulheres pedem é uma política que reflita um entendimento básico do cabelo negro”, diz o texto do New York Times. “Para a maioria dos negros o cabelo cresce para cima e para os lados, não para baixo. Mas a regulação do exército assume que não apenas todos os cabelos crescem do mesmo jeito, mas podem ser penteados de um mesmo jeito. O coque, por exemplo, é permitido. Mas um coque nem sempre é possível de ser feito no cabelo negro, a menos que antes se faça uma trança”, dizem os autores.

Cabe ao primeiro presidente negro da história americana tirar esse tipo de discriminação das regras. Desveta, Obama!

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