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Por que torço pelo Brasil, mas contra a seleção

Eu me preocupo muito com a imagem do Brasil lá fora depois da Copa. Me preocupa o gringo que, andando pela Faria Lima, vê a madame dentro do Range Roover blindado falando ao celular com cara de poucos amigos e reclamando do trânsito infernal que a impede de chegar ao shopping. Um tormento tão grande que ela se sente tentada a postar logo uma imagem no Facebook com uma mensagem de desgosto pelo país em que vive. Mensagem que suas amigas imediatamente compartilharão, com adendos de inconformismo e tristeza pelo terror que é ter que ficar sentada dentro de um carro com ar condicionado, música e uma garrafa d’água geladinha, deixada como mimo pelo último estacionamento VIP que ela usou, ao alcance das mãos.

Porque a mesma madame, enquanto esperneia, não vê a seu lado o ônibus lotado, com dezenas de usuários em pé, gente que levará horas para chegar a suas casas e poder fazer uma refeição em família. A madame não vê o ônibus porque o fundamental é não perder a inauguração da loja do amigo, ou o encontro com a turma e continuar olhando para o próprio umbigo.

E a madame (ou a grã-fina de nariz de cadáver como escrevia Nelson Rodrigues) também ignora que 40 milhões de pessoas deixaram recentemente a linha de pobreza e ganharam, assim, dignidade, que é o alimento da alma, porque nada disso diz respeito a ela ou ao infernal trânsito que a faz perder a hora e que, ao contrário do que ela brada na rodinha de amigos durante o jantar, é apenas culpa do governo estadual, que há 20 anos dá os ombros para o transporte público na cidade.

Me preocupa que o gringo que ande pelos Jardins tenha um momento de desespero achando que está vendo a mesma mulher por todos os lados: o mesmo cabelo, as mesmas joias, o mesmo salto, a mesma bolsa, a mesma calça; ou o mesmo homem, dentro do mesmo carro enorme e preto, com seu mocassim tinindo de novo, camisa polo com uma pontinha enfiada dentro da calça perto da fivela do cinto e um casaquinho casualmente jogado às costas e amarrado à goela por um nozinho, e que esse gringo vá embora acreditando que está alucinando e delirando por culpa da incrível umidade no Brasil. Me preocupa que a cafonice de nossa elite revele ao gringo um país de alma vazia, infantilizado e imbecilizado.

Me preocupa que o gringo entenda que a elite só grita e se mobiliza por mudanças quando um restaurante de sua propriedade sofre arrastão, alheia à violência que todos os dias acontece na periferia cometida por homens de farda, aqueles que deveriam proteger o cidadão da comunidade. Ou que o gringo perceba que nossa retumbante elite só se levante coletivamente para exigir um Brasil diferente quando seus Rolexes são furtados pela janela do carro blindado.

Me preocupa que o gringo mais interessado acabe descobrindo que essa elite que tanto reclama do Bolsa-Família seja capaz de pagar a escola do filho da empregada que trabalha em sua casa há dez anos, ignorando que assistencialismo é escravizar ainda mais o trabalhador com ações que aparentemente repercutem como nobres, mas que no fundo são crueis porque impedem que o empregado se coloque na posição de reclamar, ou de exigir ou sequer de pedir um aumento (e, naturalmente, dar um aumento que a fizesse ser capaz de pagar a escola do filho seria atitude muito mais digna). Mas a madame, que nunca leu nada sobre o impacto do Bolsa-Família, acha que assistencialismo é o governo dar comida a quem tem fome.

Mesma madame prefere não dizer que sua vida financeira melhorou nos últimos dez anos porque, afinal, esses 40 milhões que sairam da linha de pobreza passaram a consumir os produtos que a empresa do marido produz. E, mergulhada em sua alienação, é capaz de dizer que tudo está uma merda, sem conseguir explicar o que exatamente já que vive cega pelo preconceito que é ver um sindicalista chegar ao poder e fazer o que não foi feito pelos intelectuais que vieram antes dele.

Elite que sai pelas festas dizendo que o problema do país é a corrupção e que não entende que 300 anos de um sistema altamente corrupto e apodrecido não morrem em uma década, e tampouco considera que o marido que sonega e sai subornando por aí seja tão desonesto quanto o político que aceita o suborno.

Esse Brasil eu não gostaria de ver divulgado lá fora.

O Brasil que me interessa divulgar é o dos Zés e Marias que faz uma roda-de-samba num fim-de-tarde na comunidade mesmo não sabendo como farão para pagar as contas do mês que vêm com o salário mínimo que recebem. Ou sem saber se é hoje que a polícia vai voltar, em busca de um “traficante” e sair atirando a esmo. Um Brasil que nossa elite conhece pela janela blindada do carro, ou com quem, mais recentemente, precisou começar a compartilhar, horrorizada, o assento do avião.

Eu torço para que o Brasil das comunidades consiga se divertir na Copa. Para que consiga ver pelo menos um jogo, coisa quase impossível dado o preço dos ingressos, mas torço mesmo assim. Torço para que esse brasileiro se sinta orgulhoso de sediar um evento desse porte, e para que de alguma forma tope com um gringo e mostre o que é de verdade o Brasil. E que o gringo leve essa imagem, e não qualquer outra, de volta para casa.

Mas não posso torcer pela seleção brasileira porque a seleção tem a cara da elite, e não do povo.

Uma seleção fechada, acovardada, esnobe. Uma seleção que não dribla, que prefere o jogo feio e careta seguido de vitória do que o bonito e derrotado sem lembrar que existe o bonito vitorioso, um ideal pelo qual valeria lutar, mas do qual ela abriu mão há mais de 20 anos.

Uma seleção vendida a valores elitizados, fechada em si mesma e ao redor de seus finaciadores que formam a panela dos eleitos. Uma seleção que se recusa a tratar a imprensa de forma democrática, elegendo os melhores entre eles para fazer suas brincadeiras sem graça e jogar o novo FIFA 2014 para as lentes das TVs.

“Mas você precisa torcer pelo Brasil porque se a seleção ganhar o povo fica alegre”, me dizem. Não. O povo não fica alegre. Fica, talvez, alienado, abobalhado, manipulado, mas não exatamente alegre.

O que deixa o povo alegre é comida na mesa, é emprego, é poder voltar para casa e encontrar a família — valores que, basicamente, deixam qualquer ser humano alegre.

A vitória dessa seleção é a vitória de Marins e Teixeiras, mas não do povo. É a vitória da CBF e de sua filosofia classista baseada na busca cega pelo lucro, uma busca que nos leva à bizarra situação de termos uma Confederação riquíssima administrando um futebol paupérrimo.

A vitória dessa seleção é a vitória do esnobismo, das coletivas de imprensa cheias de respostas que se revezam entre o ridículo e o pedante, a vitória da ditadura do patrocinador, a vitória do cai-cai, da simulação, da esperteza – essa tríade de fundamentos que inunda nossos gramados hoje. A vitória dessa seleção é a vitória dos valores de uma elite careta e apodrecida, e não do povo brasileiro.

Por isso torço para que a seleção perca, mas para que Dilma se reeleja e entenda que muito ainda precisa ser feito.

Por isso torço para que escapemos dos alienados Aécio e Eduardo, e para que o PT aprofunde seus programas sociais, e, assim, continue a diminuir a desumana desigualdade de nossa sociedade. Para que a nova administração de Dilma tenha a coragem de jogar de lado essa diabólica governabilidade, guine à esquerda e pare de fazer média com a bancada evangélica.

Torço para que nosso jeito meio atrapalhado de fazer as coisas acabe numa festa bonita, para que os gringos aproveitem a viagem e para que a FIFA vá logo embora daqui levando seu lucro colossal e não volte mais. Torço para que, depois de tudo, o TCU apure superfaturamentos, para que haja punições e para que exista algum legado, ainda que eu agora não consiga ver qual seria ele.

E, finalmente, torço muito para que, antes tarde do que nunca, entendamos que o mito da economia de mercado, ou do livre mercado, não rolou. Torço para que, como disse o Nobel de economia Paul Krugman, enterre-se para sempre a estúpida crença de que o sucesso econômico depende de sermos bons com os ricos, que não criarão empregos se forem duramente taxados, e ruins com o trabalhador, que não aceitará qualquer trabalho a não ser que não tenha outra alternativa

Torço por essas coisas todas aí, mas não para a seleção da CBF faturar o hexa.

26 pensamentos sobre “Por que torço pelo Brasil, mas contra a seleção

  1. Engraçado que pra um clube de futebol esse monte de exigência ideológica fica de fora. Ninguém deixa de torcer pelo Corinthians porque o mesmo é o clube mais elitizado do país, contrariando sua bonita história. Torce contra porque torce contra. É o bastante. Essas explicações são risíveis.

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    • Tem razão, Thiago. Mas não dá para ser racional o tempo inteiro, muito menos para deixar de se contradizer. Somos humanos. Eu consigo detestar a seleção, mas jamais o Corinthians, a despeito estar a serviço da mesma CBF. Mas entenda que a seleção representa a confederação, e o Corinthians muitas vezes se opõe a ela, ou ao sistema, como foi com a falta de eleições diretas. Então há diferenças. Ainda assim o que você diz tem lógica.

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  2. Adorei o texto, mas não concordo muito com essa divisão de classes: madames de range rover versus pessoas que recebem Bolsa Família. Acho que a visão maniqueísta de que ser rico é ser sempre do mau não ajuda muito na discussão sobre o que deveria ser feito para esse país melhorar. Até porque, infelizmente, a maioria das pessoas – não sós as madames – não compreendem o Bolsa Família e sua importância para tirar milhões de pessoas da extrema pobreza. Já ouvi de gente pobre (que obviamente não foi beneficiada pelo programa) que o governo está alimentando vagabundos com nossos impostos (?!). A luta de classes, hoje, cria mais ódio, na minha opinião. São eles contra nós. Mas quem são o “eles” e quem são o “nós”? Lembro de uma amiga que teve a casa invadida por um ladrão e ele dizia que não maltrataria a empregada porque ela era trabalhadora. Minha amiga era trabalhadora também. Não é só porque ela tinha uma condição de vida melhor que não batalhava dignamente e diariamente para educar os filhos, pagar as contas, colocar comida na mesa. Luta de classes: eles contra nós. Disso eu tenho medo. Queria que fôssemos todos “nós”. Um beijo.

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    • Tem toda a razão. Um dia seremos “nós”, mas acho que ainda não somos e ainda estamos divididos em classes. O retrato da madame no Range Roover é uma generalização. Como toda, ela corre o risco de ser injusta, mas não deixa de ser verdadeira. A grã-fina de nariz de cadáver de Nelson ainda está entre nós 😉 Mas um dia seremos um, eu sei. Beijo

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    • Lucia, concordo 100% com voce. Como disse a Dra. Marilena Chaui, o Brasil e’ o pais mais violento do mundo, pois transformamos as diferencas (de classe, de genero, de etnia, de orientacao sexual, de time de futebol(!!!), etc..) em desigualdades. Infelizmente, a propria academica cai em incoerencia ao, em seguida, declarar seu odio ‘a classe media!
      Nessas horas eu penso que o governo do PT e’ paradoxal, pois e’ ao mesmo tempo remedio e veneno para o nosso pais. Remedio por ter trazido tantos beneficios e dignidade a quem por seculos de desmandos foram tratados como escoria, mas veneno por incitar esse odio nao so ‘a elite (por mais que, como disse a Milly, nao deixe de ser uma generalizacao verdadeira), mas tambem a quem se atreva a criticar duramente o governo quando o mesmo merece ser criticado. Alias, se existe uma UNICA coisa da qual sinto saudade da epoca do FHC, e’ que a gente podia meter o pau a vontade neles que nenhum apoiador do governo iria nos tachar de comunista, maconheiro, guerrilheiro, volta pra Cuba etc… Se o Lula em seus discursos fosse menos Hugo Chaves e mais Nelson Mandela, com certeza teria mais do meu respeito.

      Mas ja’ que generalizamos, Milly, sua pena e’ linda de ler!

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  3. Milly, eu discordo. Apesar de bem escrito, é mais um texto, entre dezenas que leio semanalmente, que reforça a ideia de que os insatisfeitos são apenas a madame do SUV, ou o empresário almofadinha, todos tucanos. Existem muitos trabalhadores, muita gente que não faz parte dessa elite cafona e egoísta que você cita, que está muito insatisfeita com os rumos do país. E não são tucanos, nem empresários, nem madames. Gente comum, que parece não existir dentro da retórica dessas análises.

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    • Eu entendo o que você diz. O diabo das generalizações não é que elas faltem com a verdade, mas é que acabam sendo injustas. Tem razão. Ainda assim, essa madame está por aí e acho que serve como imagem. Obrigada por discordar tão educadamente, Junior.

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  4. Tudo acordado, elites, Marins e afins. Menos com o futebol em si. A seleção tem vários defeitos, mas não é um time acovardado. Neymar, Oscar, Marcelo são jogadores que vivem de drible e arrancada. Dos amistosos pré-confeds para cá, a Seleção passou a jogar diferente. Apenas essa ressalva.

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    • Pode ser, Eliane. Acho que hoje temos jogadores mais arrojados, mas mesmo assim a aura nociva da CBF está sobre eles. As coletivas mostram isso. Mas veremos. Quem sabe ; )

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  5. Outra coisa, imputar a bancada evangélica a falta de uma guinada a esquerda é tão preconceituoso quanto a da madame ser preconceituosa com relação ao operário que chegou ao poder.
    A senhora talvez tenha uma memória fraca ou memória seletiva, mas em 1989 Lula dizia um monte do Sarney e hoje são unha e carne.
    Em 2007, Lula salvou o agora cabeludo Renan Calheiros da cassação, tudo em nome da tal governabilidade. E a senhora só vem em cima da bancada evangélica?
    Esqueceu da bancada da bola? Esqueceu da bancada ruralista? Esqueceu da bancada católica?
    Se o PT tem um projeto de país e uma determinada bancada condiciona apoio em troca de algo e o PT aceita, mostra claramente que o PT prefere um projeto apenas de poder.
    Em 1989 Luiz Inácio avisou.
    Em 2014 Luiz Inácio aliou.
    E os evangélicos levam a culpa……….

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  6. Adorei o seu texto. Acabei de escrever no seu Twitter sobre a imagem negativa que você me passou por causa do episódio com o Rogério Ceni. Achei justamente que você seria do lado que critica o Bolsa- Familia e o PT de forma geral. Muito bom quebrar essas impressoes negativas que às vezes criamos das pessoas. Parabéns pelo texto.

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  7. Milly, adorei seu texto, mas começo a me contorcer só de pensar em não torcer para a seleção. Desde pequeno quando via nossos ídolos entrando no gramado ficava louco, Sócrates, Rivaldo, Romário… vibração incontrolável a cada gol e mais ainda, muitas vezes por sorte da minha geração, na hora de erguer a taça. Tem alguma coisa mística que é acima de qualquer religião, classe social e partido político, uma energia muito positiva que rola quando todos “rezam” juntos para um Brasil campeão.

    Que tal torcermos também para sermos campeões em tratados e negócios com outras nações? Sermos campeões na hora de criar uma política assistencialista descente? Sermos campeões de mobilidade urbana, despoluição, construções sustentáveis? Sermos campeões em deixar um belo legado para nossos filho? Que tal?

    Quero ver a seleção campeã e ver um povo positivo, cheio de auto estima e fé na hora de votar, pois lá, diferente dos gramados, conquistamos ainda a chance de eleger um time campeão para jogar pelo Brasil.

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    • Para, Milton. Assim você me convence a torcer a favor 😉
      Acho que seu ponto de vista é ótimo e faz todo o sentido. Infelizmente meu bode por essa seleção talvez não tenha mais volta. Quem sabe um dia. Obrigada pela mensagem e pelo elogio. Beijo

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  8. Belo texto (como sempre!), mas discordo da conclusão. Torcer ou não pelo Brasil, tá aí uma das poucas divergências que eu tenho com você.
    Eu sou do grupo dos que consegue torcer pela seleção brasileira e separar o time dos Teixeiras e Marins. “O time”… Talvez “a seleção” seja próxima da CBF e aí vem tudo isso que você citou no pacote.
    Eu me atenho mais ao time mesmo. Aos 11 contra 11. Camisa amarela contra camisa branca/azul/vermelha.
    Prefiro um neguinho de canela fina driblando e dançando pra comemorar um gol do que ver um alemão sisudo ou um espanhol adestrado triunfarem aqui dentro.
    Sim, o Neymar é uma grande “firma” semelhante a CBF, mas os meninos no Brasil ficariam muito mais esperançosos vendo alguém igual a eles sair vitorioso. Esperançosos, não felizes, pois realmente felicidade é comida na mesa. Me refiro a aquela esperança de carnaval, sabe? Que desaparece na quarta-feira de cinzas? Aqueles minutinhos de alegria que os avós tiveram vendo o Pelé e os pais vendo o Zico (ou Sócrates, no meu caso familiar rs).
    Sim está correto que hoje todos os jogadores são ricos e não são mais “iguais” a eles. Não são mais do povo. Mas muitas vezes a única coisa que essa mulecadinha tem é aquele sentimento de “se o Neymar pode, por que eu posso?”.
    Tá bom, desencano do Neymar (que só pelo trecho “a vitória do cai-cai” dá pra imaginar a sua opinião sobre ele). Pegamos o Thiago Silva como exemplo. Eu li esses dias que a mãe dele queria abortá-lo, pois não tinha como criar mais um filho. Mas ele nasceu, cresceu naquelas dificuldades todas e se tornou jogador. Partiu pro “sonho europeu”, contraiu uma tuberculoso e quase parou de jogar. Se recuperou e hoje é o melhor zagueiro do mundo. Por que ele deve sair perdedor e o Sérgio Ramos sair vencedor? Ou o Hummels? Ou o Otamendi?
    O vencedor e o perdedor deve ser quem jogar melhor, não quem tem a melhor política social ou os melhores dirigentes.
    E se o Brasil jogar como Brasil vencerá. E é por isso que eu estou torcendo…
    O maior time de futebol que esse mundo já viu (seleção de 70) era de um país que vivia sob ditadura militar, da política do “crescer o bolo pra depois dividi-lo”, mas nunca chegou o pedaço pro povão. Só as migalhas…
    Porém, dentro do campo a criolada chamou os gringos pra dançar. E assim (espero) será novamente.
    É nois, Milly!
    Abraço!

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    • Salve, Diogo. Você tem razão em muita coisa. O problema é que essa seleção me perdeu faz algum tempo e eu só vou ser novamente seduzida se ela voltar a ser verdadeira. Mas se eu tivesse um filho talvez mudasse de ideia apenas para vê-lo torcer e não tirar dele a magia. Pode ser. Como não tenho, posso me permitir continuar a ser cínica e crica. Não vejo uma coisa Thiago Silva x Hummels. Vejo seleções que representam dignamente seus povos (Argentina, Alemanha, Espanha) e outras que se atrelaram a valores ocos e falsos como a nossa. Um dia eu talvez volte, mas nesse dia a CBF não vai mais existir e nosso futebol será, quem sabe, outra vez bonito. Mas é nóis! Abraço e muito obrigada pelo comentário bacana e bem elaborado.

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  9. ATENÇÃO: 99% desse post é puro proselitismo ideológico (além de panfletário).

    Diz aí, sábio Nelson Rodrigues, uma verdade universal:

    “O sujeito que lê ou ouve um esquerdista, leu e ouviu todos os esquerdistas.”

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  10. Pensei que desta vez seria diferente, por conta dos protestos do ano passado. Infelizmente, estava enganado. O frenesi da copa tomou conta do País de novo. E para tirar proveito dos “patridiotas”, tem até multinacional suíça colocando criancinha pra cantar o hino nacional brasileiro no seu comercial. Poderia dizer tanta coisa, mas prefiro terminar com uma pergunta: de que adianta uma estrela a mais na camisa da seleção brasileira, se quando você correr com seu filho ardendo em febre ao posto de saúde mais próximo da sua casa, provavelmente não vai encontrar um pediatra para atendê-lo ?

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  11. Gostei do texto, da verve.
    Pior do que essa plutocracia acéfala, são os aspirantes, os arrivistas. Mimetizam expressões, roupas, cabelos etc., criam um enorme simulacro que só pode ser mantido à custa de rivotril e financiamentos.

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