Comportamento/Futebol/Uncategorized

A contusão de Neymar revela o que temos de pior

Neymar nem tinha chegado ao hospital e o horror já havia começado. Pedidos para que o colombiano que tirou o craque do jogo fosse linchado, preso, deportado inundavam as redes sociais. Racismo, xenofobia e todo o tipo de preconceito, coisas muito piores do que uma joelhada nas costas, revelavam mais um pouco sobre nós mesmos.

A partir daí, as coisas apenas pioraram.

Não adiantou Felipão dizer que a falta foi normal e para “parar a jogada”, não adiantou o capitão dizer que não viu maldade, nada deteve a fúria social que apenas aumentava.

E então, na hora em que nossa imprensa tem uma chance sublime de ajudar a colocar tudo em perspectiva, ela entra em cena e engrandece a mediocridade – porque é nesse tipo de ambiente medíocre que se dá a multiplicação do lucro.

Quem acompanha futebol sabe que a falta de Zuñiga acontece uma dúzia de vezes por rodada no Brasileirão. É a falta para matar o contra-ataque. Uma falta amplamente solicitada por todos os treinadores. Perdeu a bola no ataque, acaba com a jogada ali, seja como for. É o jogo que nos acostumamos a jogar; é horroroso, é covarde, é pequeno, mas é a cara do futebol brasileiro hoje — e é o que temos.

Mesmo sabendo disso, os tais formadores de opinião decidiram criar um heroi e um vilão porque nada dá mais audiência do que esse maniqueísmo doentio. E audiência é tudo o que importa porque ela gera receita.

Em nome de bons números no Ibope, vamos pedir a cabeça do colombiano e elevar Neymar à categoria de um Deus fazendo seguidas matérias e chamadas e entradas ao vivo e papos com Neymar, e com médicos alternativos, e com a família de Neymar, e um video de Neymar no hospital, e sugerir algumas selfies, e umas imagens dele saindo do hospital, e chegando em casa, e comendo, e chorando, e vamos pensar no que vamos fazer se ele for ver o jogo no estádio, seguir cada passo, mas também se ele for ver em casa, deixa uma câmera só nele durante o jogo todo, e vamos pegar as expressões todinhas, e toda a dor do jovem que não pôde realizar o grande sonho, e como os companheiros vão dedicar a ele cada bola dividida.

Em casa, o telespectador baba na frente do aparelho de TV e pede mais. Nada tão fácil quanto hipnotizar a audiência que implora para que seja ofertada a ela todo o tipo de coisa que não a faça pensar, ou refletir. A vida já é suficientemente dura, quero chegar em casa, abrir uma cerveja, ligar a TV e simplesmente esquecer.

Em pauta: Neymar e toda a sacanagem que fizeram com ele e com o Brasil. Fora de pauta: mostrar como esse tipo de falta é comum no futebol jogado hoje, tentar uma entrevista com o colombiano e humanizá-lo, falar sobre como todos nós também erramos, quem sabe aproveitar para refletir sobre a violência no futebol hoje, ir à TV dizer, “gente, péra lá, acontece. É triste perder o melhor jogador, mas é jogo de contato, e a contusão não é grave, ele volta a jogar bola em menos de dois meses etc”. Nada disso. O importante é eleger heroi e vilão e ir com essa cartilha, acentuando suas cores mais e mais, e ver os números do Ibope subindo e, com eles, a grana entrando.

Cenário armado, é hora de todo mundo capitalizar. A Presidenta, sabendo que a eleição está logo aí, tira foto de solidariedade e manda muitos recados para Neymar porque não é momento para parecer insensível com essa dor que virou a dor de toda uma nação. Há, claro, inúmeros outros momentos para se mostrar ao País como uma líder sensível, eles acontecem diariamente, mas não dão audiência, então não são de verdade “momentos”. Danem-se os índios, e os sem-terra, e os gays e os que foram removidos de suas casas para que a Copa das Copas acontecesse, o que me deixa triste mesmo é essa contusão do Neymar.

O mercado publicitário entra em polvorosa porque é o instante ideal para de ter ideias bem sacadas, que poderão até gerar prêmios, e fazer o cliente – e a gente – lucrar com a contusão. Uma empresa aérea pinta o avião com algum refrão recém-criado sabe-se lá por quem, mas muito usado por Neymar. No Instagram, fotos sugerem possíveis mensagens que a CBF poderia colocar na camisa da seleção para o jogo contra a Alemanha, e corporações pelos quatro cantos do Brasil bolam peças publicitárias de apoio a Neymar porque é aquela hora de estabelecer relação emocional com o consciente coletivo que, estimulado pela mídia, só pensa e só fala na contusão. Força, Neymar.

O resultado financeiro disso não poderá ser medido, mas quem sabe essa relação seja suficientemente forte para aumentar as vendas e a fidelidade do cliente. O importante é não perder o momento e surfar esse tsunami gerado pela lesão que afastou o craque da Copa.

Enquanto isso, em casa, Neymar talvez tenha aposentado a tal cueca que tanto gosta de mostrar durante as partidas. Nos jogos que disputou pôde ser visto voltando do vestiário nos intervalos colocando o calção, cueca patriota à mostra. Talvez seja mesmo muito difícil terminar de se trocar no vestiário, quem sabe?, e, por isso, é necessário ir se trocando enquanto volta para o campo, para deleite das emissoras que estão ali flagrando cada momentinho. Neymar vende de tudo, mostrando muito claramente que hoje em dia somos o que consumimos e não o que produzimos.

“O mercado se separou da moral e precisamos de alguma forma reconectá-los”, escreveu o professor de filosofia do direito Michael Sandel em seu livro “O que o Dinheiro Não Pode Comprar”. E ele segue: “Vivemos em uma época na qual quase tudo pode ser comprado e vendido. O mercado, e o valor do mercado, passaram a governar nossas vidas como nunca antes”.

É justamente “o mercado”, essa entidade, que torna necessária a inundação de notícias sobre Neymar. Falar dele é o que gera audiência e, portanto, receita. Antes da lesão já era assim, mas com a lesão uma bem-vinda dose de drama foi acrescentada à novela, e isso dá ainda mais audiência e, com ela, lucro.

Fica fácil enxergar que esse Neymar sobre o qual descansam as lentes de todas as TV hoje é apenas um produto. Não há de verdade muita gente preocupada com sua saúde, há apenas a necessidade de continuar a vendê-lo. Até porque se houvesse algum tipo de preocupação com o menino, todos pegariam muito mais leve.

Você não eleva alguém à categoria de Deus sem saber que não há nada além disso. E depois? O que será feito do garoto? Sabemos a que custo alguém é elevado à categoria de divindade para um dia acordar e descobrir que é apenas humano. Quem é, aliás, o verdadeiro Neymar? O que passa pela cabeça dele quando está sozinho? Será que Neymar fica sozinho?

Tivesse Pelé nascido nessa época do “tudo é mercadoria” talvez ele não fosse Pelé hoje.

E se Neymar não vier a ser o cracaço que todos nós imaginamos que ele já seja? Fizemos mais ou menos essa algazarra midiática com Robinho, e hoje adoramos debochar dele porque a mesma máquina que cria o divino cria o demônio, e nada garante que, passado algum tempo, eles não sejam a mesma pessoa.

Já era hora de entendermos que violência não é apenas criminalidade ou, nessa caso, uma falta feia. Uma das faces mais nocivas da violência é o abuso psíquico cometido contra a natureza de alguém, e seu grau máximo reside no derradeiro ato de tratar uma pessoa como coisa porque é assim que se deixa de reconhecer o humano nela. Portanto, nesse exato momento, estamos todos nós, inclusive Neymar, sendo vítimas de um tipo cruel e nojento de violência que é infinitamente pior do que uma joelhada nas costas.

34 pensamentos sobre “A contusão de Neymar revela o que temos de pior

  1. Não poderia ter se expressado melhor.
    Parabéns, Milly!

    Vale falar também do comentário retardado do Faustão ainda neste domingo, dizendo que o pessoal tinha que separar as coisas.”Eu to falando lá da joelhada do… como é o nome daquele cavalo colombiano, lá?”. Fiquei chocada. Não por ser ~~~~o Faustão~~~~ (pq, né, convenhamos), mas por ele falar uma coisa boa e se contradizer logo em seguida. Em rede nacional. É de chorar de avergonha.

    Bjs

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  2. Excelente o texto! Foram pouquíssimos da imprensa que fizeram esse caminho inverso. Dos que vi, apenas a ESPN fez questão de separar as coisas e mostrar que isso é normal e o que aconteceu foi sim uma fatalidade.

    O mais “engraçado” disso tudo é ver que essa mesma galera que faz este escarcéu contra o colombiano estaria comemorando caso quem tivesse sofrido a fratura fosse o Fred.

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  3. Milly, parabéns, seu texto está espetacular! Até enquadrar certinho o nome da empresa de saúde que estava transportando o Neymar as TVs fizeram. 15 minutos da logo exibida….Seria exagero dizer que teria sido combinado exatamente para expor a patrocinadora da CBF? Além disso, temo que tenhamos visto, na expressão de dor do Neymar ao cair no chão depois do choque, seu momento mais espontâneo e sincero em muito, mas muito tempo. Me incomoda DEMAIS a superexposição marketeira, como você mesmo ressaltou, nas imagens da cueca. Nenhuma postagem no instagram, nenhuma entrevista, nenhuma imagem, nada parecia real ou espontâneo, como se tudo fizesse parte de uma vida que virou campanha de marketing. Não que Neymar não adore isso, ganhe muita grana com isso e surfe esta onda. Mas me deixa impressionado a violência com a qual o mundo publicitário domina a vida dele!

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    • Quando ele caiu eu custei a entender que era sério porque a imagem dele caindo e urrando de dor já está em mim como, “não foi nada”. Apenas quando vi que a maca chegou e ele continuou a urrar percebi que era grave. Concordo, Guilherme. Talvez tenha sido a manifestação mais autêntica dele em anos. Uma pena que tenha acontecido, e que ele esteja fora. E mais triste ainda é ver como estamos lidando com a situação.

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  4. Essa violência psíquica que você citou é horrível, mas ainda tem algo que acho tão ruim quanto ou ainda pior, e parece ser da mesma família: é a busca da vantagem a todo preço, e portanto a negação do prejuízo a qualquer custo. Caso fosse o contrário, e o colombiano é que tivesse sofrido a falta, o assunto seria tratado na sua dimensão mais próxima da realidade, e ainda com algum deboche: “No futebol pode acontecer de tudo, é um esporte vigoroso, não é para manhosos…”. Vicente Matheus – “Quem está na chuva é para se queimar!”. Natural, tranquilo, é isso aí. Mas não. Está o Brasil sem um razoável atacante. Sofreu ele uma falta dura. Portanto, está prejudicado o Brasil! Aumenta a dimensão. O Brasil pode perder (já podia antes, mas agora o temor é mais forte). A dimensão está mais aumentada ainda. O ataque foi pelas costas. Traição. O sujeito é colombiano, é negro, representa outros povos e outros interesses. A dimensão é totalmente fora da realidade agora. Inimigo. Simples assim. Matar. Exterminar. Acabar com a família. Expulsar do futebol. Aniquilar… E outros verbos nojentos. Por causa de uma falta. Delimitada. Fática. Analisável. Mensurável, e até punível. Mas vira um bicho-de-sete-cabeças. Realmente a informação é um produto que adota a forma que se quer dar a ela. E pode ser totalmente divorciada da realidade. Isso é muito assustador! Precisamos aumentar nossa capacidade de análise. Parabéns pelo seu texto: eu adorei.

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    • Obrigada pelo comentário, Marcelo. Concordo com tudo. É uma pena que sejamos tão toscos, que busquemos sempre o caminho mais fácil e piegas. É a cultura do cretinismo que vem e nos esmigalha.

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  5. Verdade. Mas nós não somos assim.
    Este não é o comportamento do povo brasileiro real.
    Estas coisas estão mais para esta gente que canta o hino nacional à capela, mas vaia o hino dos outros, em um desrespeito inacreditável.
    Estas coisas estão mais para esta gente que manda a Presidente democraticamente eleita, em uma eleição majoritária, tomar caju em dois estádios de futebol e ainda repete o mesmo coro sem ter vergonha achando que está fazendo o máximo.
    Estas coisas estão mais para esta gente que vive de mesada do papai, da mamãe, da vovó e protesta contra os programas assistencialistas do governo.
    Esta gente de mesa farta todos os dias, com mais de três refeições todos os dias, que se queixa de programas pobres e elementares de distribuição medíocre de renda como as bolsas.
    Esta é a gente que apoia massacrar e aprisionar com correntes de bicicleta os pretos, os pobres, as putas, o povo…
    Esta gente é que repete em coro, manipulados pela mídia e agindo sem pensar, por ter seus cérebros atrofiados pelo jornal nacional e pela veja, que “bandido bom é bandido morto”, mas vota de forma sistemática e repetitiva nos Alckmins da vida, nos Aécios, nos Malufs, nos Tiriricas, etc.
    Nós não somos assim. Em nossa esmagadora maioria nós repudiamos este comportamento imbecil e idiotizado, sempre que conseguimos pensar, pelo menos de vez em quando.
    Nós não somos assim.
    Mas, com certeza, há os que, idiotizados, ainda não entenderam que são manipulados!
    Claro como água de pote.
    NO BRASIL SOMOS TODOS IDIOTAS IDIOTIZADOS.
    Uns mais do que os outros.
    mai/2014 >> http://gustavohorta.wordpress.com/2014/05/09/nao-somos-assim/

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  6. Excelente texto, Milly!

    Você chegou a assistir ao depoimento da Laís Souza, que ficou tetraplégica, para o Neymar no Caldeirão do Huck?

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  7. Excelente, Milly! Concordo. Acho também que esse fato da lesão foi “moldado” pelos fanáticos cegos brasileiros pra terem uma desculpa para uma eventual eliminação agora ou uma derrota na final – afinal, “fizeram de tudo para o Brasil não ganhar”, como ouço frequentemente. Triste. Marco Reus da Alemanha também sofreu uma fratura grave e perdeu toda a Copa, mas a Alemanha não buscou nisso uma desculpa para qualquer falha na competição. E com relação ao Thiago Silva, eu pelo menos não vi ninguém sequer questionar acerca da falta estúpida que ele cometeu em cima do goleiro, totalmente dispensável, evitável. Ele, experiente que é, sabendo estar pendurado e com um 2×0 a favor, fazer uma falta daquela? Pareceu pra mim muito questionável – será que ele quis? Enfim, a vergonha e medo que senti por conta de todos os reflexos diante do Neymar e sua vértebra foram e ainda são enormes!

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    • Tem toda a razão, Rafael. Não falamos das simulações das quais abusamos, nem das faltas que fazemos, nada, nada. É o espetáculo da imbecilização.

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  8. E agora todo mundo xingando a Seleção, porque “(…) a mesma máquina que cria a divindade cria o demônio, e nada garante que, passado algum tempo, eles não sejam a mesma pessoa.” MILLY GÊNIO.

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  9. Com sua licença Milly,

    Não enxerguei nenhum desastre. Vi, competência, seriedade, organização, determinação, estratégia, disciplina tática, da seleção Alemã, diante da mediocridade, do oba, oba, da enganação, das falcatruas, do oportunismo, das trapaças dentro e fora de campo, de uma seleção Brasileira, infinitamente inferior à sua oponente. Agora, até aqueles do ramo, que no seu ufanismo desvairado bradavam que éramos o país do futebol, que tínhamos o melhor futebol do mundo, que isso, que aquilo, estão tirando o seu da reta. Eles, os do ramo, após o incidente do jogador da Colômbia com Neymar, transformaram o rapaz em vilão, demonizando-o, classificando de assassino, monstro, etc. Incidente sim, 37 jogadores entre os meses de março a junho de 2014, foram cortados da lista dos convocados por terem sidos lesionados na preparação para a copa.
    Eis alguns: Marco Reus da Alemanha se contundiu no último amistoso antes de viajar para o Brasil para a Copa do Mundo; Ribéry o jogador ficou fora da Copa por conta de lesão nas costas; Danijel Pranjic se contundiu no amistoso contra a Austrália no Pituaçu; Falcão García se machucou em partida do Mônaco pela Copa da Liga Francesa; Ricardo Montolivo, do Milan, sofreu uma fratura na tíbia esquerda no amistoso contra a Irlanda; Jerry Akaminko sofreu lesão no tornozelo no amistoso contra a Holanda; Luis Montes fraturou a perna em uma dividida com Castillo no amistoso contra o Equador; Álvaro Saborio da Costa Rica, fraturar o metatarso no fim de maio; Steve Mandanda, terceiro goleiro da seleção francesa, foi convocado para a Copa, mas teve de ser cortado por sofrer um entorse no pescoço e uma fratura na primeira vértebra cervical durante partida contra o Guingamp, pela última rodada do Campeonato Francês; Christian Benteke desfalca a Bélgica na Copa do Mundo depois de romper o tendão de aquiles durante os treinos do Aston villa no começo de abril; Koen Casteels da Bélgica, quebrou a tíbia na partida contra o Herta Berlim no mês de abril; Bryan Oviedo fraturou a perna em disputa de bola na partida entre Everton e Stevenage, pela Copa da Inglaterra.
    Todos esses jogadores ficaram fora da copa, por lesões dentro de campo em partida de futebol. Mais de um com perna quebrada e nem por isso a imprensa mundial alardeou tratar-se de atos criminosos, de delinquentes, de monstros ou de coisa do tipo.
    O mundo há muito já encara o futebol como negócio, é só ver quanto o Barcelona está oferecendo por Luís Suáres. O futebol está se tornando uma ciência, com a administração, a economia. Brevemente teremos que inclui-lo nas grades curriculares dos centros acadêmicos, se é que já não exista nos países que trata o futebol de maneira séria e profissional. Aí não haverá lugar para técnicos charlatões, estudiosos e praticantes da CEFALEONOMANCIA, aqueles que utilizam cabeças de burros para suas adivinhações.
    Nós ou 7rós, como queiram, continuamos encarando o futebol como: futebol, paixão e catimba. Quem não se recorda do folclórico presidente que transformou o Bahia no esquadrão de aço. Não sou Bahia nem Vitória, sou baiano. Torço por um futebol baiano grande, assim como quero de volta o melhor do mundo, o futebol que levaram de nós.
    Milly diz em seu blog, “quem acompanha futebol sabe que a falta de Zuñiga acontece uma dúzia de vezes por rodada no Brasileirão. É a falta para matar o contra-ataque. Uma falta amplamente solicitada por todos os treinadores. Perdeu a bola no ataque, acaba com a jogada ali, seja como for. É o jogo que nos acostumamos a jogar; é horroroso, é covarde, é pequeno, mas é a cara do futebol brasileiro hoje — e é o que temos”.
    Digo eu: perfeito, é a mediocridade tomando conta da competência. Continua ela. “Em pauta: Neymar e toda a sacanagem que fizeram com ele. Fora de pauta: mostrar como esse tipo de falta é comum no futebol jogado hoje, tentar uma entrevista com o colombiano e humanizá-lo, falar sobre como todos nós também erramos, quem sabe aproveitar para refletir sobre a violência no futebol hoje, ir à TV dizer, “gente, péra lá, acontece. É triste perder o melhor jogador, mas é jogo de contato, e a contusão não é grave, ele volta a jogar bola em menos de dois meses etc”. Nada disso. O importante é eleger herói e vilão e ir com essa cartilha, acentuando suas cores mais e mais, e ver os números do Ibope subindo e, com eles, a grana entrando. Cenário armado, é hora de todo mundo capitalizar. A Presidenta, sabendo que a eleição está logo aí, tira foto de solidariedade e manda muitos recados para Neymar porque não é momento para parecer insensível com essa dor que virou a dor de toda uma nação. Há, claro, inúmeros outros momentos para se mostrar ao País como uma líder sensível, eles acontecem diariamente, mas não dão audiência, então não são de verdade “momentos”. Danem-se os índios, e os sem-terra, e os gays e os que foram removidos de suas casas para que a Copa das Copas acontecesse, o que me deixa triste mesmo é essa contusão do Neymar.”
    Completo: Enquanto em Belo Horizonte duas famílias choravam a perda de seus entes queridos, esmagados pela queda de um viaduto, construídos no padrão Brasil, a nação inteira, motivada/adestrada pela imprensa, entra em histérica comoção, por ter o seu herói e salvador da pátria, o Neymar, sofrido uma contusão que o deixou fora da copa e que, daqui a 30 ou 60 dias, voltará a nos alegrar, com seus dribles desconcertantes, juntamente com seus colegas de Barcelona. Enquanto isso, as famílias dos esmagados pelo viaduto, seres invisíveis da mídia, continuam a chorar em silencio a sua dor, por não ter de volta nunca mais os seus entes queridos. Com a palavra a Presidente.

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  10. Milly, parabéns pelo texto corajoso e sincero. Como sempre, gostei muito. Eu só discordo de uma coisinha que também me dói. Infelizmente, o futebol argentino também sofre muito. Grondona é o Ricardo Teixeira de lá e acaba, inclusive, de mudar as regras do campeonato argentina e reformula-lo para talvez dificultar a queda de grandes da capital e facilitar a vida de alguns do interior, sucateando ainda mais alguns pequenos e tradicionais clubes de bairros da região metropolitana. Vale lembrar também que a AFA colocou o querido Maradona para ser técnico na última copa, quando o projeto todo apontava uma linha diferente. Ele foi o Dunga da vez. Mais libertário, mas igualmente despreparado. Passarela, quando lá esteve, exigiu estupidamente que os jogadores cortassem os cabelos, excluindo o genial Redondo do time. Eu gosto e torço também para a Argentina, mas a situação, infelizmente não é tão linda assim… É verdade que eles continuam a formar grandes atacantes… inclusive baixinhos e magrinhos, algo que o Bernard tá pegando o preço na imprensa por ser. Mas sofrem também com uma federação corrupta e cheia de escândalos. 😦

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  11. Pingback: 27 links sobre a derrota do Brasil na Copa » don't touch my moleskine

  12. Que o lance é corriqueiro e ‘normal’, não há dúvidas. O que mais me chateou foi o colombiano não ter sido advertido nem com o cartão amarelo. E se em outros jogos tb não dão cartão no mesmo lance, tb estão errados.
    Parar a jogada é mesmo tudo que os técnicos querem. Mas não precisa parar assim. A bola estava abaixo da linha da cabeça, tanto que Neymar não saltou. Assim, para matar o lance, era só entrar no corpo, sem saltar. E o árbitro viu o lance, viu que foi falta, deu vantagem e o em seguida teve outra falta para o BraSil. Nesse momento, na primeira paralisação do jogo após o lance, o árbitro deveria ter advertido o colombiano. Por mim, deveria expulsar.
    Ao admitir/aceitar lances assim como ‘normais’ (não no sentido de que sempre acontece, pq de fato acontecem, mas no sentido de que tem que ser assim mesmo), prejudicado fica o futebol bem jogado, o tal futebol arte do qual tanto se fala! Há que se preservar o atleta. Nesse tema, o futebol está atrasado. Deveria ter limite de faltas individuais e coletivas, com punições que pudessem virar gols. S[o assim o futebol seria jogado mais na bola e menos no corpo.

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  13. e o oscar para melhor ator é NEYMAR| eu não consigo entender como as pessoas se canalizam p um canal de estupidez, por favor, a coisas mais sérias do que se pensar em neymar, isso é apenas um divertimento. Sempre diga obrigado

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  14. Eu não li todos os comentários a respeito dessa contusão do Neymar, no entanto quero deixar aqui meu comentário a respeito do mesmo, como é muito comum hoje fazer estatística de tudo no futebol, foi divulgado que o Neymar no momento da sua contusão estava a uma velocidade de 11 km/h e o Zuniga corria a 14 Km/h, o Neymar parou e jogou o corpo para trás para parar e receber a bola que vinha na sua direção, o seu suposto algoz como estava numa velocidade maior ao perceber que iria trombar com o Neymar tentou evitar o encontrão que poderia ser violento, tentou pular para que isso não ocorrece e como é normal uma das pernas fica dobrada e o joelho e quem chega primeiro, e atingiu o Neymar que parou bruscamente. Não podemos deixar de levar em conta que antes do ocorrido, estava existindo um bate papo entre os dois jogadores, que poderia ser uma intriga entre os oponentes, talvez isso possa vir à tona em uma confidência futura. essa é minha opinião a respeito do fato.

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