Comportamento/Política/Vida

Como é a viver em Gaza – ou por que o cessar-fogo não basta

Gaza é uma cidade completamente bloqueada desde 2006. Qualquer cidadão de Gaza, incluindo pescadores, que entrarem no oceano além de três milhas náuticas corre o risco de ser atingido por uma bala disparada pela marinha israelense, que executa o bloqueio.

Existem duas saídas de Gaza, em Erez e Rafah, mas nenhum cidadão de Gaza pode deixar a cidade sem permissão das autoridades Israelenses e Egípcias. Pouquíssimos conseguem essa autorização.

Jovens de Gaza não podem estudar fora, trabalhar, visitar familiares e amigos ou fazer negócios. Doentes não podem sair em busca de tratamento especial. A entrada de remédios e comida é restrita por causa do bloqueio imposto por Israel.

O mesmo bloqueio impede Gaza de exportar o que consegue produzir. Oitenta porcento da população depende de comida doada pela ONU para sobreviver.

Muito da infra-estrutura da cidade foi destruída nos bombardeiros de 2008/09, e desde então reconstruir escolas, instituições e casas tem sido tarefa árdua. Fábricas destruídas nesses ataques ainda não foram reerguidas, aumentando consideravelmente os indices de desemprego.

Apesar disso, lideranças políticas em Gaza têm se esforçado para acabar com o bloqueio de forma pacífica (ao contrário do que chega a você pela mídia).

Desde 2005, as duas maiores lideranças políticas, o Fatah e o Hamas, estão se tornando menos e menos bélicas e agressivas em nome de um entendimento e de conquistar apoio da população.

Essa união é precisamente o que enfurece Israel. Por isso Israel pulou fora da última negociação pela paz, embora as lideranças palestinas tivessem aceitado todos os termos exigidos por ela.

Importante dizer que o Hamas é um partido político. Não é uma célula terrorista, embora tenha feito uso de táticas terroristas antes – assim como faz uso de táticas terroristas o partido de extrema direita de Natanyahu agora.

O Hamas diz em seu estatuto que não reconhece Israel; o partido de extrema direita que está no poder em Israel diz em seu estatuto que não reconhece a palestina.

Isso não significa dizer que ambas as populações não reconheçam a existência da outra nação. Nem que, politicamente, esse reconhecimento seja impossível de ser alcançado. Um partido não precisa reconhecer a exitência da nação vizinha para que ela de fato, e dimplomaticamente, exista.

São menos de 70 mortos do lado israelense – 95% soldados; e mais de 2 mil do lado palestino – 80% civis.

Não há mais nenhuma dúvida de que estamos assistindo a um genocídio.

É consenso internacional, e está e acordo assinado com reconhecimento da ONU, que a Palestina não pode ser dividida por Israel. Significa que Gaza e Cisjorndânia não podem ter um estado entre elas; e hoje Israel está estrategicamente entre Gaza e Cisjordânia. Ilegalmente. Criminosamente.

O pretexto usado para o atual massacre é o de lutar contra o terrorismo – pretexto ainda universalmente aceito por muitos dos que se deixam manipular por informações distribuídas pela mídia de massa. Mas a verdade é que Israel está tentando impedir que a Palestina se una.

Entre outras mentiras, Israel diz que civis em Gaza são usados como escudo humano pelo Hamas. A ONU contesta, o mundo contesta e Israel não oferece provas.

Centenas de milhares de pessoas em Gaza foram obrigadas a abandonar suas casas e ir para abrigos da ONU em busca de segurança. E então Israel começou a bombardear esses abrigos. São dois mil mortos, dez mil feridos, dos quais mais de três mil são crianças. E há centena de milhares de desaparecidos.

“As atitudes de Israel são um insulto à humanidade”, escreveram médicos e cientistas em carta aberta publicada em 30 de julho “Mesmo aqueles entre nós que querem ir ajudar estão impedidos de entrar em Gaza pelo governo de Israel”.

O cessar-fogo faria apenas com que as coisas voltassem ao “normal” em Gaza e na Palestina. E o “normal” não é aceitável. Não mais.

É preciso que Israel desocupe terras palestinas, que o desumano bloqueio a Gaza tenha fim e que os crimes de Natanyahu sejam julgados.

Fontes: Carta aberta de médicos e cientistas a respeito das ações de Israel em Gaza (www.stopwar.org.uk) e palestra de Naom Chomski sobre o conflito dada na Bown University em novembro de 2012)

 

 

 

 

 

 

 

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