Comportamento/Política

Rabino americano diz que Israel está assassinando o judaísmo

O Rabino Michael Lerner, em texto para o site salon.com, publica corajosa carta aberta à comunidade judaica do mundo.

Ele começa dizendo que está despedaçado testemunhando o sofrimento do povo palestino e a indiferença dos israelenses, e explica seu amor por Israel. “Toda a minha vida eu tive orgulho de Israel, de todos as suas conquistas em ciência e tecnologia que beneficiaram o mundo. Sempre fui conhecedor da necessidade de termos um Estado que nos protegesse do anti-semitismo, e disposto a mandar meu único filho para servir no exército de Israel”.

Mas diz que suas crenças começaram a se esvair durante os últimos oito anos, quando Israel passou a negar acordos de não violência, de reconciliação e de paz com as lideranças Palestinas, e, além disso, se recusou a parar com os assentamentos ilegais, impondo o bloqueio econômico que vigora até hoje e que devastou a população de Gaza.

“Até o Hamas, que pedia a destruição de Israel, aceitou aceitar a realidade da existência de Israel”, ele escreve, completando que embora o Hamas não tenha concordado com o “direito de Israel existir”, ele aceitou as condições de negociação impostas por Israel. Mesmo assim, Lerner diz explicando sua frustração, Israel saiu da mesa de negociações.

Para Lerner, a brutalidade dos atuais ataques à Gaza mostra que Israel está usando da tática que ela condena há anos: a de matar civis, entre eles centenas de crianças.

E fala mais. Diz que exigir que Israel seja reconhecida como “estado judaico” é um grande erro, porque isso exige que Israel passe a ser venerada e não reconhecida como estado político. Nasce daí, ele explica, essa doentia veneração à Israel, que é um estado, como se ele fosse na verdade uma entidade.

Por causa disso, ele explica, os judeus transformam o judaísmo em um auxiliar para a cegueira ultra-nacionalista de seu governo. “Todo ato de estado de Israel contra a Palestina passa a ser sancionado por Deus. E até a sugestão de que talvez tivéssemos que rezar pelo povo Palestino se transforma em heresia e numa prova de que essa pessoa se trata de um judeu que não gosta de judeus”.

Lerner cita o livro sagrado: “O espírito de generosidade está tão integrado à consciência do Torah que quando se pede que o judeu deixe a terra sem ser arada uma vez a cada sete anos, pede-se também que ele permita que o que dali crescer espontaneamente seja compartilhado com o outro/com estranhos”.

Para ele, no judaísmo a crença em Deus é precisamente a crença no amor e na justiça, e em saber que eles devem vencer. “Nossa missão é assimilar essa mensagem e compartilhá-la com a comunidade, e depois com o mundo, e é essa orientação que o Estado de Israel está assassinando”.

O rabino faz um apelo para que não nos entreguemos à intimidação feita por algumas comunidades judaicas que alegam que criticar a brutalidade de Israel sobre o povo palestino é anti-semitismo. “Ser verdadeiramente amigo de um judeu é apoiar aqueles judeus que estão tentando fazer com que Israel volte a seus valores mais altos, aqueles que sabem que não existe futuro para um estado judaico cercado por bilhões de muçulmanos a não ser através de cooperação e solidariedade”.

Lerner publicou seu texto pelo Salon porque, segundo ele, houve dificuldade em encontrar quem quisesse publicar. “Que eu tivesse que recorrer a um veículo de comunicação não-judeu para ter esse texto veiculado é a prova de como estamos velando o corpo do judaísmo do amor. Imploro aos judeus que se sentem como eu que saiam do armário e nos ajudem a reconstruir o mundo judaico no qual a necessidade do tikkun (cicatrização e transformação) se torne a primeira da lista”.

Fonte: salon.com

Texto completo: 

http://www.salon.com/2014/08/04/israel_has_broken_my_heart_i%E2%80%99m_a_rabbi_in_mourning_for_a_judaism_being_murdered_by_israel/

7 pensamentos sobre “Rabino americano diz que Israel está assassinando o judaísmo

  1. Quem está assassinando o judaísmo são as mentiras que você espalha por aí,seu rabino mentiroso,vendido!!!Palestino é que nem mulher de polícia,quanto mais apanha,mais gosta!!!

    Curtir

  2. Não sou judeu e nem professo a fé judaica — aliás, sou descendente de sírios: meu sobrenome é Houri. Porém, sou aficionado por história universal e acompanho particularmente a história do povo judeu, muito embora não seja um especialista em sua verdadeira epopeia. Neste sentido, uso discordar do articulista, quanto ao que considera um equívoco do governo do estado de Israel em relação aos palestinos, em especial quanto ao Hamas, porquanto muitas vezes não há outro modo de se combater o fogo a não ser com fogo contrário. Imagine-se a tragédia que teria ocorrido caso os judeus pelo menos tentassem demover os líderes das nações árabes de sua inafastável intenção e depois de suas ações efetivadas —e nem vou me referir aos fatos anteriores a 1948— com o objetivo de se unirem para literalmente apagar do mapa o jovem estado de Israel, mediante as guerras “Dos Seis Dias”, “Do Iom Kippur”, “Do Líbano” etc.?

    Curtir

    • Oi, Sergio. O que o Estado de Israel faz hoje na Palestina é indefensável sob o ponto de vista ético, humanitário e moral. O que acontece por lá não é um “combate ao fogo” mas um genocídio lento e invisível aos olhos do mundo. Os grandes críticos dessa política de extermínio são judeus como por exemplo Noam Chomsky e Norman Finkelstein, cujos discursos valem ser ouvidos e os livros, lidos.
      Abraço

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s