Comportamento/Política

Os túneis do terror, ou mais uma mentira que temos que engolir

Nos últimos dias temos sido informados pelo noticário que o objetivo de Israel ao bombardear tudo em Gaza, incluindo hospitais, escolas e mesquitas, era o de inutilizar os túneis construídos pelo Hamas.

Destruir esse túneis, diz o noticário, é fundamental para que o Hamas não consiga usá-los para provocar atentados terroristas que possam ferir inocentes em Israel. Somos, portanto, levados a a acreditar que esses túneis conduzem terroristas por baixo da terra e para dentro de Israel.

O New York Times, há menos de dez dias, estampava na capa uma matéria que dizia isso, e Obama, há uma semana, foi à TV dizer que todo o país que tem um vizinho que constroi túneis para atacá-lo está protegido pelo direito de se defender.

Contada assim, a história deixa claro que temos um vilão – o Hamas e seus terroristas – e um mocinho – Israel e seu direito de defesa. Mas a história não é essa, e os fatos são outros. Vamos a eles.

Existem em Gaza entre 1200 e 1500 túneis. Eles são de dois tipos: rústicos (estreitos e de terra) e mais elaborados (largos e acimentados). São controlados por contrabandistas que, em viagens que levam entre três e dez minutos, chegam ao Egito, onde compram coisas como roupas, cola-cola, balas, remédios, sanduiches do KFC e, vez ou outra, buscam uma esposa egípcia para um palestino que a espera em Gaza.

Desde 2006, quando o bloqueio que Israel impõe a Gaza se intensificou (sem que haja uma justificativa para isso), a construção desses túneis aumentou. Eles são uma espécie de portal que proporcionam a ilusão de liberdade ao povo de Gaza, que é separado de Israel e do Egito por uma cerca, e vigiado por soldados armados. Ninguém pode sair de Gaza sem autorização do governo de Israel.

Alguns túneis também contrabandeiam peixes, já que os palestinos não podem entrar no mar além de três milhas náuticas porque os navios de Israel, que estão ancorados por ali, atiram em quem fizer isso.

Mas, obviamente, os túneis também são usados por líderes políticos palestinos como uma forma de resistência aos ataques de Israel. Exatamente como fizeram os judeus do gueto de Varsóvia, que cavaram túneis a fim de resistir ao massacre nazista. Túneis, afinal, são armas importantes para que um povo se defenda do genocídio.

Que outras armas, aliás, podemos usar para nos defender de limpezas étnicas? Não há muitas, a não ser uma boa dose de vontade de sobreviver e o desejo de que um dia a verdade venha à superfície.

Além disso, não há como, dizem os especialistas, esses túneis levarem ao coração de Israel.

Mas, a propaganda israelense e o noticiário teimam em contar as histórias dos túneis do terror, e explicam que os bombardeios à Gaza pretendem acabar com esses túneis que, afinal, bem podem estar debaixo de hospitais, e mesquitas e escolas, uma forma cruel e mentirosa de justificar como “direito de se defender” o assassinato de crianças e doentes e a limpeza étnica que está em andamento.

Fico com a palavra de um médico de Gaza que dia desses perguntou no twitter: como confiar em uma nação que bombardeia hospitais?

Fontes:

Por dentro de um túnel em Gaza

Os túneis do terror

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