Comportamento/Política

Morte lenta: bloqueio israelense já matou quase dois milhões de palestinos

Talvez seja hora de tentarmos entender o significado da palavra terrorista. Quem é terrorista? Para a opinião corrente ocidental, terrorista é o árabe que, ensandecido pelo extremismo religioso e em nome de Alá, mata inocentes em países ocidentais.

No nosso imaginário, um drone Americano que bombardeia e mata 12 civis em uma festa de casamento no Iêmen (link no final desse texto) não é conduzido por um terrorista. Primeiro, porque a notícia quase não chega aqui. Depois porque, quando chega, já vem associada à propaganda política que diz “americanos lutam em nome da liberdade no mundo”, e, nesses casos, há sempre danos colaterais,

Impregnado em nosso intelecto está a preconceituosa noção de que uma vida americana (ou brasileira, ou israelense, ou francesa) vale mais do que uma vida iemense (ou afegã, ou paquistã ou iraniana).

Declarar “guerra ao terror”, como fizeram George Bush (por um breve período) e seu filho George W. Bush é uma sacada de marketing que, automaticamente, coloca todos aqueles que estão em campos opostos aos dos americanos como “terroristas”.

Tampouco levamos em conta o extremismo religioso dos Bush, que dormem abraçados à Bíblia e citam Deus a cada frase, até mesmo quando declaram uma guerra. Mas a religiosidade dos Bush, mais parecida com a nossa, soa adequada.

Se um país rico e poderoso mata inocentes em países pobres o nome da ação passa a ser contra-terrorismo.

Foi contra-terrorismo, por exemplo, assassinar milhares de iraquianos inocentes durante a Guerra do Iraque. E é contra-terrorismo assassinar palestinos. Porque somos levados a acreditar que a Palestina é um estado – que nem estado de fato é – infectado de terroristas. Crianças palestinas são, afinal, terroristas em potencial.

Essa é a propaganda política do poderoso que, com a ajuda da mídia de massa, vai se impregnando na nossa cabeça – o que Naom Chomsky chama de “consenso fabricado”.

Sem notarmos, estamos nos deixando envenenar. Mas quem se importa em questionar a informação dada pelo telejornal das oito? Depois tem a novela, e o Corinthians, e de madrugada posso ver Friends.

A indústria do entretenimento é apenas um componente dessa enorme fábrica de consenso porque ela nos convida a não pensar. É tentador. E é o que fazemos porque a vida é dura, e cheia de prestações que estão vencendo, e amanhã preciso levantar outra vez cedo para ir trabalhar para receber no fim do mês um salário que não me parece justo, mas que, afinal, é um salário. Não há outra vida possível. Ou há?

Essa mesma propaganda política que visa fabricar consenso faz a gente repetir opiniões consagradas como: “Mas também, como negociar com o Hamas, esse grupo terrorista?”.

O Hamas é um partido político que nasceu com a finalidade de ser um movimento de resistência à ocupação israelense, que se dá há muitas décadas, mas que se agrava diariamente desde 1967.

A ocupação que é desumana, cruel e ilegal, todos sabem, inclusive a ONU, mas ela que segue tendo apoio dos Estados Unidos para acontecer e se expandir. Portanto, se não houvesse a ocupação, não haveria o Hamas – uma reflexão que poucas vezes nos permitirmos fazer.

Resistir à uma ocupação é, muitas vezes, lutar contra ela. Claro que quando o Hamas lança seus mísseis capengas – apelidados de fogos de artificio – contra Israel, ele está praticando um ato de terrorismo, e um ato, portanto deplorável já que, como são mísseis de baixíssima precisão, podem matar inocentes.

Mas a luta entre a resistência palestina e Israel é a mais desigual do mundo porque trata-se de um bando de gente armada à facão e revólver de um lado, e do exército mais bem equipado do mundo do outro. Israel tem técnica e logística para interceptar todos os mísseis do Hamas lançados sobre seu território. E poderia usar isso para deixar o Israelense tranquilo, mas, ao contrário, precisa que o israelense sinta medo para poder justificar como “defesa” o genocídio que pratica na Palestina.

E por que falamos apenas dos atos terroristas praticados pelo Hamas e nunca daqueles executados por Israel?

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu faz parte de um partido político de extrema direita (o National Liberty Party) que está atualmente no poder. Quando ele manda que seus militares bombardeiem escolas e hospitais em Gaza ele não está fazendo nada além de praticar terrorismo. E terrorismo em larga escala, ao contrário do praticado pelo Hamas.

Como são dois partidos políticos comandando o espetáculo bélico, é de se esperar que à mesa de negociação ambos sejam chamados. Só que não é assim porque Israel diz que não concorda em negociar com o Hamas.

Israel alega que o Hamas não aceita o “direito de existir” de Israel. Todos sabemos disso porque a imprensa repete a informação à exaustão. “O Hamas não reconhece Israel, “O Hamas quer eliminar Israel”. Ok, essa notícia chega aqui. Mas acho que você não sabe que o partido de Netanyahu tem em seu estatuto um “não aceitamos o direito de existir da Palestina”.

Qual a diferença entre eles a não ser o fato de um conseguir matar centenas de inocentes de uma vez e o outro estar limitado à execuções unitárias?

E, claro, de um ser o partido da nação que ocupa terras que não são suas, e o outro o partido da nação ocupada.

O cenário piorou em 2006 quando o Hamas se aliou ao Fatah, outra liderança palestina, e, nas primeiras eleições livres do mundo árabe, chegou democraticamente ao poder.

Como Israel respondeu à pratica da democracia na Palestina? Aumentando o bloqueio sobre Gaza, um bloqueio que se dá por terra, mar e ar, que cerca a cidade com grades, impede a saída de seus cidadãos e limita a quantidade de comida que entra.

Um bloqueio que a ONU considera desumano, e que, desde que teve início já matou mais de um milhão e meio de palestinos. Um milhão e meio de palestinos. E esse número, assim como outros tão assombrosos quanto, estão em documento internacional pouco divulgado pela imprensa ocidental (ou jamais divulgado) cujo link passo abaixo.

Esse é o genocídio silencioso sobre o qual não se fala. Ele é mais cruel e mata muito mais gente do que o genocídio executado por drones e tanques e caças.

Ele é crime contra a humanidade e não pode continuar.

 

Morte Lenta: documento internacional implora por fim do bloqueio: Leia a íntegra aqui

Drone americano mata convidados em casamento no Iêmen: Leia aqui

5 pensamentos sobre “Morte lenta: bloqueio israelense já matou quase dois milhões de palestinos

  1. Milly, vc poderia tb discorrer sobre os túneis que permitiam ao Hamas trazer contrabando do Egito? Segundo consta foram fechados pouco antes do sequestro dos 3 meninos israelenses, que acabaram mortos e culminou nesses bombardeios atuais?

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  2. Documento internacional ? Olha aí quem produz isso :
    The Euro-Mid Observer is headed by Dr. Ramy Abdu who formerly was the Regional Director of the Council of European Palestinian Relations (CEPR), the pro-Hamas lobbying group for the European Union. Prior to that, Dr. Abdu was known to have been a spokesperson for the European Campaign To End The Siege On Gaza (ECESG), a central player in the two Hamas-backed Gaza flotillas of 2010 and 2011. In November 2012, Euro-Mid was one of the organizers of a Geneva demonstration against the prosecution of Muslim Brotherhood leaders in the UAE which called the international community “the slave of the Emirati financial lobby.” Other organizers included the Swiss Muslim League, the Swiss member organization of the Federation of Islamic Organizations in Europe (FIOE), in turn representing the Muslim Brotherhood in Europe, and the now-defunct Emirates Center for Human Rights, itself tied to both the Muslim Brotherhood in the UK and to Hamas.

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