Economia/Política

Maior intelectual vivo diz em quem votaria se fosse brasileiro

Com tanta celebridade hollywoodiana dando pitaco nas eleições brasileiras resolvi ir atrás daquele que, segundo o New York Times, é possivelmente o maior intelectual vivo para saber em quem ele votaria se tivesse a chance. Mandei então um email a Noam Chomsky fazendo exatamente essa pergunta, e a resposta que ele me deu segue abaixo:

“Provavelmente votaria em Dilma, mas com reservas. O PT tem sido uma grande decepção. Verdade, fizeram coisas boas, e Lula é talvez a figura [política] mais impressionante no cenário mundial, mas eles deixaram passar uma enorme oportunidade com a vergonhosa corrupção, ferindo forças esquerdistas e populares por um bom tempo. Isso é independente de eles terem escolhido as melhores políticas, discutível em muitos casos”

Acho que não dá para discordar de Chomsky. Nessa reta final, como bem definiu o escritor Xico Sá, estamos apoiando uma candidatura que tem a qualidade de ser mil vezes melhor do que a de Aécio – ideia com a qual Chomsky parece concordar.

Mas o voto em Dilma é um voto que vai para a urna com reservas e ressalvas. Não apenas porque ainda precisamos melhorar muito, mas também porque é hora de o PT voltar às raízes e olhar à esquerda. Foram três administrações de conchavos e negociações necessárias para que as fundamentais reformas sociais e todas as ações afirmativas começassem a ser feitas, mas uma quarta administração, diante do país dividido, terá pouco efeito se não arrancar rumo a valores sólidos, socialistas e humanitários.

Ao contrário do que faria uma administração neoliberal como a do PSDB, é preciso cada vez mais alargar o espaço público e encolher o privado, formar consumidores, mas também cidadãos, e acabar com a hierarquia do patriarcado, essa que ficou tão evidente com as recentes manifestações extremistas de uma classe dominante alarmada com a possibilidade de ver o Brasil continuar a ser governado por um partido que tem o social como foco.

Levando-se em conta a fúria com que essa classe dominante, completamente despolitizada e com a costumeira falta de intelectualidade, foi às ruas para defender o voto anti-PT, seria também uma administração para impedir que se instale no Brasil a oligarquia corporativista que hoje reina nos Estados Unidos, e é tão apreciada por gente como Aécio Neves.

O caminho é longo, mas já foi pavimentado; resta agora ser percorrido.

Eu realmente acho que, se ganhar essa eleição, Dilma tem tudo para honrar ainda mais sua biografia e fazer uma administração histórica, escancarando e punindo a corrupção cada vez mais, alinhando-se aos ideias das esquerdas – e, assim, unir o país que ela encontrará abissalmente rachado.

 

 

 

 

 

 

18 pensamentos sobre “Maior intelectual vivo diz em quem votaria se fosse brasileiro

  1. good/ vc ta acreditando e defendendo muito o pt como ” acabar ainda mais com a corrupçao”, sendo que eles nao acabaram com nada… nao?

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  2. Bom texto (para variar haha). Acho que o PT precisa se renovar muito, caso não queira trair todo o belo passado. O governo da Dilma prorrogou e incentivou a ocupação militar em favelas cariocas, está num processo de privatização dos hospitais universitários com a EBSHER, a paralisação da reforma agrária (aliança com a Kátia Abreu complica isso) e toda a esfera de direitos humanos, além de prefeituras abomináveis espalhadas pelo país.

    O veto ao Aécio é urgente, mas o PT precisa de uma revisão.

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    • Pois é. E hoje os regimes comunistas são líderes mundiais com PIB trilionários e uma possível quebra da Hegemonia americana (sustentada desde a crise de 2008 por uma Contabilidade Criativa que maqueia as contas públicas). Viva a CHINA e Rússia capitalistas. E viva o Brasil junto no BRIC’S BANK. EUA precisam da indústria do terror, o País da Guerra.

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  3. Primordialmente o PT precisa olhar sua raízes e voltar a lutar como no inicio, por um país com menores desigualdades sociais!! A corrupção e iminente na sociedade capitalista, mas pelo menos o PT, mesmo tendo candidatos e militantes corruptos, eles criaram leis para amenizar a corrupção!!! Pois se olharmos para outros governos nada se foi feito, muito menos divulgado, a maioria foi abafado pelas mídias conservadoras deste país!!

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  4. Excelente analise, Milly. Tambem estou cercada de histericos. Fica claro que a questao e toda ideologica, ou seja, nao gostam do PT e Dilma e acabou, nenhum argumento racional os demove. Mas ficam invocando amor a patria, embora so tenham saido de seu estado pra ir pra Miami. E mais, valendo-se de hiperboles tao absurdas quanto vazias cujo objetivo eh mesmo velar seus preconceitos. Deseperante!!! So ha pouco descobri seu blog, mas adoro seu textos, tao lucidos!

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  5. “Maior intelectual vivo”??? Meu Deus do céu, de onde você tirou essa insanidade, minha filha! Aliás, o que você conhece do mundo intelectual? O que você conhece do próprio Chomsky? “Maior intelectual vivo” só na sua cabecinha esquerdopata (e burra) mesmo.

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    • Se tivesse lido com um pouco de atenção não teria ficado histérico: quem disse isso foi o New York Times. Quer o email do editor para ofendê-lo também? Trata-se de um homem, melhor avisar, porque você faz o tipo que fica mais à vontade ofendendo mulheres.

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  6. Oi. Concordo com a análise crítica em relação ao governo e as políticas de alianças (inerentes ao sistema democrático, com as virtudes e defeitos também inerentes a ele – e em relação às quais dificilmente poderíamos afirmar que seria possível fazer diferente, além da análise meramente teórica a respeito). Contudo, questiono a análise no sentido de que há oportunidade de fazer um governo mais à esquerda, considerando que a quase metade dos eleitores tendeu a aprovar uma agenda mais conservadora (especialmente em aspectos relacionados à economia, inflação, contas públicas, o tal “tripé macroeconômico”, etc.) e o fato de o Congresso Nacional ter sofrido a maior “renovação” à direita desde os anos 60 (segundo análise da própria mídia tradicional e dos congressistas de esquerda). Apesar de eu preferir um governo mais à esquerda, parece não ser esse o caminho apontado pelas urnas e no sentido da obter uma maior unificação do eleitorado (na medida em que isso possa ser realmente possível, o que significaria ainda dar mais voz às elites descontentes antes que o golpismo já anunciado se fortaleça). O contrário é aumentar a divisão e o embate. Ambos os caminhos podem dar mais ou menos certo, mas certamente ambos terão deixarão efeitos colaterais. Difícil saber qual será a opção política pragmática que o PT e o governo irão adotar, apesar de já haver sinalizações no sentido de um maior conservadorismo econômico e busca pelo “diálogo” com os descontentes (leia-se, a direita, a centro-direita e as elites em geral).

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    • Tem razão, Paulo. Idealmente iríamos mais para a esquerda, mas o caminho não aponta para lá ainda. Por enquanto tudo é especulação. Vamos ver – e torcer. Obrigada pelo comentário.

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