Economia/Política/Vida

A Casa Grande bate panela

Dilma se comporta como a criança vítima de bulling que acha que a saída é tentar agradar o agressor a todo o custo e assim, quem sabe, ser aceita. Com o país dividido, e com a elite banhada em ódio, a Presidenta dá sinais de que vai se chegar um tico mais para o lado do neoliberalismo a fim de acalmar tanta ira.

São dois problemas distintos: um, a falta de respeito de Dilma ao eleitorado que a conduziu à vitória. O outro, o comportamento histérico e repleto de ódio daqueles que votaram contra ela, que continuarão a odiá-la a despeito de ela colocar uma latifundiária no Ministério da Agricultura e um banqueiro no da Fazenda. Portanto, Dilma consegue a proeza de desagradar a todos.

Enquanto isso, a mídia corporativa trabalha forte para difundir a propaganda de que Lula e Dilma inventaram e aperfeiçoaram a corrupção, e consolida a ideia de quem o Brasil nunca esteve tão mal. Uma noção estapafúrida que não se sustenta porque a verdade é que o Brasil nunca esteve tão bem, a despeito de tantos escândalos que estejam sendo revelados e da economia estagnada.

Paramos de melhorar, isso parece óbvio, e talvez comecemos logo logo a piorar, mas esse Brasil de hoje é melhor do que o de Lula, melhor do que o de FH, melhor do que o de Itamar etc etc. Há mais gente na classe-média, mais gente estudando, mais gente viajando, mais gente comprando, mais gente com acesso à saúde, mais leis de inclusão e podemos seguir listando.

O que deve ser informado é que a crise é mundial e é uma crise do sistema econômico que nos embala.

Europa e Estados Unidos veem a pobreza aumentar e índices de desenvolvimento humano caírem, Japão, China e Índia pararam de crescer, a desigualdade se aprofunda no mundo inteiro e se nada for feito é inevitável que atinja a Escandinávia, esse grupo de países que todo neoliberal usa para defender o capitalismo, mas que estão mais para socialistas do que para capitalistas – outro assunto sigiloso.

Não se fala também sobre a privataria tucana, uma herança de FH, e talvez o maior desvio de dinheiro público da história do Brasil. Como não se fala de Tremsalão, ou do Mensalão Mineiro.

Se a mídia corporativa estivesse realmente interessada em informar, e não em defender interesses de parceiros de negócios, saberíamos de tudo isso em detalhes e poderíamos concluir que a corrupção no Brasil é histórica e profunda, e que, portanto, Dilma não a inventou, mas talvez seja a única entre os presidentes — por ideologia, por falta de ginga ou pelo que quer que seja — que não foi criando barreiras e dando aquele jeitinho para que tudo fosse jogado para debaixo do tapete – como, para citar apenas dois escândalos que nunca foram devidamente investigados, a compra da reeleição ou a privataria tucana.

Nas palavras daquele que o New York Times chamou de “o maior intelectual vivo”: o propósito da mídia de massa não é informar, mas dar forma à opinião pública de acordo com o interesse do poder corporativo”.

Claro que Lula, Dilma e o PT têm responsabilidade pela baderna atual, mas não mais do que presidentes que os antecederam e nem mais do que o poder concentrado do capital privado – a mídia entre eles.

É sempre bom lembrar outra coisa que diz Chomsky sobre a mídia corporativa porque assim conseguimos entender por que ela defende os interesses que defende (e não estou falando da brasileira, mas da grande mídia no mundo inteiro).

A grande mídia é uma corporação e, como empresa, ela vende um produto. Qual é esse produto? Audiências. Ela vende esse produto para um mercado. Qual é esse mercado? Outras empresas, que são outras corporações: os anunciantes. Então a mídia, uma corporação, vende audiências para outras corporações.

Que tipo de audiência interessa vender? Rica, formadora de opinião, privilegiada. Essa é a audiência que interessa ao anunciante comprar. Portanto, para que a grande mídia lucre é fundamental mostrar ao anunciante que ela é lida ou vista ou acessada por muitos e muitos formadores de opinião – esse é o discurso de venda, é, aliás, o único que funciona até hoje.

O que pode sair dessa equação: uma corporação que vende audiências privilegiadas a outras corporações? Que tipo de matéria vai ser publicada? Que interesses ela defende? O do povo ou o do poder corporativo e dos tais “formadores de opinião”? Que ângulo será dado às matérias publicadas? O que vai para o horário nobre? O que terá destaque e o que será apenas levemente citado? Que tipo de partido vai ser protegido? Um partido que pende para o povo ou um que defende o poder concentrado do capital privado?

Um ótimo exemplo é comparar o furor dado à lista do Janot ao dado a uma outra lista divulgada no mesmo dia: a lista de empresários e usineiros e latifundiários que fazem uso de trabalho escravo no Brasil. Uma informação que deveria ter virado manchete em todos os lugares e deveria ofender e revoltar a todos nós que tanto nos indignamos com a corrupção.

Alguém soube dessa lista, com nome de empresários, CPF e razão social do estabelecimento flagrado usando trabalho escravo? Claro que houve quem falasse dela, como Leonardo Sakamoto, blogueiro do UOL, mas não teve alarde, nem repulsa, nem nada em horário nobre, nem nada no site da sempre tão indignada revista Veja. 

Um detalhe sobre a lista: o STF proibiu que a lista fosse divulgada, mas a nova Lei de Acesso à Informação — ferramenta que visa ampliar a democracia e foi criada durante a gestão Dilma, mas sobre a qual não se fala — fez com que o Ministério do Trabalho tivesse que soltá-la.

É assim que se manipulam mentes. Estados totalitários exercem esse tipo de controle pela força; oligarquias como essa que vivemos hoje exercem pela propaganda difundida via mídia de massa. Envenenada pelo noticiário tendencioso, a classe média, essa cuja vida melhorou nos últimos 13 anos, bate panelas e diz que vai para as ruas.

Enquanto a classe média é usada como massa de manobra, elite e mídia estão associadas nesse movimento de ódio e repulsa contra o atual governo. Fica, assim, muito fácil manipular a classe média com a sensação de que o país está afundando e fazer com que saiam todos a suas varandas gourmet enquanto a presidente faz um pronunciamento.

E é sempre bom repetir o óbvio, como pedia Nelson Rodrigues: não estou dizendo que as coisas no Brasil estão ótimas e que Dilma não mereça ser criticada. Não estão ótimas, não estão sequer boas, e Dilma merece ser muito criticada, mas o que estamos vendo é o escalonamento de uma espécie de cólera concentrada na classe privilegiada, e que não tem nada de crítica, apenas de ira, repulsa e hostilidade, e nos cabe tentar entender da onde vem tanta ira e tanto desejo de ofender.

Me parece óbvio que batendo panela estavam três grupos de pessoas: os alienados, os dissimulados e os que têm preguiça de pensar por contra própria.

Batendo panela estavam não apenas os manipulados, mas aqueles que ainda se sentem desconfortáveis quando voam ao lado do porteiro do prédio, aqueles que não se conformam em pagar hora extra à empregada para que ela sirva o jantar, aqueles que não estão muito preocupados com a melhora de vida da população nordestina porque o preço da gasolina com a qual abastecem seus SUVs não para de subir e isso sim é uma tragédia.

Claro que todo protesto pacifico é legítimo, claro que Dilma merece um “se liga”, claro que as coisas não estão boas e podem piorar, claro que o escândalo da Petrobrás é vergonhoso, claro para todas essas coisas. Mas a bateção de panela não me pareceu ser “por um Brasil mais justo”, nem por “muda mais”, nem por “por mais gente fora da linha de pobreza”, nem “por mais aeroportos com frequência de rodoviária”, nem pela reforma política, ou por rigorosas leis que protejam o meio ambiente, nem por uma lei contra a homofobia — essas sim lutas justas e barulho que vale a pena ser feito.

A julgar pelo pulsar das redes sociais, tirando os alienados e os farristas que raramente sabem porque estão fazendo as coisas que fazem, a bateção de panelas foi movida por ódio, pelo silencioso desejo de golpe, pelo sentimento de “nasceu pobre que morra pobre”, pelo sonho de seguir sendo o único a ter privilégios – pelo sucesso da manipulação que a mídia de massa se propõe a executar, enfim.

Quem for às ruas no dia 15 pode até achar que está indo mudar o Brasil, mas estará indo fazer um favor ao poder corporativo e, portanto, lutando para que as coisas permaneçam como sempre foram e, assim, beneficiem o partido que melhor representa esse poder corporativo, aquele que vai mais e mais para a direita, aquela que a mídia corporativa poupa e protege, o PSDB. Há muito pelo que protestar, mas nenhuma das razões de indignação faz parte da lista que essa nova oposição divulga.

Então, querida presidenta, ou a senhora acorda e se volta para aqueles que a elegeram a fim de ganhar apoio, ou os dias que restam serão muito tristes. Existe apenas uma forma de acabar com o bulling: é dar as costas e ignorar aquele que o pratica, e se juntar aqueles que (ainda) respeitam você.

Lista suja do trabalho escravo aqui

Texto de Leonardo Sakamoto sobre trabalho escravo aqui

25 pensamentos sobre “A Casa Grande bate panela

  1. Faço de suas palavras as minhas ,escrevi algo parecido em minha página no FB a respeito dos “panelaços” de ontem. O que incomoda não é bem o PT, e sim a perda de privilégios de uma elite acostumada a ser tratada como superior. Não mais. Chega.
    Muito tempo de PT no poder? Sim. Tem alguém melhor? Não. E como dizem, “em time que está ganhando não se mexe”.

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  2. Deus!!!
    Milly como é bom “ver” essa lucidez.
    Você me enche de coragem, sabe que o “todo” ao nosso redor tem me contagiado e tenho me sentido cansada, sem vontade de continuar; minha vida, meu negócio (minha vida profissional), minhas prioridades pessoais (mudar de casa, andar com minha vida!!)…Obrigada mulher, por essa injeção de ânimo!!
    Amanhã bem cedinho volto ao trabalho com muito mais vontade.
    D

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    • Oi, Ana. Obrigada por ler e comentar. Prometo responder tudo com calma amanhã à tarde, quando terei tempo de me dedicar à essa resposta como você merece. Acho que não a decepcionarei outra vez 😊. Beijo

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  3. Poxa Milly, agora vc me deixou bastante chateada. O que vou escrever abaixo é um desabafo, mas gostaria que vc comentasse depois, se tiver paciência para ler o que escrevi. =D
    No trabalho, tinha lido seu texto anterior sobre o comunismo, o que realmente é, etc.. e estava doida pra chegar em casa e enviar um comentário perguntando sobre o principais autores que deveriam ser lidos para entender Marx e até tentar começar um debate sobre comunismo e capitalismo.
    Eu sou totalmente capitalista e não creio que conseguiria viver em um país socialista, mas como conheço pouco sobre o socialismo queria me informar.
    Não me considero nem de esquerda, nem de direta, simples assim… defendo pautas mais voltadas para a esquerda (descriminalização do aborto, da maconha para fins medicinais, direitos dos homossexuais, etc), mas também defendo um mercado mais liberal, sem tanto intervencionismo.
    Dito isso, leio blogs, jornais, revistas com alinhamentos tanto à direito quanto à esquerda, exatamente para poder conhecer o que defendo e também o que “condeno”. Por isso, apesar de quase nunca concordar com seus textos, sempre os achei MUITO bons, esclarecedores. Gostei particularmente do texto sobre o comunismo pq vc defendia antes de qualquer crítica ignorante, o conhecimento.
    É aí que mora minha indignação.
    Vc diz que não se pode generalizar, que tem que se conhecer antes de criticar, e aí me deparo com uma frase em que vc faz exatamente o contrário!
    A frase que diz que só existem 3 tipos de pessoas que bateram panelas “os alienados, os dissimulados e os que têm preguiça de pensar por contra própria”, é de um preconceito tamanho que me instigou a escrever isto tudo.
    Eu não sou rica, mas nasci em família de classe média. Meus pais sempre puderam me dar tudo o que quis, mas sempre pedindo contrapartidas (tipo só tirar notas boas na escola, etc), ou seja, eles sempre me ensinaram a valorizar tudo o que tenho, assim como me ensinaram a respeitar e valorizar a todos. Foi assim que cresci, e levo isso para a minha vida! RESPEITO SEMPRE!
    Ainda assim, eu bati panela ontem! E pretendo ir para as ruas no dia 15/03! MUITO ao contrário do que vc disse, não sou alienada, não sou dissimulada e não tenho preguiça de pensar… sou simplesmente uma brasileira CANSADA! Cansada de ir ao mercado e voltar com dor de cabeça de tanta raiva com o preço dos produtos. Cansada de ter que pagar R$ 3,50 na tarifa de um sistema de transporte público risível (sim, pasme! Eu ando de transporte público!). Cansada de ter que pagar o olho da cara em um plano de saúde pq nem regular o setor o Estado faz direito. Cansada de ter medo de viajar de carro pq nossas estradas são absurdamente perigosas.
    Milly, convenhamos, se isso doi no meu bolso, imagina dessa nova classe média que nem conseguiu consolida seu novo status! Não são as elites brancas, raivosas, reacionarias que estão protestando (quem tem dinheiro não está nem ai), é o proletariado que se viu enganado pela propaganda eleitoral, que não quer pagar aumento de impostos por causa de roubalheira e politica economica equivocada.
    A popularidade da Dilma atingiu niveis baixissimos e vc vai me dizer que só a elite esta insatisfeita? Está doendo no bolso Milly!!! Doi no meu, no da minha familia e com certeza está doendo muito mais em quem tem menos que eu!
    Dizer que tudo isso é só pq a elite branca reaça não gosta de dividir espaço com os mais pobres é generalizar o que não deve ser generalizado! Vide protestos dos caminhoneiros que amplamente pregavam o “Fora Dilma”!
    A Dilma e o PT estão no epicentro de tudo pq eles sempre pregaram mais direitos ao trabalhadores e posicionaram como o unico partido integro do Brasil, e agora aumentam impostos, cortam direitos trabalhistas ao mesmo tempo em que o escândalo da Petrobras explode! Faça as contas!
    Essa historia de fez no PT, mas isso já vem de antes e nunca ninguem fez nada é BALELA! Se no passado a população agiu errado ao ficar quieta, isso significa que vamos ter que continuar errando?? Vamos ter que engolir agora pq já engolimos antes mesmo?
    SIM o PSDB tem o mesmo problema! Sim varios outros partidos tem o mesmo problema. Mas a revolta da população é pq não esperava isso do PT, que como já disse, se impunha como unico partido probo no Brasil.
    Sei lá… mas defender uma ideia é uma coisa, um partido que está podre por causa de uma ideia, já é outra.
    Acho que está na hora do PT se reinventar, jogar fora aqueles que corromperam o partido, passar a ser um partido íntegro! E acho que os intelectuais de esquerda estariam fazendo um bem muito maior se falassem sobre isso ao inves de defender o PT simplesmente pq eles são de esquerda.
    Enfim, queria falar muito mais, mas isso aqui já está longo demais! Fica pra uma próxima.

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    • Oi, Ana. Obrigada pelo comentário e por ler. Prometo que amanhã à tarde, quando terei um tempo para me dedicar a essa resposta com a atenção que ela merece, respondo com muita calma a esse seu desabafo. Acho que não voltarei a decepcioná-la 🙂 Beijo

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    • Oi, Ana.
      Vamos à minha explicação.
      Em sistemas totalitários o domínio é feito pela força, em sistemas oligarquicos como o nosso – um no qual as corporações e as elites têm enorme poder – o controle é feito pela propaganda, e quem faz essa propaganda são as mídias corporativas.
      Como isso funciona?
      Fazendo com que a mensagem de um grupo apenas seja “televisionada”.
      Então, nesse cenário, ficamos sabendo apenas dos malfeitos de um grupo, mas não de outro.
      Tremsalão, mensalão mineiro, pravataria tucana etc etc etc praticamente não existiram porque não foram “televisionados”, como não existiu a manifestação das Diretas Já para a Globo, que na época mostrou a baderna como sendo um show de música.
      Assim, a classe média – você, eu… – é levada a acreditar que as coisas nunca foram tão ruins e que o partido mais corrupto da galaxia é o PT. Quando a verdade não é essa.
      Corrupção sempre existiu e nunca foi punida, agora está sendo.
      Não estou aqui para defender o PT, por mim punem-se tudo e todos. A questão é a manipulação que se faz de pessoas boas e trabalhadoras.
      Constroem o ódio, o confronto, a discórdia em nome da manutenção de poder (deles e de seus parceiros de negócios, as outras corporações).
      E o ódio pega. Estamos infectados disso.
      Então é hora de começarmos a questionar o que nos é informado.
      Por que Mensalão do PT sim e Mensalão do PSDB não? Por que Petrobrás sim e Tremsalão não? Por que lista do Janot sim e lista de trabalho escravo não? Por que o JN gasta tempo falando de vestido azul e dourado mas não diz que a Emma Thompson declarou que não pagaria mais impostos enquanto HSBC não fosse punido?
      Que tipo de interesse está por trás dessa “seleção tendenciosa” de notícias? O que elas fazem com a sua mente? De que lados elas colocam você?
      Somos todos em maior ou menor escala manipulados pela mídia de massa. E, manipulados, ficamos com preguiça de pensar porque, afinal, a vida é dura e corrida e esses políticos ladrões roubam e a gente quer que sejam todos punidos porque na TV dizem todos os dias que esse é o maior problema do Brasil, então deixa eu ir ali bater umas panelas e mostrar como estou revoltada com essa roubalheira.
      Bater panela pela reforma política tem meu apoio, mas você vê a mídia falar disso?
      Bater panela por mais políticas de inclusão tem meu apoio, mas repare como a mídia corporativa só critica as políticas sociais do PT.
      Bater panela para a taxação de grandes fortunas tem meu apoio, mas repare como esse assunto não ganha uma linha na mídia corporativa.
      Bater panela por políticas ambientais tem meu apoio, mas repare como a mídia corporativa ignora o assunto.
      Por tudo isso a gente percebe como somos instrumentos de manobra do interesse corporativo.
      Quem for à rua dia 15 estará prestando um enorme serviço ao poder concentrado do capital privado, esse que levou o mundo a uma desigualdade brutal e que está assassinado a Terra em que vivemos, e que o PSDB representa tão bem.
      Não sei se consegui me expressar, me explicar. Espero que sim.
      Beijo carinhoso

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      • Oi, Milly!
        Simplesmente encantado por sua elegância e profundidade!
        Parabéns!!!!!

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  4. Excelente texto… Mas achei que poderías contextualizar a relação da mídia vs reforma política , pois vejo este o melhor momento para sairmos as ruas com esta bandeira Se depois de todos esses escândalos envolvendo corporações e políticos, não houver mudanças … Vamos acabar em um país fundamentalista! Temos que unir forças, poderes sociais, e de comunicação livre para levantar estas discussões com propriedade! Obrigada e fica a dica.

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  5. Milly, muito bom o seu texto, mas não sei se concordo quando você diz que a presidenta volte suas atenções àqueles que a elegeram. Ela pode não ter sido eleita por grande parte da população (que, provavelmente entra nas categorias que você descreveu dos “paneleiros”), mas ela deve governar para todos. Ela tem que usar de inteligência e empatia para tentar contornar a situação e cativar estas pessoas que nutrem tanta ira e ódio. Continue com os ótimos textos! Grande abraço!

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  6. Esperava ler um texto isento, como eu. Não sou tucano nem anti-pt. Sou anti maus políticos, sem distinção de partido. De alguém que espera o político que vai diminuir nossos impostos, e enxugar a máquina administrativa, e assim ver o país crescer. De alguém que quer a reforma política pra ontem. De alguém que quer a quebra do paradigma. Infelizmente o que li foi um texto de alguém que quer mais do mesmo e defende claramente um partido, num País cujo atual sistema político é uma instituição completamente falida.

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  7. Milly, sempre leio seus textos e,aproveitando o embalo, eu também estou muito chateada com você e ficaria feliz com uma resposta sua. Como você sempre parece aberta a diálogos sem ofensas, tomei a liberdade de escrever tudo que estou sentindo.

    Pelo visto, sou membro da tão detestada “classe média” e não me sinto representada por qualquer coisa que você escreve recentemente (sou sua leitora desde o tempo de TPM).

    A impressão que tenho é que no fundo você me odeia sem nem mesmo me conhecer. A impressão que seu texto passa é que eu tenho uma imensa parcela de culpa em tudo que está ocorrendo de errado no pais!

    Tenho uma micro empresa (uma pequena lanchonete e confeitaria) e posso dizer sem a menor sombra de dúvida que jamais enfrentei tantos problemas para fechar no azul como agora. E tenho certeza que participar da manifestação contra os desmandos desse governo não me torna uma cidadã pior que você.

    O que me deixa chateada com você é que eu nunca li uma linha sua a respeito da diminuição de impostos para pequenas empresas, por exemplo. Nunca li uma linha a respeito de medidas de incentivo para modernizar equipamentos de pequenas empresas, por exemplo. Nunca li uma linha a respeito sobre a violência assustadora que nos donas e donos empresas e lojas passamos. (preciso pagar um segurança armado para não ser assaltada TODOS OS DIAS!) Por quê isso tudo é menos importante do que leis rígidas para conter o desmatamento, por exemplo? Por que eu mereço ser penalizada com tantos impostos quando tudo que eu quero é trabalhar, e expandir o meu negócio e ajudar o meu país? Se meu negócio expandir, eu posso contratar mais funcionários. E contratando mais funcionários eu não estou diretamente criando um impacto positivo na sociedade? Criação de emprego não é uma política de melhoria social? Evidente que é! Não é só do governo que deve partir as tais medidas de melhoria social. Nós, pequenos empresários, também contribuímos e muito para isso. Basta o próprio governo nos dar a chance. Mas com os impostos aumentando o tempo inteiro, como eu posso ajudar? Obviamente eu vou ser engolida por tantas taxações e vou quebrar. E junto comigo vão meus 9 funcionários. Isso é uma bola de neve! Por que você nunca escreve a respeito disso? Eu realmente fico muito chateada com isso.

    Espero que um dia você entenda que tomadas decisões de forma doutrinária são sempre erradas. E você infelizmente parece ultimamente sempre agir/escrever/pensar de forma doutrinária. Acho que você foca demasiadamente em esquerda vs direita, PT vs PSDB. Eu sinceramente detesto tanto PSDB como PT (não vejo praticamente diferença entre os dois). E eu tenho certeza que nem a esquerda ou a direta estão certo 100% do tempo, pois tudo depende da situação! Alguns momentos, ações de esquerda são necessárias, em outros momentos, ações de direita são necessárias. Você parece não concordar com isso. Na sua opinião, sempre as ações de esquerda estão certas, independente da conjuntura. Você não percebe quão radical é esse tipo de pensamento? Se a esquerda é o martelo, a direita é a chave de fenda. Qual ferramenta é mais importante? Depende do que você precisa fazer! Entende? Não dá pra escolher uma ferramente e usar o tempo todo. Dá pra martelar com uma chave de fenda? Parafusar com um martelo?

    Por isso tudo, acho que essa maneira que você escreve generalizando o empresariado como todos “do mal”, acaba atingindo quem não tem nada a ver com conglomerados ou conspirações mundiais. Assim como eu, milhões de empresárias só querem trabalhar em paz. Quando você fala em empresa você está focando sempre em multinacionais bilionárias e seus planos conspiratórios e esquecendo de nós, donas de lanchonetes, de padarias, de salões de beleza, de restaurantes… não merecemos mesmo um pingo de atenção no seu blog?

    Tudo que eu quero é que PT/PSDB/PP/PSOL/PXXX me deixem trabalhar em paz. Não quero ser assaltada, seja por impostos abusivos, seja por um ladrão com um revolver na cara da minha funcionária.

    Quero trabalhar, expandir, contratar mais funcionários, ganhar o meu dinheiro honestamente, pagar meu imposto justo e voltar pra casa em segurança. Sou uma ameaça a sociedade por pensar assim? Sou a tal elite branca reacionária? Tenho certeza que não! E fico sinceramente ofendida quando você coloca tudo no mesmo balaio.

    Um beijo e obrigada se você leu o meu texto inteiro (sei que ficou grande!)

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    • Oi, Fabiana. Antes de mais nada, muito obrigada por ler e comentar. Especialmente um comentário tão profundo. Você tem razão em muitas coisas.
      Desculpe se soei agressiva, não era a intenção. De forma alguma odeio pessoas como você. Somos, você, eu, a classe média, vítimas desse processo.
      Noam Chomsky diz que a mídia de massa não quer informar, mas dar forma à opinião pública de acordo com o poder corporativo. E eu concordo com ele. Somos, a classe média, usados como massa de manobra para defender o atual estado das coisas.
      O que isso quer dizer? Quer dizer que nos usam para acharmos que, nos revoltando contra esse governo, estaremos mudando o Brasil. Não, não estaremos. Estaremos perpetuando o cenário que privilegia poucos em detrimento de muitos.
      Suas taxações, por exemplo.
      Está errado, completamente errado, que um negócio pequeno tenha essa carga tributária. Mas por que você as têm? Para que os grandes negócios sejam poupados.
      O governo, quase todos, protegem o poder corporativo.
      Não sei se Dilma vai mudar isso, espero que cheguemos lá, mas sei quem não vai jamais mudar isso: partidos de direita, que estão a serviço desse poder corporativo.
      Então, o que me chateia é ver gente trabalhadora e esforçada sendo levada a achar que o problema do Brasil é essa assustadora corrupção, e nada mais.
      A corrupção sempre foi assustadora, mas agora está escancarada. Eu acho ótimo, acho lindo que se escancare e puna-se, só acho injusto que um partido apenas pague por ela.
      O problema do Brasil é a proteção que se dá ao poder corporativo, e que Dilma precisa encarar. Outra vez, não sei se ela vai, mas sei quem não vai jamais: o psdb.
      Você é vítima desse sistema, e levada a acreditar que indo às ruas dia 15 estará lutando por mudanças quando estará apenas indo legitimar as coisas como elas sempre foram: o privilégio de poucos, o sofrimento de muitos.
      Espero que eu tenha conseguido me explicar.
      Outra vez, obrigada por me ler e me dedicar esse tempo.
      Beijo carinhoso

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      • Olá, Milly.

        Entendo esse comentário da Fabiana como central para tudo o que está acontecendo. Na sua resposta você mostra que também se preocupa com as situações que ela nos trouxe, porém ela não se sente representada por NENHUM de seus textos. Vale uma reflexão mais profunda, acho. São os termos que você usa (ou deixa de usar)?

        Afinal, a intenção da esquerda não é que todos tenham um padrão de vida que a classe média tem? Nesse caso o inimigo não é a classe média, mas por que ela não se sente representada pelo nosso dircurso? E se isso não ocorre, o que precisa mudar para trazer esse pessoal para o nosso lado? (Não vejo essa preocupação em ninguém da esquerda).

        Por que a esquerda só fala para os pobres, e só fala de política? (Se vc reparar, naquele texto que você indicava alternativas aos grandes veículos de imprensa para se informar, a maioria deles é só de política. Por que a esquerda não se interessa em informar sobre o cotidiano das cidades, que é onde a vida realmente é vivida e nosso carater e ideais são formados?)

        O comentário da Fabiana explica muito do porque teremos centenas de milhares nas ruas no dia 15 fazendo o jogo da direita. A esquerda simplesmente ignora esse público, apesar de também serem trabalhadores – que é o que a esquerda diz defender, não?

        Acho também que há uma grande confusão entre o que é ser Classe Média e o que é ser Elite (pq o termo classe alta nunca é utilizado?)

        Abração!

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      • Seu comentário é de extrema importância e você tem razão em tudo. Prometo escrever sobre isso.
        Obrigada, Rafael.
        Beijo

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      • ”Está errado, completamente errado, que um negócio pequeno tenha essa carga tributária. Mas por que você as têm? Para que os grandes negócios sejam poupados.”

        ”Não sei se Dilma vai mudar isso, espero que cheguemos lá, mas sei quem não vai jamais mudar isso: partidos de direita, que estão a serviço desse poder corporativo.”

        A Fabiana paga muito imposto pro estado pagar suas contas, quanto maior e mais ineficiente for o estado mais o pequeno empresario vai ser sufocado em seu negocio.

        Quem pode mudar isso é justamente partidos mais liberais, no caso, mais a direita. Quem jamais vai mudar isso é quem incha o estado e tem uma péssima gestão das contas públicas como o governo Dilma.

        Um abraço.

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      • Oi, Bruno. Você toca em pontos importantes. Há uma confusão quando se fala em esquerdismo de achar que o que se prega é um estado absoluto. Para alguns esquerdistas é isso mesmo. Mas para outros, como eu, não é. Um estado absoluto, como foi na União Soviética, não muda nada, apenas transfere o poder da corporação para o governo. O trabalhador continua oprimido, ou pelo empresário ou pelo comissário. Marx não falou nunca em estado absoluto, aliás ele pouco falou de estado. E eu acho que o estado tem que cuidar apenas do básico: segurança, transporte, educação. Mas prometo escrever com calma sobre o que eu acho, e com que mundo sonho 😉
        Obrigada pelo comentário.
        Beijo

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  8. Milly,

    Acho que nem você acredita no que escreve.

    Para com essa tolice de crise internacional. Estados Unidos resolveu a sua. A China, que você diz que parou de crescer, cresce só 7%. Só isso. Até a Europa cresce mais que a gente. (e eles não tem para onde crescer)

    A crise existe porque o governo aqui gastou demais. É que nem você gastar no seu cartão de crédito e ir sempre pagando o mínimo. Todo o mês aumenta o furo. Até que aparece um mês que você tem que parar de gastar….

    Enquanto existir essa postura de que a culpa é dos outros, e você ficar repetindo a desculpa oficial, a coisa não vai melhorar.

    Enquanto o médico ficar dizendo para o paciente que ele não tem nada, ele não vai fazer o tratamento para se curar.

    Enquanto antes assumirem o erro, mais fácil de consertar.

    Aproveitando, agradeça a crise ser maior do que você assume, pois de outra forma, teríamos que ter racionamento de energia.

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  9. Milly,
    Como você escreve bem! E que clareza de ideias e paciência quando responde aos comentários. Eu sempre uso os seus textos para ensinar aos meus alunos sobre redacão argumentativa- dissertativa. E sempre digo: é um tema bom para a redação do ENEM. São alunos de uma escola pública , da periferia de São Paulo. E como escrever assim? Eles perguntam. Eu respondo: ela é uma leitora voraz!!!
    Parabéns.

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