Economia/Política/Vida

Pelo direito de perturbar figuras públicas em restaurantes

Recebi pelo grupo de WhatsApp da minha família o vídeo do rapaz que fez um discurso para o ex-ministro Padilha em um restaurante fino de São Paulo. O grupo de WhatsApp da minha família é dessas coisas que quando fala de política tem a capacidade de me fazer hiperventilar, e me dá ganas de arrancar fios de cabelo da cabeça, então, sem querer estragar minha sexta-feira, demorei para clicar no vídeo; e, de fato, depois de clicar e assistir a performance não consegui pensar em mais nada.

Horas mais tarde, já na cama e tentando pegar no sono, continuei a pensar no episódio e, em delírio, me dediquei a imaginar mil respostas para o homem que, copo de prosseco na mão, bateu nele com um talher para anunciar o começo de um discurso – como fazem os gringos, esses tão idealizados por pessoas como o rapaz performático, nos filmes de Hollywood.

Que funcionários públicos como o ex-ministro Padilha sejam abordados pelo público para o qual trabalham não me incomoda nem um tico. Funcionários públicos estão a serviço da população e, assim, sujeitos a críticas públicas.

E há de fato milhares de ações do governo que podem e devem ser criticadas, mas uma análise do que aconteceu no restaurante Varanda entre o cidadão e o ex-ministro revela aspectos mais sombrios do momento pelo qual estamos passando. Por isso achei que era uma boa ocasião para ir buscar mais informações e compartilhá-las.

“Medicina é um dos métodos mais tradicionais de impor o socialismo de estado em uma população”, é o mantra do neo-liberal evocado pelo heroi da turma, Ronald Reagan.

E por mais incrível que pareça muita gente pensa como o rapaz que saiu dando estalinhos na taça de prosseco para anunciar seu corajoso discurso (porque, verdade seja dita, é preciso uma boa dose de ousadia para fazer esse tipo de exibição pública), e acredita que acesso à saúde é um privilégio e não um direito. Se você trabalhar duro e honestamente conquistará esse enorme privilégio e poderá pagar por ele; se não trabalhar …

O fascismo está no ar.

Recentemente um médico americano disse que o Obamacare, apelido do programa federal idealizado por Obama para atender americanos de baixa renda que não têm plano de saúde, é a pior coisa desde a escravidão. “A pior coisa desde a escravidão”, disse o homem.

Segundo a constituição brasileira de 1988, o direito à saúde pertence a todos os cidadãos, e fica realmente difícil buscar razões para defender a ideia de que saúde não é bem público e direito de todos, e isso bastaria para fazer da performance do rapaz do vídeo uma coisa meio pavorosa e pequena.

Mas outros dados deixam tudo ainda pior.

Nos últimos 14 anos, com o aprimoramento do SUS, o Sistema Único de Saúde, o país diminuiu a mortalidade infantil para 13 em mil nascimentos (era de 27 em cada mil nascimentos em 2000); mortalidade de mães durante o parto também baixou, assim como aumentou a expectativa de vida do brasileiro, que na década de 90 era de 66 anos e hoje é de 74.

O Bolsa Família ajuda fincanceiramente mães e filhos a fazerem check-ups regulares, e desde que José Serra, então ministro da saúde de Fernando Henrique, quebrou a patente de medicações para a AIDS o Brasil ganhou fama como uma nação que briga pelo direito de negociar patentes e tornar medicamentos baratos e disponíveis.

Mas nem tudo vai bem, muito pelo contrário, e o moço que decidiu levantar da mesa e se exibir para os amigos poderia, quem sabe, ter se valido de alguns dados realmente trágicos da saúde no Brasil.

Como o impressionante número de duas camas de hospital para cada mil brasileiros, e o fato de reservarmos menos de 10% do PIB para a saúde.

No Maranhão, a reduto dos Sarney, há 0,58 médicos para cada mil pessoas; no Rio esse número é maior, mas ainda assim baixo: 3,44 médicos para cada mil almas. Em 2012, entre 62 e 75% das pessoas que moram no sul do Brasil e precisaram de um transplante de rim receberam um enquanto menos de 27% conseguiram um rim no resto do país.

Só que existem dados relacionados à saúde capazes de me chocar ainda mais, e o performático cidadão paulistano poderia, quem sabe, ter se dirigido às demais pessoas do restaurante para esclarecer a eles o seguinte:

Embora a elite se enfureça com o “Mais Médicos”, os mesmos brasileiros quem podem pagar 60 reais por um pedaço de carne em churrascarias como o Varanda não pensam duas vezes antes de fazer uso do sistema público de saúde a fim de se beneficiar dos serviços e remédios mais caros, expurgando os menos privilegiados que não têm escolha a não ser a de usar o SUS.

Essa informação está em uma matéria da The Atlantic, da qual aliás tirei a maior parte dos dados desse texto, publicada em 2014 e assinada por Olga Khazan (trata-se de uma das mais renomadas revistas americanas, fundada em 1857, e o link para a íntegra da matéria está no final desse meu desabafo).

E segue o texto de Khazan:

“Os brasileiros ricos levam muito a sério seu direito de saúde gratuita. Numa matéria de 2011, a Lancet descreve como os endinhieirados no Brasil costumam processar [o estado] pelo direito de usar drogas experimentais e procedimentos caros gratuitamente”.

Apenas um exemplo dado pela autora: Em 2008, o Rio Grande do Sul gastou 22% do orçamento de saúde para atender 19 mil liminares concedidas por juízes em benefício dos mais ricos.

Então, enquanto o “Mais Médicos” deixa a elite furibunda porque, afinal, o governo está fazendo uso do “meu imposto” para fornecer saúde, esse privilégio, aos miseráveis, a mesma elite enxerga como razoável fazer uso do serviço público em benefício próprio – ainda que possa pagar por ele (não por acaso esse é o mesmo cidadão que em casamentos nababescos sai com a bolsa lotada de bem-casados).

Num universo paralelo, os lixeiros do Recife recentemente imploraram pelo fornecimento de protetor solar gratuito pelo Estado, um direito meio básico na minha opinião, mas que muitos da elite devem achar que é privilégio e, assim, ser contra. Pode catar meu lixo, mas não me venha com essa frescura de protetor solar porque meu imposto não serve para essas bobagens.

Mas vamos ver que outras críticas a Marina Abramovic de calças e sem o talento da Marina Abramovic original poderia ter feito ao ter ganas de se levantar para perturbar o ex-ministro.

Ainda há quase 12 milhões de brasileiros morando em favelas, e saneamento básico não chega a todos, embora o crack chegue.

E se 40 milhões de pessoas ascenderam à classe média em anos recentes, um número impressionante e que deve ser comemorado, por outro lado problemas relacionados a isso não têm sido devidamente atendidos.

“Junk food é a primeira coisa que vem com o desenvolvimento economico”, disse à The Atlantic o médico Janos Gyuricza. Assim, existe hoje no Brasil uma epidemia de obesidade e diabete entre essa nova classe média afogada em açúcar refinado.

O SUS alcança mais de 60% do território nacional, um número que é muito melhor do que já foi, mas que claramente está longe dos 100% prometidos pela constituição, e o Brasil possui apenas 1,8 médico por mil habitantes, índice é menor do que o de Argentina, Portugal e Espanha.

Pois é aí que entra o “Mais Médicos”, motivo da fúria do nosso amigo performático e programa tão vilanizado pela elite brasileira.

Segundo a revista The Economist, quando a administração federal lançou um programa para levar médicos aos lugares mais pobres do Brasil, apenas 938 brasileiros se inscreveram para preencher as 15.460 vagas. “A maioria dos 3.511 municípios que precisavam de médicos ficou desapontada”, diz o texto.

Assim que o Ministério da Saúde abriu edital para adesão dos municípios ao Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab), que paga R$ 8 mil para que médicos recém-formados trabalhem em Unidades Básicas de Saúde nas regiões mais carentes, foram solicitados 13 mil médicos para atuação em 2.868 municípios — 55% dessas cidades não conseguiram um médico.

Não é preciso pesquisa ampla para que a gente entenda que, no Brasil, a profissão de médico é alcançada pelos mais ricos, que sonham em ganhar muito dinheiro e trabalhar no Einstein e no Copa D’Or, mas não exatamente em ir atender carentes em vilarejos paupérrimos que nem cinema tem (e ainda que não exista nada de essencialmente errado em querer trabalhar no Einstein ou no Copa D’Or é preciso que se encontre uma solução para atender os mais carentes).

Que esses vilarejos miseráveis ainda existam no Brasil deveria ser sempre motivo de lamento e revolta, claro, mas até aí querer que primeiro se civilize o vilarejo para que depois os “doutores” façam a gentileza de ir para lá é, para dizer o mínimo, desumano. Ou, como escreveu o poeta alemão Bertold Brecht, citado por meu amigo e ídolo, o jornalista Edson Rossi, primeiro vem o estômago, depois a moral.

Chegamos então aos doutores cubanos que, ao contrário dos brasileiros, não se importaram de ir trabalhar nos vilarejos carentes de assistência médica.

Cuba tem reputação mundial em relação ao sistema de saúde, é conhecida por exportar seu conhecimento na área, via o envio de médicos, para muitos países, mas é preciso que se quebre o preconceito para conseguir assimilar tudo o que a medicina cubana tem de revolucionária.

Segundo informações divulgadas pelo jornal Valor Econômico, o “Mais Médicos” conta com 9490 profissionais em 3025 municípios e 31 distritos indígenas. São, de acordo com o Planalto, 33 milhões de beneficiados até aqui.

Claro que o programa pode ser aperfeiçoado, claro que talvez tenha falhas e a necessidade de ajustes, mas daí a vilanizar um programa social que oferece médicos, remédios e dignidade a quem até ontem não tinha nada disso é apenas cruel; como podemos nos opor à ideia de enviar médicos, de qualquer nacionalidade, para tratar de pessoas que precisam?

Pior ainda é se propor a pagar o mico de falar em público, no meio de um restaurante no qual um pedaço pequeno de bife custa mais de R$50, para verbalizar um mimimi infantilóide sobre quanto o programa custou aos “nossos” bolsos. É a turma do “tudo para a gente, nada para eles” protagonizando performances em São Paulo.

É também preciso que se celebre o movimento de transformação que o “Mais Médicos” desencadeou: desde a chegada dos médicos cubanos, milhares de médicos brasileiros decidiram também fazer parte do programa (das 4139 novas vagas, 3752 foram preenchidas por brasileiros), e o Governo acha que, com essa nova força de trabalho, o “Mais Médicos” poderá beneficiar 70 milhões de pessoas e alcançar 80% do território até 2018.

É preciso uma boa dose de preconceito e desinformação para ser contra um programa cujo nome é “Mais Médicos”, é preciso uma boa dose de egoísmo para ser contra fornecer uma parcela de nossos impostos para financiar médicos e assistência a quem precisa, é preciso uma dose cavalar de ignorância para, dada a coragem ideal, levantar da mesa no meio de um restaurante lotado e escolher criticar justamente um programa de inclusão social  — embora seja perfeitamente aceitável lutar para que qualquer programa social fique melhor e seja ainda mais abrangente.

Assim, em meus devaneios, nosso amigo atrevido e performático poderia ter aproveitado a coragem que o moveu a discursar em público para dizer por exemplo um troço assim:

“Sou um cidadão insatisfeito com a situação atual e não aceito nem uma gota a menos do que todo e qualquer brasileiro com acesso à saúde gratuita e de qualidade, senhor ex-ministro da saúde”

Então, antes de sair compartilhando e aplaudindo performances como a desse rapaz na churrascaria Varanda seria bacana se a gente fosse atrás da informação. Porque do mesmo jeito que o rapaz tem todo o direito de se levantar e dividir com o resto do Brasil toda a sua insatisfação, nós temos o direito de vaiá-lo.

Texto da The Atlantic aqui

39 pensamentos sobre “Pelo direito de perturbar figuras públicas em restaurantes

  1. Pingback: Pelo direito de perturbar figuras públicas em restaurantes | O LADO ESCURO DA LUA

  2. Li tudo q vc escreveu, só não achei sua explicação de pq um medico de Cuba ganha 1000, não comprova o conhecimento técnico através de uma prova que seja, e deixa o resto do salário (8000/9000) pro governo de lá… Não é “o que” está sendo gasto que revolta, é o “como”. Saúde para todos SIM, com nossos impostos SIM, mas sem hiperfinanciar regime de ditadores e assassinos. Isso sim é que deveria ser a causa da ventilação no whats up.

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    • Martin, pelo que eu entendo, e se estiver errado me corrija, o fato do governo brasileiro, assim como os governos de outros países africanos e até Espanha e Portugal, pagarem um determinado valor para o governo cubano e o profissional receber menos é devido ao fato de o governo brasileiro estar contratando um serviço do governo cubano. Da mesma forma que se contratasse os serviços de uma empresa privada esta receberia um determinado valor e os seus profissionais um salário menor que o valor contratado. Temos que levar em consideração que o serviço médico de Cuba é exportado para outros países porque Cuba ficou impedida de exportar seus produtos como o açúcar, por exemplo, devido ao embargo econômico imposto pelos EUA. A venda desses serviço é uma fonte de receita de Cuba, como uma commodity. Com o dinheiro arrecadado pelo governo cubano com a exportação de “serviços” de saúde ele propicia educação e saúde de graça a seus cidadãos. Penso que não devemos ver essa questão sob a ótica capitalista a que estamos habituados e vivemos. Cuba vive um regime não capitalista ou um capitalismo de Estado.

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    • Qual a fonte de suas informações ?!? Os cubanos recebem cerca de R$ 4000, mais moradia e alimentação, e os restantes 6000 vão para o governo Cubano conforme reza o Contrato com a OPAS, que é órgão da OEA. E a medicina cubana é uma das melhores do mundo. Está tudo no Site do Ministério da Saúde. Sai do PiG e dá uma passadinha lá, antes de falar bobagem.

      “O BRASIL PARA TODOS não passa na REDE GLOBO DE SONEGAÇÂO & GOLPES – O que passa na REDE GLOBO DE SONEGAÇÃO & GOLPES é um braZil-Zil-Zil para TOLOS”

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  3. Perfeito. Como quase tudo que escreves. Me permita apenas ser chato e questionar um pequeno detalhe na informação sobre o Serra. Me parece que em 2001 houve apenas uma ameaça de quebra de patente. Um acordo com os laboratórios permitiu a queda dos preços. Isso não tira seu mérito. A quebra efetiva ocorreu em 2007 por José Gomes Temporão. Você e Edson “Gaúcho” Rossi são referência no jornalismo.

    Curtido por 2 pessoas

  4. Parabéns, ótimo texto, como disse o Antonio, corriqueiro, vindo de você.
    Não pare de produzi-los, pois, o massacre do PIG é constante e as mentes, frágeis…

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  5. Outro detalhe bem importante que você omite (além do estranho repasse de somente 30% dos 10 mil reais aos cubanos) é que os profissionais que vêm pra cá não têm certificação do CFM para exercer a Medicina aqui no Brasil. Pra mim, esse é o grande problema.
    Assim como eu, mesmo com 6 anos de graduação e 3 de presidência não posso chegar aí nos EUA e sair atendendo sem prestar uma prova de REVALIDAÇÃO DE DIPLOMA. Aqui também deveria ser assim, se fôssemos sérios, né? Mas, não. Logo, boa parte da população atendida está exposta a profissionais (médicos lá; aqui, não) que não necessariamente tiveram uma formação razoável.
    Entendo que, talvez, pros jornalistas seja mais fácil aceitar isso; já que, no Brasil, pra se intitular jornalista não é necessário ser graduado em Jornalismo. Não concordo, mas é assim que funciona.
    Mas um “jornalista” não graduado faz menos mal à população escrevendo uma matéria desconexa e com erros de português no globo.com do que um “médico” que prescreve dose letal de insulina.

    Abs!

    André

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    • Oi, André. Obrigada por ler e comentar. Você trata de dois assuntos relacionados ao Mais Médicos que, embora importantes, são no meu modo de ver secundários. Se a preocupação é um médico cubano não ter o conhecimento necessário para avaliar um paciente (conhecimento que o Revalida supostamente atestaria) acho que você vai concordar que pior do que mandar um médico sem revalida é mandar médico nenhum, certo? Ah, mas temos que buscar a situação ideal, quem pensa como você (meu irmão entre eles) argumenta. Sim, temos. Mas a realidade hoje é trágica, embora menos pior do que já tenha sido um dia. Então o Mais Médicos é uma solução de emergência para atender pessoas que estão sofrendo e não têm assistência. Se fosse minha mãe, por exemplo, eu preferiria mil vezes que viesse um médico de Cuba, de Marte, de Andromeda, de onde fosse, mas que um médico viesse vê-la. Para mim, o argumento do Revalida morre aí. Quanto ao repasse de 30% de fato me parece injusto, mas não tenho como avaliar que tipo de socialização precisa um país isolado do mundo como Cuba, que para sobreviver teve que desenvolver uma das melhores medicinas do planeta e transformá-la em produto de exportação. O assunto pode ser complexo, mas eu prefiro simplificá-lo da seguinte forma: tem gente carente de médico e passando apuros, tem médico querendo atender essa gente. Livremo-nos de nacionalidades e fronteiras pelo menos quando a vida (e a dignidade) dos mais carentes está em jogo. Abraço.

      Curtido por 1 pessoa

  6. Sou gestor de um serviço público de saúde na periferia de Campinas e sem o mais médicos estaríamos em grave situação para oferecer consultas médicas para a população. Não que as críticas à figura publica do ministro não possam ser feitas em espaços adequados, mas pelos motivos certos.

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      • Milly, existe algum medico cubano atendendo no Sirio-Libanes ou no Eistein? Acho que eles deveriam estar nesses hospitais para atender nossas maiores autoridades que nem sabem onde fica um posto de atendimento do SUS. Basta um pequeno resfriado para todos eles correrem para esses hospitais em busca da experiencia e conhecimento de medicos quase todos com cursos de aperfeicoamento , mestrado ou doutorado em universidades norte-americanas. Se o SUS eh tao bom quanto o Lulla gosta de dizer, por que motivo ele nunca o usa?

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  7. Gostei muito do texto e concordo quando diz algo como “não dá pra esperar a situação ideal para fazer alguma coisa”, o que me preocupa (e, sinceramente, não tenho condições de avaliar isso) é que todo esse valor pago à Cuba (como muitos estão comentando) em relação ao repasse feito aos médicos cubanos não poderia ser melhor investido (na saúde mesmo, obviamente) em infraestrutura que atraísse médicos brasileiros para esses locais (coloco até como um questionamento, caso alguém que possa responder passe por aqui).

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    • Oi, Jandira. Obrigada pelo comentário. Esse é o argumento dos médicos brasileiros, com o qual não concordo porque não vejo esse tipo de ação como excludentes. Acho que temos que fazer todas as coisas possíveis. Me parece que aqueles que não têm argumento para se opor ao Mais Médicos, porque é de fato difícil se opor sem soar desumano, vêm com coisas assim. Acho justo que façam críticas, mas não entendo fazerem oposição ao programa. Por isso entendo quem diz: “sou a favor que enviemos médicos a quem precisa e não tem acesso, mas acho que deveríamos rever isso e aquilo no programa”. Obrigada por ler e comentar. Abraço.

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      • Não entendo chamar programa social, ou ação inclusiva, de “terceirização”, muito menos tirar direito trabalhista de trabalhador, que é o que fará essa nossa terceirização – uma benção para empresários, um inferno para o trabalhador. Num primeiro momento imagino que empresas contratem mais mesmo, mas a qualidade do trabalho, e da vida do trabalhador, piorará sensivelmente. O aspecto de “escravidão assalariada” ganhará ainda mais força. Nos EUA, terceirizado há décadas, o movimento hoje é no sentido oposto, em busca de leis que protejam o trabalhador, justamente porque a vida do trabalhador médio virou um inferno. E acho que a lógica do “se eles podem, nós também podemos” não serve se a gente imagina que um bom governo é aquele que protege o oprimido do opressor, e a tal da PL da terceirização vai proteger o opressor do oprimido. Para mim, uma aberração. E a bem da verdade vamos combinar que aqueles que defendem a terceirização são contra o Mais Médicos, o que deixa tudo ainda mais distante da sua lógica que mandaria os que são a favor da terceirização aplaudirem o Mais Médicos.

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      • Mas Milly, não tem como não chamar a contratação de médicos cubanos de terceirização…você fala em direito do trabalhador, ótimo, e os médicos cubanos não merecem os mesmos direitos trabalhando oficialmente no Brasil? O X da questão é, o programa Mais Médicos é louvável, mas a forma que foi feita não, é um contrato obscuro com outro país, que ninguém sabe para onde vai e quanto do dinheiro é repassado aos “doutores” cubanos. É esse o ponto! Bjos!

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      • Não entendo por que o argumento de quem se opõe ao Mais Médicos é a preocupação com o “direito do trabalhador cubano” se não há nenhuma preocupação com o “direito do trabalhador brasileiro”, até porque se houvesse seriam todos contra a terceirização. Mas te falo por que eu acho que é diferente. Os médicos cubanos fazem parte de um programa emergencial de atendimento à população carente. Programa que foi oferecido (e recusado por) a brasileiros antes da chegada dos cubanos. Cuba exporta seus médicos porque, privada de comercializar com o resto do mundo, investiu em medicina como um commodity. Por isso as regras são essas. Se você me pergunta se eu acho que elas são justas para os médicos cubanos eu digo que não. Por outro lado, tudo o que eu li até agora sobre isso (em veículos sérios, claro) mostra o médico cubano como alguém que tem consciência social e sabe o que e por que está fazendo isso. Trata-se de um acordo entre eles e o governo deles, e o médico cubano se enxerga como um agente social, que é, afinal, o fundamento da medicina, hoje esquecido. Sobre “para onde vai a grana” a gente sabe a divisão percentual de quem fica com quanto. Podemos não concordar com ela, justo, mas ela é sabida. Sobre o aspecto de “commodity” disso: Cuba exporta, por exemplo, médicos para a Venezuela em troca de petróleo. Chamar de terceirização não faz sentido nenhum — nem lógico, nem técnico. Ainda assim, a preocupação com o “direito do trabalhador cubano” só terá eco se servir para o trabalhador brasileiro também — e nessa hora, seguindo a mesma lógica, você terá que se opor à terceirização. E Vai, Corinthians! Beijo

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      • Guilherme, qdo vc paga o seu plano de saúde que importância tem pra vc o qto o Plano repassa aos médicos? Certamente a remuneração dos médicos é bem inferior ao valor que vc paga.
        O governo brasileiro, a exemplo de outros governos contratou o serviço junto ao governo cubano. Com esse dinheiro Cuba financia a saúde de sua população e remunera os médicos que prestam serviços. Onde está o problema se todas as partes são atendidas? Lembremos que Cuba, devido ao embargo que lhe é imposto, não pode exportar commodities e apenas, e tão somente, serviços.

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  8. Tirando o parágrafo que se refere à Marina Abramović, concordo inteiramente com o texto. E causa espécie aqueles que, sem pensar no outro ser humano, se consideram como um ser superior em seus discursos regados à prosecco.

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  9. É muito tênue o limite entre o pessoal e o coletivo, no que tange a figuras públicas.
    Infelizmente estamos vendo uma situação de lixamento moral das figuras publicas. Assumindo que o linchamento é um ato isento do direito de julgamento, ou seja já é o veredicto, creio que isso tudo é bastante triste de se ver. Por outro lado a ausência de moral das autoridades de todos os partidos, de todas as esferas determinou onde estamos agora na educação (ou falta dela), saúde, segurança e tudo mais. Considerando que a base de tudo é cumprir a lei, nem vou colocar aqui a questão ética e moral pois há muitas teses de doutorado sobre o tema, será que a população finalmente compreendeu o que a corrupção retira dela?
    Eu entendo que sim, e como todos os extremos, ocorrem os exageros naturais (não bacanas ou legais, só naturais) de quem inicia a caminhar por um novo ambiente? Acho que sim, e acho que esses exageros também poderão levar a novos códigos para a própria classe política: o medo. O que atualmente é inexistente. Se não medo da justiça, medo pessoal. Infelizmente não vejo outro caminho. Apanhamos aqui no Paraná do governador e da Assembléia dos Deputados. Anteriormente a votação que aprovou a mudança no nosso plano de previdencia houve outra tentativa que foi coibida sabe como? Os sindicatos os professores fizeram piquete em frente a casa da familia de cada deputado que estaria na votação, em cada cidade do estado. Intimidação moral. Isso também estaria errado? Não vejo diferença entre os casos. A base é sempre a mesma: o medo, a intimidação. E agora? Qual será o proximo passo? Só espero que não seja somente o “linxamento”. Sou contra toda e qualquer pena de morte.

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  10. Trabalhei na Saúde em Minas Gerais por 16 anos, depois mais quatro em minha cidade, fechando o ciclo em 2002. Conheço todo o processo de implantação do Sistema Único de Saúde desde o seu nascedouro, na Constituição até a municipalização e a criação do Programa de Saúde da Família. Tenho uma profunda convicção que o nosso sistema de saúde foi e é a melhor proposta para o setor. Quanto aos médicos cubanos eu já ansiava por essa atitude do governo nos anos 90! Médico brasileiro, com as devidas exceções, não vão para o interior nem por decreto. É uma verdadeira praga. Alegam um sem número de motivos para não se fixarem nas cidades menores e longe dos grandes centros. E, mesmo nas grandes cidades, eles não vão para a periferia. E, quando vão, é por pouquíssimo tempo. Podem espernear, mas o governo atual está certíssimo em importá-los para trabalharem no interior e nas periferias das cidades. Quanto a esse coxinha: é um idiotinha sem educação. A História o fará refletir sobre essa atitude grosseira. Mas..só se ele tiver cérebro.

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  11. Querida Mily .
    E esse Guarany ? Nos ferrou…
    Gosto muito do seu jeito de escrever e pensar .
    Mesmo não concordando com o raciocino exposto .
    Me agrada e muito , um sujeito ( que não sei quem é , quais suas preferencias , etc… ) , venha a pedir silencio no restaurante para que ele pudesse expor toda a sua indignação , ( correta ou não ) , a um servidor público , que sim , recebe seu salário com o nosso dinheiro .
    Nunca na “estória” desse país , viu-se pessoas tão participativas quanto ao momento politico brasileiro .
    Esses servidores públicos têm que serem questionados , pois eles são servidores…públicos ! E como tal , têm que serem cobrados ; seja por email , em um campo de futebol , no supermercado , ou por pombo correio .
    Isso se chama exercício de cidadania .
    Acho os mais médicos uma falácia , mas isso é outra história .
    Estivesse eu , em um restaurante , visse o Padilha sentado à mesa , talvez não questionaria o mais médicos , mas perguntaria a ele , se coragem tivesse , como ele está se sentindo com a boquinha que lhe deram na prefeitura , depois de perder as eleições .
    Saudações alvinegras .
    Péricles

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  12. ROGÉRIO GENTILE

    Síndrome do restaurante cheio

    SÃO PAULO – Não está fácil ser petista em São Paulo. Depois do mensalão, do petrolão e da crise econômica, cada vez que uma personalidade do partido se aventura a circular pela cidade, corre o risco de passar por algum constrangimento.

    Haddad foi vaiado recentemente em um teatro. Mantega foi apupado em um restaurante e ouviu um “vai para o SUS” num hospital particular. Padilha teve de engolir um discurso irônico durante um jantar. Todas essas situações são chatas e desagradáveis. Refletem também certa falta de noção e de educação.

    Mas, ao contrário do que têm dito alguns petistas, que costumam chamá-los de “ilegítimos” e “fascistas”, protestos desse tipo fazem, sim, parte da democracia, assim como os aplausos e elogios. Somente em regimes democráticos, autoridades podem ser questionadas na lata, cara a cara, sem que o autor seja punido. Em Cuba, na China ou na Coreia do Norte, com certeza, não seria recomendável.

    Há de se considerar também que protestos verbais, ainda que grosseiros e lamentáveis, são mais admissíveis e fáceis de assimilar do que aqueles que os adversários do PT costumavam sofrer quando estavam no governo.

    Em 1991, por exemplo, manifestantes da CUT e do MST, aos gritos de “filho da puta” e “ladrão”, atiraram pedras, ovos e lama em Collor em Santa Catarina. O então presidente, hoje aliado de Lula, por pouco não foi atingido. Quatro anos depois, cena parecida ocorreu na Paraíba, quando simpatizantes do petismo apedrejaram o ônibus que conduzia FHC. Dois auxiliares do presidente foram atingidos por uma pedra e estilhaços de vidro.

    Os petistas que, no entanto, não querem correr o risco de enfrentar cenas explícitas de insatisfação não precisam, de modo algum, se abster de sair de casa. Como ensinam os artistas, jogadores de futebol e celebridades “BBBs”, gorro, peruca e óculos escuros são extremamente úteis para quem não deseja ser reconhecido em local público.

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  13. Zapper, onde está escrito que, por causa do embargo, Cuba não pode exportar? O país não pode exportar para o Brasil, por exemplo? É claro que pode, só não o faz porque nada produz, a não ser charutos, algum açúcar e muitos fugitivos.

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  14. Pingback: O capitalismo é imoral « Associação Rumos

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