Economia/Política/Vida

Toda a bondade dos bilionários americanos

Stephen Schwartzman, bilionário americano do setor financeiro, acaba de doar 150 milhões de dólares à Universidade de Yale. A doação foi recebida com pompa e festa pela instituição, que planeja usar o dinheiro para incrementar seu pavilhão de artes, já considerado um dos melhores do mundo.

Dias depois, o americano John Paulson, que ficou bilionário na iminência da explosão da bolsa imobiliária em 2008, anunciou doação de 400 milhões de dólares para a Universidade de Harvard — a maior da história de Harvard até aqui. O dinheiro será usado pela escola de engenharia, que agora será chamada de Escola John Paulson.

Um doador bilionário dando parte de seu dinheiro para uma instituição bilionária é apenas um bilionário enriquecendo o outro, diz o professor de economia Richard Wolff.

Mas tanta bondade tem muitos fins.

Ela será usada, por exemplo, pelos advogados de Schwartzman e Paulson para diminuir consideravelmente a taxação de impostos que incidem sobre suas receitas porque doações de bilionários para bilionários são dedutíveis.

Schwartzman, por exemplo, deixará de pagar em impostos aos cofres públicos o valor de 75 milhões de dólares por causa da doação, dinheiro que poderia ser usado, sei lá, na construção de hospitais, de estradas, de escolas para comunidades carentes…

Claro que também haveria a opção de doar o dinheiro que está sobrando diretamente para coisas como os abrigos para sem-teto, a cada dia mais abarrotados pelo país inteiro, mas ações como essa não têm glamour então os bilionários americanos preferem distribuir sua riqueza entre os já muito ricos, como universidades e museus, locais onde seus nomes podem ser eternizados em mármore logo na entrada, e dar título a salas e escolas.

Apenas mais uma artimanha de um sistema feito para continuar enriquecendo os já muito ricos em detrimento dos carentes.

O IRS – Internal Revenue Service – acaba de divulgar novos dados da concentração de renda, e eles são escandalosos.

No grupo do 1% mais rico, os menos “privilegiados” ganham 62 milhões de dólares por ano. Os mais privilegiados faturam 160 milhões de dólares por ano.

Mais chocante ainda: os bilionários pagam menos impostos do que o trabalhador comum e do que aposentados, que são obrigados a dar 40% do que faturam ao Governo enquanto o 1% paga, no máximo, 20% sobre o que ganha na Bolsa de Valores (o mega-investidor Warren Buffet, um dos homens mais ricos do mundo, gasta por ano cerca de 11% em impostos).

É o retrato de um sistema que produz dinheiro sem gerar riqueza e que, dessa forma, vai concentrando renda e poder.

12 pensamentos sobre “Toda a bondade dos bilionários americanos

  1. Zapper, o que vc faz de diferente deles? Serah que acumula patrimonio para deixar para seus filhos? Serah que cumpre todos os deveres de cidadao, incluindo nisso pagar todos os seus impostos corretamente? Serah que faz alguma coisa para necessitados, menores carentes, por exemplo?

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    • Quem é vc Josias? O Catão da web? Cara, eu não lhe devo satisfação. Satisfações eu dou à minha família e às pessoas de meu convívio. E às autoridades, claro, quando e se necessário. Se vc não sabe discutir idéias procure outro espaço mais adequado. Penso que não estamos na Inquisição.

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      • Eu não lhe peço satisfação, apenas educação , meu caro. Quem não sabe dançar não deve entrar na pista. Mas parece que você espera que todos aqui concordem com teus argumentos.Não conta comigo.

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  2. Absolutamente me da nojo!!!! Milionários doando para milionários! Qual o sentido desta caridade? Por que não uma instituição pública, escolas municipais, ou até berros de tratamentos para dependências químicas que 1 em cada 5 americanos dependem de álcool e não tem onde se tratar de graça! Um absurdo a Harvard que nem imposto predial paga!!! Fico enojada cá da vez mais deste capitalismo repugnante!!!!!

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  3. Rofolchini, nao eh somente para Harvard que os bilionarios norte-americanos fazem doacoes. Eles mantem escolas de nivel basico, hospitais como o John Hopkins, alem de tantos outros e as melhores universidades do mundo, disputadas arduamente por milhares dos melhores estudantes do mundo. Creio que vc deve estar em desacordo com Dilma Roussef por ter lancado o Ciencias sem Fronteiras. Milhares de universitarios brasileiros se inscreveram para estudar nessas escolas tao criticadas neste blog mas soh uma pequena parte conseguiu esse intento, pois falta `a maioria dos nossos universitarios o conhecimento basico da lingua inglesa. Por falar nisso, o governo brasileiro estah inadimplente tanto com as universidades de lah quanto com os proprios estudantes. Serah que eles tambem tem nojo do capitalismo repugnante ou querem ir lah aprender o que nao conseguem aqui? Na tua opiniao eles deveriam ir para Cuba ou Venezuela?

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  4. E assim vamos vivendo até que esse capitalismo nefasto nos leve todos para o fundo do abismo.

    Os bilhões que esse pessoal do 1% possui lhes comprará um lugar melhor no paraíso? Serão tratados como vips por São Pedro? Ou irão para outro lugar? E se não existir nada, que sentido há em tudo isso?

    E o Sr Paulson, por exemplo, é mais feliz que todos os 99% que vivem abaixo? A nossa existência deveria ser mais do que isso. Triste mundo.

    Gostei da nova foto do perfil.

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    • Eu pensava que o conceito de paraíso e inferno fosse uma invenção capitalista. Mas Paulson e outros devem estar muito preocupados, pois não terão a excelsa oportunidade de se encontrarem no paraíso com personagens como Lenin, Stalin, Josep Tito, Honecker, Mao , Chávez e outros mais. Apesar de estarem no paraíso, todos eles andam meio tristes aguardando ansiosamente pela companhia de Fidel e de Lulla.

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  5. Pingback: O capitalismo é imoral « Associação Rumos

  6. Engraçado, no Brasil ta cheio de milionários que mamam nas tetas do governo, não gerando riqueza alguma, muito pelo contrário.
    No exemplo americano, a doação foi de $400 milhões deixando de pagar $75 milhões. Doação liquida de “somente” $325 milhões. E para uma instituição de ponta na educação que aceita bolsistas do mundo todo.
    Quem dera no Brasil tivéssemos vários tubarões capitalistas gerando riqueza e um Estado de verdade arrecadando e distribuindo parte dessa riqueza.
    Mas temos outras opções. O socialismo, por exemplo, que nunca gerou o mínimo de riqueza suficiente a qual fica somente com os privilegiados, sobrando uma população de miseráveis.

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