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O bilionário que não dorme

Durante o “Financial Times Business of Luxury Summit”, em Mônaco, o bilionário Johann Rupert, dono da Cartier, fez uma importante confissão: disse que tem medo que os pobres estejam prestes a se revoltar e acabar com os ricos. Para ele, uma revolução social é iminente, e por isso Rupert já não pode mais dormir.

Em nota divulgada pelo site truthdig.com, a partir de texto da Bloomberg, o mega-blaster-bilionário disse que a classe média, apavorada pelos pobres, não vai mais querer comprar bens de luxo para evitar export sua riqueza, e isso seria, nas palavras dele, “injusto”.

A lástima é, portanto, que Rupert e seus pares não possam mais vender os produtos de luxo que produzem, mas não que vivamos em um mundo no qual 80 pessoas têm a mesma riqueza de 3.5 bilhões.

Surpreendente, claro, que um bilionário diga uma coisa dessas sem ser contestado, mas também que não haja nenhuma intenção de se entender como chegamos aqui e o que faremos para mudar o cenário.

Mas podemos, se Rupert quiser, falar de injustiça sim.

A fundação Halo fez recentemente um cálculo interessante, divulgado pelo professor de economia Richard Wolff.

A Halo calculou quanto de dinheiro seria preciso para que os 57 países de menor renda do mundo pudessem garantir assistência médica gratuita para mães e filhos de baixa renda antes, durante e depois do parto.

Fizeram isso porque acreditam que se essa população carente for bem cuidada ela conseguirá impactar de forma positiva o futuro dessas nações e, assim, colaborar para a diminuição da desigualdade no mundo.

O resultado é uma bofetada.

Seria preciso que os 20 países mais ricos gastassem com os 57 mais pobres 0,6% do que deram a seus sistemas financeiros para tirá-los da crise de 2008. Menos de 1%, portanto.

Então, enquanto os multi-bilionários continuarem isolados em seus castelos de mármore, delíro e ilusão, flertando com declarações fascistas e sem tentar encontrar uma solução para essa desigualdade cruel e desumana, nada de fato mudará e apenas uma revolução social será capaz de nos elevar a um lugar de mais significado. Rupert tem mesmo o que temer.

6 pensamentos sobre “O bilionário que não dorme

  1. E essa revolução não será assinando abaixo-assinado virtual ou a fazer passeata com duas mil pessoas nas ruas pedindo “direitos”. A imprensa fala tão mal dos comunistas porque são eles, com seus partidos marxistas-leninistas, os únicos capazes de colocar fim à ordem do capital. Para uma experiência primeira a URSS deixou várias importantes lições. Antes de simbolizar o fim do movimento comunista, mostrou que mesmo com erros políticos sérios, é possível dar saúde pra todo mundo e educação (de uma população com quase 80% de analfabetos em 1917, para apenas menos de 10% depois de 15 anos, tornando o ensino obrigatório e gratuito — o que não era lá e na maioria dos países capitalistas).
    A new-left, a esquerda que o PT e o PSOL tão bem simbolizam no Brasil, não representa uma ameaça ao capitalismo. Pelo contrário: inseridas na lógica das instituições liberais burguesas elas apenas reafirmam a ditadura da burguesia. É preciso sim de uma ditadura do proletariado. Um Estado em que seus únicos e efetivos objetivos seja dar ao povo o que ele precisa e não ser um instrumento de uso da burguesia para melhor espoliar o trabalhador.

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    • Qual a diferença entre a Alemanha Oriental e a Alemanha Ocidental? Por que os cidadãos queriam fugir da primeira para a segunda e , tanto fizeram, que derrubaram o Muro da Vergonha?
      Qual a diferença atual entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul? Qual delas é mais desenvolvida e traz mais benefícios aos seus cidadãos e demais habitantes? Qual delas confina seus habitantes como gado no curral?

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  2. Uma coisa é certa, a continuar essa escalada de injustiça social, desigualdade crescente, degeneração da qualidade de vida mesmo nos países mais ricos, e o aumento populacional da forma como está, não demorará muito para que tudo se colapse de vez em nossa sociedade. Os donos do mundo deveriam ter um pouco de bom senso, mas…

    Por fim, concordo com as opiniões do Wanderson do primeiro comentário.

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  3. Pingback: O capitalismo é imoral « Associação Rumos

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