Comportamento/Economia/Política/Vida

O Governo tinha que gastar mais — e não menos

A austeridade raramente dá certo, e ainda assim Dilma acha prudente seguir esse caminho, que é o de fazer cortes nos gastos e em programas sociais e aumentar imposto sobre a classe média. Claro que dizer que a austeridade não dá certo é uma generalização, porque ela tem se mostrado altamente benéfica para CEOs, acionistas e empresários, mas uma tragédia para a população.

Segundo Noam Chomsky um estudo do FMI analisou 200 casos de austeridade colocada em prática em cenários de recessão e chegou à conclusão que, com ela, a crise apenas se agrava (vou colocar o vídeo para o que ele disse no final do texto).

Governos desse mundo doido de hoje estão sempre divididos entre agradar quem os financia – a classe alta e as corporações – e tentar dar uma passada de mão na cabeça daqueles de cujos votos eles precisam – o povo. Por isso a dança muitas vezes é amalucada e eles vivem endividados.

Nas palavras do doutor em economia Richard Wolff: O grupo formado pelos ricos e pelas corporações quer que o governo faça tudo o que puder para garantir o lucro deles, e, para isso, exigem pagar a menor taxa de imposto possível. O grupo formado pelo resto da população quer que o governo forneça toda a sorte de coisas – parques, ruas asfaltadas, hospitais, escolas etc – e para isso também deseja pagar o mínimo em impostos.

“A solução para essa forma bizarra de organizar uma sociedade é a dívida pública”, diz Wolff. Porque é só assim que, segundo ele, governos conseguem dar aos dois grupos o que eles querem e continuar ganhando dinheiro para as campanhas e votos.

Então governos saem pegando dinheiro emprestado. De quem? Das corporações (bancos) que, felizes, ganham duplamente porque cobram juros sobre o dinheiro emprestado.

Mas se chegarmos à situação de termos que sair para o mano-a-mano com o grupo dos ricos e das corporações nós, o povo, não temos chance contra aqueles que dão aos governos rios de dinheiro.

Quando a situação atinge um limite e o governo precisa de mais grana ainda ele opta por esfaquear as classes mais baixas cortando benefícios e aumentando impostos. Assim, os muito ricos, sem ter que pagar impostos sobre riqueza excessiva, continuam felizes e, saltitantes, seguem engordando campanhas para eleições e reeleições de seus parças.

Não me parece ser um raciocínio muito difícil de ser feito – até porque eu, sabidamente uma anta, fui capaz de fazê-lo – que uma boa saída para uma crise como essa, uma saída que pouparia a classe média de ter que pagar mais impostos, seria o governo gastar mais, muito mais, e não gastar menos.

De onde tirar a grana para isso? Ué, cobrando impostos altos de quem a tem: de corporações e dos ricos. Mas quem possui cojones para mexer com essa turma?

Hoje escutei um âncora de canal de notícias dizer que, com a crise, a construção civil é das áreas que mais sofre e, depois, com uma voz melodramática, emendar: contava-se com o Minha Casa Minha Vida para que o setor não sofresse tanto, e Dilma anunciou cortes no programa.

É engraçado, para não escrever triste, pensar que esses mesmos homens da mídia corporativa pedem diariamente que se cortem programas sociais e aí quando o governo faz exatamente isso e eles conseguem criticar. Se pelo menos seguissem uma linha sólida de pensamento o despudor não ficaria tão evidente.

Com efeito, investir ainda mais em programas sociais seria uma saída nobre e legítima.

Obviamente eu não entendo patavinas de economia, mas estudei um tico e sei que foi exatamente isso o que fez o presidente americano Franklin Roosevelt durante a absurda crise social e econômica na década de 30, que, pela gravidade, tem paralelo com a atual. Só que para acalmar a população, que começava a se revoltar com a miséria, e poder oferecer a eles uma vida mais digna Roosevelt recorreu aos muito ricos.

Eis a história de como esse espetáculo se deu contada por Wolff.

No começo dos anos 30 a economia americana estava em colapso: havia miséria por todos os lados e o índice de desemprego era de 25%. Aos milhões, americanos começaram a se filiar a sindicatos. Os sindicatos, fortalecidos pela alta filiação, foram ao presidente Roosevelt dizer que a situação estava insustentável e que alguma coisa precisava ser feita. Pressionado, Roosevelt foi aos ricos e às corporações explicar que eles teriam que ajudar com dinheiro. Metade topou, a outra metade fez cara feia.

Apoiado pela metade que topou, Roosevelt voltou aos sindicatos para dizer que tomaria providências. O que ele fez nos anos seguintes:

  1. Criou o seguro social
  2. Criou o salário-desemprego
  3. Aumentou o salário mínimo
  4. Em discurso transmitido pelo rádio disse à população que se o setor privado não conseguia criar empregos, ele os criaria. E entre 1934 e 1941 criou 15 milhões.

Da onde tirou o dinheiro? Ele taxou corporações e ricos porque, nas palavras de Wolff, “é aí que sempre está o dinheiro para solucionar problemas sociais”.

Em 1944, no discurso do State of the Union, Roosevelt propôs que salários anuais superiores a U$25 mil (cerca de U$350 mil hoje) fossem taxados em 100%. Depois de alguma revolta, o parlamento aprovou a taxação em 94%.

“Para cada dólar ganho acima de 25 mil, o cidadão ficaria com 6 centavos e repassaria 94 centavos ao governo”, explica Wolff em termos tão claros que até analfabetos econômicos como são capazes de entender. Em 1945, para cada dólar em imposto que uma pessoa pagasse, corporações pagavam U$1,50.

O cenário seguiu mais ou menos assim até a década de 70, com impostos na casa dos 70%. Mas essa visão social começou a acabar na década de 80, com Reagan. Hoje, Warren Buffet, um dos homens mais ricos do mundo, paga 11% de imposto nos Estados Unidos, enquanto a classe média paga 39%. E para cada dólar em imposto que um cidadão paga, a corporação para 25 centavos, uma mudança absurda. A situação social está, como todos sabemos, uma calamidade, e os programas sociais minguaram.

Um dos leitores do blog argumenta pertinentemente que a dívida pública americana dobrou entre 1930 e 1940 e eu me pergunto se em nome de diminuir a desigualdade social e a miséria não vale aumentá-la por um período (porque, se é que eu fui capaz de entender os gráficos, ela caiu bastante depois de 1950 e só voltou a subir significativamente na década de 80).

Voltando ao Brasil. Cortar ministérios e cargos públicos é uma saída que não leva muito longe e apenas quer acalmar aqueles que, guiados pelo batuque da mídia corporativa, repetem como um mantra: tem que cortar ministérios, tem que cortar cargo público, tem que parar de gastar com funcionalismo. Tem gente seriamente preocupada com os gastos do Planalto em talheres de prata. Como diria minha tia Loli, no computo geral isso “não inflói, nem contribói”.

Mas gastar mais e oferecer empregos que a iniciativa privada não quer oferecer porque precisa manter ou aumentar a margem de lucro, isso sim seria interessante, assim como taxar pesadamente transações na Bolsa, herança, salários acima de um valor específico etc. Em outras palavras, tirar — e compartilhar — dinheiro excessivo de quem o tem: a classe alta e as corporações.

Tudo isso que Dilma está fazendo teria sido feito de forma ainda mais rápida e pesada caso Aécio fosse eleito, mas a hipocrisia é tanta que, se ele tivesse feito, estariam elogiando.

Isso não quer dizer que Dilma deva ser poupada de crítica. Não deve, até porque se Aécio fizesse a gente poderia dizer: eu já sabia. Mas que a austeridade esteja chegando pelas canetas de Dilma faz a coisa ficar um pouco mais triste.

O que Dilma está fazendo é se juntar ao poder concentrado do capital privado e, com isso, dar as costas para todos nós. Uma pena que tenha que ser assim. Não me arrependo do voto porque a alternativa era, e ainda é, infinitamente pior, mas, como eleitora de Dilma, estou frustrada e indignada.

Quem se diz “de direita” não teria mais como criticar Dilma, mas ainda assim eles seguem criticando, o que apenas prova como a cena política virou mesmo um Fla-Flu e não comporta qualquer reflexão.

Termino com o sempre lúcido e pertinente Noam Chomsky: austeridade é apenas outra palavra para guerra de classes.

Curto vídeo de Chomsky sobre austeridade aqui.

E aqui texto do Guardian explicando por que o economista Robert Reich (ex secretário de Bill Clinton) considera a austeridade um erro terrível. Aliás, é de Reich um documentário excelente sobre a crise pela qual o capitalismo está passando: Inequality for All

38 pensamentos sobre “O Governo tinha que gastar mais — e não menos

  1. “Só que para colocar dinheiro em caixa sem pegar emprestado com bancos e sem aumentar impostos da população ele contou com a ajuda dos muito ricos, que toparam serem taxados em 90%.”

    1- A dívida pública federal no primeiro governo Roosevelt passou de 20% para 40% do PIB.
    2- As alíquotas marginais maiores que 90% só ocorreram durante a II Guerra.

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    • Que bom que você ainda frequenta esse espaço, Leo. A despeito do aumento da dívida pública, sobre o qual não pesquisei, acho que não há como deixar de elogiar os efeitos do New Deal para a economia americana. Sobre a taxação, ela seguiu incrivelmente alta mesmo depois da Guerra, não?

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    • My own personal ombudsman ❤
      Vou fazer assim ó: vou estudar isso (nao me julgue ainda mais, mas nao vou ficar com a sua palavra e vou investigar tico mais fundo) e se por acaso voce estiver certo eu vou reescrever a frase.
      De qualquer forma, agradeco a audiencia e tanto carinho com as besteiras que eu escrevo.
      Nao deixe de me prestigiar jamais, Leo.
      Abracao.

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  2. Reformulo o meu ponto 2:
    2- As alíquotas marginais maiores que 90% só ocorreram depois da eclosão da II Guerra. Ou seja, não foram causadas pela resposta de Roosevelt à Grande Depressão.

    (Sim, as alíquotas altíssimas continuaram mesmo depois da Guerra).

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    • Leo, meu caro.
      Fui estudar mais o tema, e o que achei não corrobora com o que você diz. Me baseio muito no professor e doutor Richard Wolff, com quem tive aulas, e ele não fala sobre Roosevelt ter ido pegar dinheiro com bancos. Te passo aqui um dos textos, mas há outros:
      http://www.rdwolff.com/content/professor-wolff-economic-crisis
      De qualquer forma volto a agradecer a audiência. Sei que você o faz com ganas de me criticar, mas é um clique a mais e você lê tudo, o que já me faz acreditar que completamente estúpida eu não devo ser.
      Abraço

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  3. O New Deal fez sentido nos EUA dos anos 1930 porque o país passava por um processo deflacionário. E mesmo assim não foi suficiente, o que realmente tirou os EUA da Grande Depressão foi a indústria de guerra dos anos 1940.

    No Brasil, mesmo nesse cenário de recessão, nós temos uma inflação bem elevada, então simplesmente imprimir mais dinheiro para aquecer a economia só pioraria a situação. Inflação alta demais significa mais descontrole fiscal e mais perda do poder de compra (principalmente para a população mais pobre).

    Venezuela e Argentina seguiram mais ou menos esse caminho nos últimos anos e estão extremamente encalacrados. Há 1 ano, quando se reelegeu, Dilma olhou fixamente para o precipício, mas na hora H felizmente preferiu não se jogar. Uma pena que, com o tempo, tenha se mostrado tão frouxa, hesitante, sem coragem.

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    • Oi, Gustavo.
      Obrigada por ler e comentar.
      Entendo que sejam cenários diferentes, mas me baseio em um professor de economia com quem tive aulas e ele usa muito o exemplo.
      Te passo aqui um link para uma das aulas dele. Vale a pena.

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  4. Explico o gráfico. Ele mostra que o endividamento público disparou após a Grande Depressão. A fonte do gráfico 2.1 está la: ” Sources: U.S. Bureau of the Census (1975) and CEA (1996). ”

    Eu não quero tirar a dúvida com o Richard Wolff. Afinal, ele pode NÂO ter citado uma infinidade de coisas (e isso não as torna corretas).
    O importante é que você escreveu:
    “Só que para colocar dinheiro em caixa sem pegar emprestado com bancos e sem aumentar impostos da população ele [Roosevelt] contou com a ajuda dos muito ricos, que toparam serem taxados em 90%.”

    Quero saber apenas a fonte dessa informação ? (Ela não está no link que você enviou).

    Curtido por 1 pessoa

    • Minha fonte é ele, de quem já escutei essa história uma dúzia de vezes sem jamais ter escutado ele citar empréstimo a bancos e aumento da dívida pública. Se ele nunca falou disso, concluo que Roosevelt não fez isso. Mas, claro, o fato de ele não ter citado não significa que Roosevelt não tenha feito, então farei eu a pergunta a ele e publicarei a resposta aqui.

      Uma outra dúvida sobre o gráfico: ele mede o endividamento entre 1975 e 1996? Mas a Grande Depressão foi em 1929… isso ficou um pouco confuso porque “depois da grande depressão” é um período muito amplo. Hoje é “depois da grande depressão”. Se essa dívida aumentou em 1975, como creditá-la às ações de Roosevelt?

      E apenas para entender seu argumento, você diz que Roosevelt pegou sim grana em banco e aumentou a dívida pública, certo? E contesta a frase “Só que para colocar dinheiro em caixa sem pegar emprestado com bancos e sem aumentar impostos da população ele [Roosevelt] contou com a ajuda dos muito ricos, que toparam serem taxados em 90%”, é isso?

      Você pode definir em que período essa dívida aumentou antes de 1975, e em quanto ela aumentou digamos, entre 1930 e1950? Esse seria um período mais justo para que avaliássemos esse suposto aumento e pudessemos creditá-lo às ações de Roosevelt, me parece. Ajude-me a entender isso.

      Como você sabe, não me importo em reescrever a frase caso esteja errada, mas ainda não estou convencida porque Wolff jamais citou aumento de dívida pública ou empréstimos em banco falando de tudo o que Roosevelt fez, e ele é bastante minucioso quando trata das ações de Roosevelt, então tendo a acreditar que ele não fez isso. Mas, né. Já errei uma, duas, cem vezes, então posso estar errada outra vez. Veremos.

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  5. Discordo.

    O problema do Brasil não é arrecadação. Esse papo de que “precisa arrecadar mais, aumenta imposto dos ricos que resolve” não funciona. O Brasil ‘fatura’ mais de 2 trilhões por ano. Isso é dinheiro mais do que suficiente para garantir serviços de qualidade para o cidadão. Nossa saúde é um lixo, a segurança pior ainda e a grande maioria dos serviços públicos são mal feitos, porque o estado é extremamente ineficiente e burocrático.

    A forma como esse dinheiro é gerido, investido e gasto, é extremamente mal feita no Brasil. A máquina de governo é gigantesca, as mordomias garantidas para vários níveis de quase todos os ministérios é uma vergonha absurda a corrupção está no DNA da cultura e o problema vai muito além desse ou daquele partido.

    Conheço um diretor de empresa grande, que ganha R$ 90 mil reais por mês. E gasta R$ 100 mil por mês. Ele as vezes reclama que precisa ganhar mais. É exatamente o que eu li no seu artigo. “Vamos arrecadar mais que resolve”. Enquanto não aprender a gastar, vamos continuar patinando.

    Abs Milly.

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    • Oi, Fernando. Entendo seu ponto de vista. O exemplo do seu amigo que ganha 90 mil e gasta 100 mil é ótimo porque eu acho que o sistema estimula exatamente esse comportamento. O que critico no sistema econômico em que vivemos é ele explorar o planeta (e o ser humano) sem considerar que tudo aqui é finito e não teremos recursos por muito mais tempo. Não tenho a solução para a crise atual, mas acredito de verdade que apenas uma mudança radical a forma como nos relacionamos – social, política e economicamente – pode nos salvar. A austeridade não resolve. Não tem resolvido. E temos o exemplo dos EUA da década de 30, que saiu de uma miséria extrema gastando mais. Então fico tentada a concordar com Wolff e Chomsky nessa questão.
      Obrigada por ler e discordar com tanta educação.
      Abraço

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  6. Vamos lá. Quando li o seu comentário, achei que você estava vendo a figura errada. Afinal, de onde teria vindo a referência a “1975” e ” “1996” Depois de um bom tempo entendi o problema.
    O Gráfico 2.1 (http://www.nber.org/chapters/c6888.pdf) cobre o período de 1790 a 1995. Basta ler os numerozinhos que ficam na parte de baixo do gráfico.
    O seu erro foi achar que ” Sources: U.S. Bureau of the Census (1975) and CEA (1996)” significava o período de cobertura. Não é assim que funciona.
    “Sources” significa “Fontes”. Mostra de onde o autor do Gráfico pegou os dados. Tendo essa informação, você vai na bibliografia (geralmente fica no final do artigo) e tem a referência completa. No caso:
    U.S. Bureau of the Census. 1975. Historical statistics of the United States: Colonial times to 1970, Washington, D.C.: Government Printing Office..
    U.S. Council of Economic Advisers (CEA). 1996. The economic report of thepresident.
    Washington, D.C.: Government Printing Office.
    A cientistas estabeleceram esse padrão para que uns pudessem verificar os dados dos outros e não confiassem no “ouvi de fulano”. Como é muito feio mentir, as fontes realmente contém a informação citada.
    (Se você ainda estiver com dificuldades em ler um gráfico de linhas, vá aqui:
    http://pt.wikihow.com/Ler-Gr%C3%A1ficos
    E procure o método 3. É facil! )

    Se você aplicar isso, vai descobrir que a dívida pública passou de 20% do PIB para 40% entre 1930 e 1940.
    Espero ter ajudado.

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    • Entendi, Leo. Obrigada. A dúvida que resta é assim: o aumento da dívida pública anula os efeitos das ações de Roosevelt entre 1930 e 1938? Digo, das ações que devolveram uma certa igualdade social ao país e empregaram milhões. Outra coisa que me passa pela cabeça: esse aumento pode ser reflexo da quebradeira de 29 e ter sido agravada porque ele num primeiro momento criou uma infinidade de benefícios sociais? Quero entender se o aumento da dívida pode ser creditado integralmente ao New Deal. Imagino que depois da entrada dos EUA na Guerra não possamos mais creditar nada exclusivamente ao New Deal, mas quero entender se fazer o Estado gastar mais, mesmo que isso gere o aumento da dívida pública, é necessariamente ruim em um quadro de recessão. Não sei se viu que acrescentei no texto uma informação sobre o FMI ter estudado 200 países em recessão e ter chegado à conclusão de que a austeridade aplicada nesse cenário apenas agrava a crise. De qualquer forma, obrigada pelo esclarecimento. Imagino que você não goste muito de mim, mas eu de verdade não tenho nada contra você e gostaria muito de poder entender um pouco mais desse negócio todo. Vou escrever ao Wolff ainda hoje. Abraço.

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  7. A questão “austeridade ou não” é muito complicada para ser discutida aqui. A maior parte dos economistas (eu incluído), só para você saber, apoiam as políticas expansionistas logo após a Grande Depressão e 2008. No Brasil de 2015, contudo, só um pequeníssimo, minúsculo, grupo defenderia isso.

    Veja a importância das fontes. Se você postar a referência ao texto do FMI sobre recessão, os seus leitores poderiam ler e formar a sua própria opinião. Eu já te adianto que tem uma monte de estudos que apresentam opiniões diversas.

    Eu não tenho nada conta você (Por que teria?). Só não gosto de ver informações trivialmente falsas sobre economia (ou economistas) sendo repetidas. Desde o começo, foi esse o meu ponto. E continua sendo.

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    • Imagino que seja duríssimo saber muito sobre um assunto e ler coisas serem ditas a esmo sobre ele. Eu, como já está estabelecido, sei pouquíssimo de economia, mas leio e estudo demais antes de escrever. Não é um tema que me caia com facilidade, pelo contrário, mas me interessa por isso busco conhecimento. Uma vez, no Twitter, você não gostou quando eu disse que havia em Cuba um Capitalismo de estado. Isso se encaixaria no que você chama de informações trivialmente falsas? Porque eu acho que a primeira vez que escutei o termo foi com David Harvey, e me pareceu bastante lógico que fosse assim, faz sentido para mim chamar de capitalismo de estado. Recentemente estudei a obra de Marx e caí de amores porque fui capaz de perceber que, dependendo de como se lê, pode ser espiritualista e filosófica apenas. E tem o Wolff, que eu amo.

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  8. Milly,
    Não gosto de você, mas é louvável sua posição. O seu papo com o Leo deveria ser enquadrado e mostrado aos estudantes de jornalismo. O tempo do eu detenho a informação e sei sobre absolutamente tudo é passado e somente os que iniciarem diálogos sobreviverão em um ambiente polarizado como o que vivemos atualmente.
    Aproveitando uma vez para atacá-la usei o argumento do Rogério Ceni. Desculpe por essa imbecilidade.

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    • Oi, Seu Cuca. Muito obrigada pela mensagem. Você me fez bem.
      Não se desculpe por ter sido inconveniente comigo. A estupidez quem fez fui eu naquele episódio com o Ceni. Mas a gente erra e aprende.
      Obrigada mesmo por ter tido a coragem de me dizer isso. Fiquei emocionada.
      Beijo
      Milly

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  9. “Uma vez, no Twitter, você não gostou quando eu disse que havia em Cuba um Capitalismo de estado. Isso se encaixaria no que você chama de informações trivialmente falsas?”
    Não, é só o uso frouxo dos conceitos.
    Trivialmente falso seria afirmar que: Smith escreveu o que não escreveu; que Roosevelt não aumentou a dívida pública, que a Suécia tem os maior participação de empregados públicos do mundo ou que Los Angeles tem quase um milhão de homeless.

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    • Ok em relação ao Smith: eu errei. Mas eu não escrevi que Roosevelt não aumentou a dívida pública. Em relação à Suécia acho que cabe o debate porque incluir países que tem apenas funcionários públicos na lista não me parece pertinente. Imagino que seja um território mais opinativo do que factual, o que impede que alguma coisa seja classificada como trivialmente falsa. E os homeless de Los Angeles foi a repercussão de um texto de um jornal, que por sua vez replica um estudo sério. Você acha que o número não é verdadeiro?

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  10. 1- Vc escreveu “Só que para colocar dinheiro em caixa sem pegar emprestado com bancos e sem aumentar impostos da população ele [Roosevelt] contou com a ajuda dos muito ricos, que toparam serem taxados em 90%.”

    2- Suécia só é 1 colocada em funcionários públicos entre os países da OCDE (27 nações).

    3- São uns 45 mil homeless (gente demais) em Los Angles , incluindo os que vivem em abrigos. http://www.lahsa.org/homelesscount_results . Um milhão de homeless seria 10% da população em Los Angeles county. Eu resido em Los Angeles e te garanto que não tem isso.

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    • Mas, Leo, o estudo sobre LA então é furado? http://www.laweekly.com/news/nearly-1-million-left-homeless-in-9-years-in-la-report-says-5954543
      Você continuaria achando “trivialmente falso” se eu escrevesse que nos últimos 9 anos quase um milhão de pessoas precisou ir morar nas ruas em Los Angeles? Ainda assim incomodaria?
      Sobre a dívida pública, o que escrevi acima quer dizer que Roosevelt não aumentou a dívida pública? É uma dúvida honesta.
      Suécia: entendo a colocação se levarmos em conta os países que tem exclusivamente funcionários públicos, mas incluí-los nessa lista não faz muito sentido para mim. Também entendo que você pode achar isso errado, mas “falso” não seria muito pesado?
      Uma curiosidade. Imagino que tenha lido o Capital do Piketty. Se não se importar, poderia me dizer rapidamente o que achou?
      Não sabia que morava em LA. Morei aí sete anos.

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  11. “Você continuaria achando “trivialmente falso” se eu escrevesse que nos últimos 9 anos quase um milhão de pessoas precisou ir morar nas ruas em Los Angeles?”
    Continua errado.
    Até onde entendi, o número de um milhão veio do valor acumulado em 9 anos de novos pedidos de auxílios p/ habitação. Não são pessoas vivendo ou que viveram nas ruas.

    “Sobre a dívida pública, o que escrevi acima quer dizer que Roosevelt não aumentou a dívida pública? É uma dúvida honesta.”
    Sim. Pegar dinheiro com os bancos= aumentar a dívida pública.

    “Suécia: entendo a colocação se levarmos em conta os países que tem exclusivamente funcionários públicos, mas incluí-los nessa lista não faz muito sentido para mim. Também entendo que você pode achar isso errado, mas “falso” não seria muito pesado?”
    Mundo= aprox 200 países; OCDE=34.

    “Uma curiosidade. Imagino que tenha lido o Capital do Piketty. Se não se importar, poderia me dizer rapidamente o que achou?”
    Não li.

    Olha só, já dei argumentos e fontes para você corrigir os seus posts. Agora, se vc vai ou não corrigir, é uma questão sua.
    Att,

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  12. Milly, gastar mais foi exatamente o que Lulla e Dilma fizeram durante 12 anos, incluindo nisso perdoar a dívida de países africanos governados por ditadores que estão há décadas sugando seu povo. Outra coisa é um país se endividar pagando juros de 1 ou 2% , enquanto o Brasil tem que financiar sua dívida interna de 2,5 trilhoes pagando juros de 15%. Como alguém já escreveu aí em cima, o problema é que os governos , não somente os últimos, mas todos eles, desde sempre, gastam mal, muito mal. Verifica aí quanto ganha um juiz da Suprema Corte. Aqui há ministros do STJ que recebem remuneração de 675.000,00. Nenhum país aguenta isso, Milly. O correto seria gastar certo, nao gastar mais.

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  13. Alguns posts atrás vc escreveu que sempre procura responder os comentários de teus leitores. O meu post acima continua aguardando uma resposta, ou será que não mereço? Sobre gastar mais: vc acha certo o Brasil, através do BNDES, emprestar bilhões de reais ( até hoje não se sabe quanto) ao grupo JBS a taxas de 06 ou 07 por cento, enquanto tem que captar no mercado pagando 14.25%? Essa taxa indecente de juros alimenta e é realimentada pela inflaçao. Isso é tirar dinheiro dos pobres para dá-lo aos ricos. Belo socialismo, não?

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    • Oi, Josias. Desculpe, não vi que devia resposta. Respondo todos os comentários educados na medida da rapidez possível. Não me parece nada certo, mas não saberia avaliar mais profundamente. O que acho é que a administração Dilma é uma de direita com alguns bons programas sociais, que estão sendo cortados e cortados. Tenho me posicionado contra esse tipo de política. Abraço.

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