Comportamento/Política/Vida

Adeus, Liberdade

Seis semanas depois que as Torres Gêmeas vieram abaixo os Estados Unidos aprovaram o “Patriot Act”, uma lei que a grosso modo legaliza ações contra a liberdade do cidadão, incluindo todo o tipo de vigilância (emails, telefonemas, sites visitados na Internet).

John Kiriakou, que trabalhou por anos para a CIA, contou em texto escrito para o site OtherWords no dia 18 de novembro que quando ele foi contratado pela Agência, em 1988, se algum funcionário da Central de Inteligência interceptasse, mesmo que por acidente, a comunicação de um cidadão cabeças rolariam. Mas muita coisa mudou depois do 11 de setembro.

“A Agência de Segurança Nacional tem hoje a capacidade de interceptar e armazenar cópias de todos os emails, e caixas de entrada e de saída, e ligações telefônicas feitas por qualquer americano pelos próximos 500 anos. Pode apostar que é isso o que eles pretendem fazer”, diz Kiriakou no texto.

Há os que escutam uma declaração como essa e dizem: “Não ligo. Não faço nada errado, não tenho nada a perder”. 

Verdade, fora a liberdade, nosso bem maior, não temos mesmo nada a perder nós os que não fazemos nada de (muito) errado.

Kiriakou diz que quando escuta esse tipo de argumento sente um frio subir pela espinha.

Metadata (que é a informação crua sobre com quem você fala ao telefone, para quem manda emails, quem visita pessoalmente etc) pode revelar milhões de coisas a nosso respeito, e coisas que nada têm a ver com política ou ativismo. 

Que livros você lê? Que sites de pornografia frequenta? Qual o seu time e como você se relaciona com os vizinhos? Onde faz suas compras? O que consome? Vai ao psiquiatra? À Igreja? Qual? O que faz no fim de semana? Tudo isso está sendo coletado e armazenado por governos que se definem como democráticos.

Kiriakou é, como Edward Snowden, alguém que esteve dentro do sistema e resolveu sair para nos alertar sobre o que está acontecendo.

Depois dos atentados de 13 de novembro em Paris é de se esperar que a espionagem sobre todos nós aumente, e com a benção daqueles que, dominados pelo medo tão bem noticiado pela mídia de massa, imploram por proteção, como se ser espionado pudesse proteger de alguma coisa.

Toda a informação que está sendo coletada a nosso respeito pode ser compartilhada entre governos e corporações — ainda que hoje a distinção entre ambos seja quase imperceptível –; e as corporações que fazem dela o uso que assim desejarem.

Não somos, portanto, mais cidadãos. Para os governos, somos suspeitos. Para as corporações, apenas consumidores cujos hábitos de consumo são detalhadamente espionados, amplamente sabidos e deliciosamente explorados. 

Viva o lucro de poucos e a pobreza de muitos. Viva a exploração do medo. Viva o terror que nos divide, escraviza e depois normaliza a espionagem. 

A pergunta que nunca falha para que entendamos o por que das coisas é: “Quem ganha com isso?” Essa é a trilha que vai nos conduzir à verdade, e é a verdade, e nada além dela, que nos libertará.

Aqui o texto de Kiriakou para o OtherWords

2 pensamentos sobre “Adeus, Liberdade

  1. Muito bom, Milly! É assustador o quanto as pessoas estão dispostas a abdicar de sua liberdade e privacidade em nome de uma suposta segurança. E agora na França ainda estão tendo de abdicar do direito à manifestação pacífica, já que manifestações foram proibidas por 30 dias – convenientemente, período que coincide com a importantíssima Cúpula do clima em Paris, que, agora, não será “importunada” por manifestações populares. Coincidência? Há muito mais entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia. Veja o que diz Paul Craig Roberts: http://www.paulcraigroberts.org/2015/11/16/washington-refines-its-false-flag-operations-paul-craig-roberts/ Precisamos acordar as pessoas antes que seja tarde demais e nossa liberdade e privacidade sejam todas confiscadas.

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  2. Qual liberdade? A liberdade, solta assim como colocado, não passa de um mito, utilizado muito em ambos os lados do extremo. Bush usou muito essa tal liberdade para justificar suas guerras. E da mesma forma permitiu que ela fosse usurpada nos sistemas de vigilância. Ai quando queremos atacar qualquer um dos lados, falar da liberdade é o caminho. Ou podemos utilizar outros mitos também: democracia, trabalhador, empresário, exploração, verdade… e por ai vai.

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