Comportamento/Economia/Vida

O senhor da paz é o Deus da Guerra

Quando Obama venceu as eleições para se tornar o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos eu chorei. Fiquei acordada para ver ele discursar a uma multidão enlouquecida e outra vez chorei. Obama falava em união e no fim das guerras. Prometia levar o país a uma situação de paz, igualdade e tranquilidade. Mas há muito tempo a emoção provocada pela vitória me abandonou e deu lugar a uma mistura de tristeza e indignação.

Falta uma dezena de meses para ele saia da presidência, mas Obama segue firme em sua política sanguinária e imperialista, uma que em nada lembra os discursos de paz da época da primeira eleição.

Não bastasse comandar uma quase secreta campanha terrorista de drones, que todos os dias mata inocentes do outro lado do mundo sem que a mídia de massa mostre interesse por essas histórias, agora Obama se prepara para vender mais 1 bilhão de dólares em armas para a Arábia Saudita, a maior ditadura do mundo e que há meses bombardeia o Iêmen matando milhares de inocentes — o que, ao pé da letra, pode ser definido como terrorismo saudita.

O escárnio da negociação é tão grande que a Anistia Internacional fez apelo público para que a negociação seja cancelada. “Dada as evidências de como a Arábia Saudita utiliza as armas temos razões de sobra para nos preocupar com a possibilidade de essas [novas] armas serem usadas para cometer violações das leis humanitárias internacionais no Iêmen”, diz a Anistia Internacional em carta implorando na sequência para que Obama cancele o negócio.

Mas o capitalismo ensina que você não arruma briga com um estado-cliente e a Arábia Saudita, mesmo cometendo atrocidades humanitárias contras seus cidadãos e contra nações vizinhas, é um grande cliente americano, um para o qual os Estados Unidos não se cansam de vender armas e munições.

Deixar de ganhar 1 bilhão de dólares apenas para não mandar 18 mil novas bombas para as mãos dos sauditas não está nos planos. Que iemenitas inocentes morram faz parte do jogo do lucro a todo o custo. Uma vida no Iêmen, já sabemos, vale menos do que uma vida na França e sobre elas a gente não fala.

Obama foi um excelente presidente para os americanos gays, lutando ao lado deles em causas importantes, e criou um plano nacional de saúde pública, que não é nenhuma maravilha mas já é alguma coisa para a população miserável (ainda que os conservadores do país mais rico do mundo não acreditem que oferecer saúde gratuita aos mais de 40 milhões de cidadãos que vivem na pobreza seja uma boa ideia).

Fora isso, foi um fracasso que entre outras coisas criou uma campanha terrorista de drones e armou fortemente estados-clientes que praticam terrorismo, em troca, claro, de bilhões de dólares.

É fácil fazer discursos lindos contra o terrorismo, difícil, diante da possibilidade de lucro alto, é parar de praticá-lo.

Mas vivemos um período tão inundado hipocrisia que esse mesmo presidente passa longe de críticas por armar estados-terroristas e já foi inclusive agraciado com um prêmio Nobel: o da paz.

 

12 pensamentos sobre “O senhor da paz é o Deus da Guerra

  1. Pingback: O senhor da paz é o Deus da Guerra « Associação Rumos

  2. Milly, Obanana sucumbiu ao capital e aos interesses capitalistas que estão jogando este mundo num novo período de escuridão. Espero termos forças contrárias prontas para agir (BRICS) talvez. Me atrevo a dizer que talvez essas forçar contrárias acabarão por acelerar um novo litígio internacional, pois o Establishment capitalista poderá não permitir ser confrontado.

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  3. Milly, tenho grande respeito por suas opiniões e admiro muito a maneira como você expressa as suas ideias.
    Embora seja um assunto um pouco ‘off-topic’, preciso dirimir uma dúvida contigo, sobretudo após o impacto da biografia sobre a Mara: como você vê as acusações feitas por ela, corajosamente, ao presidente do grupo Schain e ao ex-chefe da Casa Civil Gilberto Carvalho nas sessões das oitivas feitas recentemente? (Vídeos no YouTube, mas resumidamente acusando a cúpula do PT diretamente.)
    Além disso, me lembro de ter folheado o livro escrito por você com a Soninha sobre como ser um jogador de futebol e aí aproveito o “ensejo” para também lhe perguntar sem rodeios: a minha decepção com a “política” Soninha confere de algum modo com a sua visão sobre ela no espectro partidário?

    Saudações corintianas,

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    • Oi, Eduardo. Obrigada pelo comentário. A Mara é uma mulher sensacional. Ela e eu discordamos em alguns pontos, mas ela é movida pelo desejo de ajudar e melhorar a vida de minorias. E trabalha como um leão para isso. Sou fã. Ela estava muito perto do esquema montado em Santo André e tem opiniões fortes sobre isso. Respeito as opiniões dela. Em relação a Soninha, gosto muito dela, mas em anos recentes caminhamos para arquibancadas políticas opostas. Ela foi para a direita e eu para a esquerda. De qualquer forma Mara e Soninha são mulheres que admiro e respeito.

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  4. Oi Milly gostei muito do seu testo mas vale a pena lembrar que a Arabia Saldita é um país terrorista a serviço dos EUA.
    Não entendi a relação com a Dilma, o Obama tem o maior interece que a Dilma caia

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