Comportamento/Política/Vida

E se fosse o nome do Lula no lugar do de FH?

Pensando a respeito da entrevista dada pela jornalista Miriam Dutra à Brazil com Z, e nas coisas que ela contou sobre a relação que teria tido com FHC, me obriguei a um exercício: ler a entrevista trocando o nome de FHC pelo de Lula.

Ao ler a entrevista com o nome de Lula no lugar do de FH, a gente entende o que a mídia de massa estaria fazendo dela agora: um estrondoso alarde. Acho bastante difícil imaginar qualquer coisa diferente disso.

Não se trata de acreditar piamente em Miriam Dutra, trata-se apenas de, dada a gravidade do que foi dito, apurar, investigar, noticiar. Nada disso foi feito. Até aqui a imprensa restringe-se a repercutir trechos da entrevista, e toma o cuidado de pinçar os menos polêmicos.

Embora o noticiário recorra a FH para falar de tudo e de todos há mais de um ano, agora, quando seria mesmo muito bacana escutá-lo, ninguém parece interessado em ir atrás do homem. Não li sequer a linha “FHC foi procurado e não quis se manifestar”.

Como diversão, coloco aqui alguns trechos da entrevista com o nome de Lula substituindo o de FH. Imaginem por vocês mesmos o que estaria acontecendo se a situação hipotética fosse verdadeira.

Aqui vai a obra de ficção, com o nome do Lula substituindo o de FH, e o de Marisa no lugar do de Ruth:

Como conheceu Lula?

“Sentada em uma mesa de restaurante com um bando de jornalistas. Eu tinha acabado de chegar em Brasília. Ele chegou e um amigo o convidou para sentar na mesa. Ele sentou ao meu lado. Eu tenho uma carta escrita por ele dizendo que, desde esse dia, ele nunca mais me deixou… Desde aquele momento, ele me perseguiu. O restaurante foi o Piantella, onde Ulysses Guimarães se reunia, os jornalistas iam para lá, devia ser fevereiro de 1985… […] Eu tive uma relação de seis anos [com o Lula], fiquei grávida, decidi manter a gravidez, então é meu. Eu sou uma mulher, eu que decido isso! Se eles não querem, eles que se cuidem. […] Eu era apaixonada por ele, era paixão, normal. Eu tinha vários problemas de consciência.”

 

Os dois estavam casados?

“Nao, não eu era livre, solteira e desimpedida. Ele tinha esse casamento. E ele dizia isso para mim, tenho cartas dele dizendo isso, que era um casamento de conveniência. A Marisa era irmã dele, eles tinham uma relação fraternal. A gente escuta um monte de histórias. E cai. […] Ele vivia realmente comigo, a gente era vizinho, então ele dormia na minha casa, a gente tinha um relacionamento bom. A única coisa chata era o Natal, o Ano Novo, essas coisas todas, isso foi me incomodando. Quando ele viu que estava me incomodando começou a passar o aniversário. Ele jamais deixava de passar o aniversário comigo, o dele e o meu.”

 

Dona Marisa

“Ela nunca entrou em contato, ela também deve ter sofrido. Lula era um total ausente da vida da família, ele vivia viajando. Basta pegar o currículo dele para ver isso. Agora, ele casou de novo, com a secretária. Acho que está há muito tempo com essa mulher, eu percebi desde que eu estava em Londres, ele estava casado com a Marisa ainda.”

 

LULA e o reconhecimento da paternidade

“O Tomás nunca teve pai. O Tomás nunca foi reconhecido. O nome dele é Tomás Dutra Schimidt, é o meu nome. A certidão de nascimento do Tomás está lá, pai ‘em branco’. E nunca isso mudou! Se falarem… provem. Porque eu nunca vi nenhum documento. Essa história de que veio aqui em Madri [em 2009] é tudo mentira!”

 

O resultado negativo do teste de DNA

“Eu acho que é mentira, porque eu só vi um documento, mas todo mundo pode enganar com um DNA. Ninguém questionou. Meu filho fez um exame, ele estava num alojamento nos Estados Unidos —‘você não pode contar pra sua mãe.’ Fizeram escondido de mim, eu nunca proibi que fizessem DNA, nunca proibi absolutamente nada. Ao contrário, eu sempre incentivei que fizesse, que tivesse contato, essa coisa toda.”

 Entrevista para a Veja

“Lula me obrigou a dar entrevista para a Veja dizendo que o pai era um biólogo (…) Foi um acerto feito com o diretor da Veja”

5 pensamentos sobre “E se fosse o nome do Lula no lugar do de FH?

  1. Milly, a Folha escolheu publicar hoje a resposta do EFEAGA desviando o assunto para a justificativa de que não usou empresa para bancar despesas da amante. Engraçado que ele fala que comprou recentemente um ap de 200 mil euros para dar presente para o filhão em Barsa. Quanto da mesmo 200 mil Euros? Sério que não pode ser sério. Esse preconceito de classe no Brasil (ainda mais em SP) é um verdadeiro show de horrores do mau caratismo e da desfaçatez. E se trocasse o nome pelo do Lula? http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/02/1740558-fhc-nega-ter-usado-empresa-para-bancar-despesas-de-jornalista.shtml

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  2. Gostei do texto, Milly! E na reportagem da Folha, os comentários ainda defendem o FH e dizem que a história veio à tona para encobrir o Lula (!). E a história da Paraty House dos Marinho? A grande mídia, realmente, é eficiente em matéria de alienação das massas…

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