Comportamento/Economia/Política/Vida

Quando enxergaremos a distopia?

As gigantescas corporações americanas têm, juntas, 1,4 trilhões de dólares em paraísos fiscais — dinheiro que não é contabilizado em solo americano para não ficar sujeito à taxação.

Estudo feito pela organização Oxfam, e divulgado com o nome de Broken at the Top, revela quem são e quanto têm em offshores as bilionárias corporações. Pela ordem:

  • Apple, com 181 bilhões de dólares em offshores.
  • General Eletric (que recentemente recebeu 28 bilhões de dólares em ajuda do contribuinte), tem 119 bilhões de dólares em paraísos fiscais.
  • Microsoft: 108 bilhões em offshores.

Poderíamos seguir listado, mas vamos parar por aqui e colocar o link para o estudo da Oxfam no final desse texto.

Se considerarmos que esses trilhões de dólares deveriam estar em solo americano recebendo a taxação devida — que fica, dependendo das isenções, entre 26% e 35% –, podemos ter uma ideia de quanto dinheiro estaria à disposição do estado para ser usado na construção de escolas, hospitais, na melhoria do sistema de transporte público, na luta contra a pobreza etc etc etc.

Lá fora, e sem taxação, a dinheirama é usada basicamente para pagar divindendos a acionistas, bônus a diretores, concentrar ainda mais a renda e o poder e aprofundar o abismo social e a distopia dentro da qual vivemos.

E se esse dinheiro todo não está disponível para ajudar os menos privilegiados, ele está bastante disponível para doações a campanhas políticas.

O dinheiro levantado junto à iniciativa privada pelos candidatos americanos que concorrem à uma vaga na disputa para presidente está assim dividido:

  • Clinton: 268 milhões
  • Sanders: 183 milhões
  • Bush: 156 milhões
  • Cruz: 136 milhões
  • Rubio: 117 milhões
  • Trump: 50 milhões

Ou seja, os bondosos bilionários americanos que escondem grana em paraísos fiscais e privam os necessitados de melhores serviços públicos foram capaz de achar um bilhão de dólares para distribuir entre seus candidatos.

Mas faz sentido dentro do capitalismo porque se trata de um investimento sólido e eficaz já que tudo será re-contabilizado quando o candidato vencedor estiver dormindo em um quarto na Casa Branca.

É bastante curioso que ainda haja quem — como Temer e sua tropa — defenda um sistema com essas características disfuncionais.

Aqui o estudo da Oxfam.

 

Um pensamento sobre “Quando enxergaremos a distopia?

  1. CONTRIBUINDO: O raciocínio não é linear, portanto não quer dizer que se não houvesse offshore estes USD 1,4 tri estariam em solo americano. As offshores neste caso, são utilizadas pelas multinacionais para consolidar o caixa de suas subsidiárias no exterior, caixa este que, diga-se de passagem, já foi tributado no país de origem.
    É relevante dizer que, como você bem observou, este dinheiro volta aos Estados Unidos, via de regra na forma de dividendos de suas subsidiárias, sendo que dividendos são isentos de imposto de renda, uma vez que já houve recolhimento pela subsidiária geradora.
    Bjs

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