Comportamento/Economia/Política

Hillary poderia perder a eleição para outra mulher?

Com a saída de cena de Bernie Sanders, o socialista que duelou com Clinton por uma vaga na disputa presidencial pelo partido democrata, o cenário das eleições americanas ficou estranho: vencendo Clinton os Estados Unidos serão comandados por uma imperialista patrocinada por Wall Street; vencendo Trump, por um fascista performático. Não é, de fato, um cenário animador.

A boa notícia é que muitos dos eleitores de Sanders se recusam a votar em Clinton porque para eles ela representa “mais do mesmo”: mais poder para Wall Street e para os grandes bancos, mais guerras, mais imperialismo, menos investimento social, menos cuidado com os efeitos da mudança climática etc etc etc. Para esses eleitores Clinton está mais alinhada com os valores de Donald Trump, o candidato Republicano, do que com os de Sanders.

Sem falar nas feministas, que não simpatizam nem um pouco com Clinton. Nas palavras da jornalista Abby Martin: “Como mulher eu rejeito o tipo de feminismo burguês de Hillary Clinton porque ele exclui milhões de mulheres imigrantes, mulheres pobres e mulheres vítimas de seus bombardeios pelo mundo”.

Qual a alternativa então? 

O nome dela é Jill Stein, a candidata do Partido Verde (pois é, existe um Partido Verde por lá).

As chances de Stein são remotas, obviamente, mas se levarmos em conta o que aconteceu na Espanha e na Grécia em anos recentes, quando dois partidos nanicos ofuscaram os poderosos que há anos se revezavam no poder, temos um jogo aberto.

Stein é médica, tem 65 anos e já avisou que, se Sanders sair, ela pode convidá-lo para ajudá-la na empreitada.

De imediato ela declarou que, se eleita, interromperia a venda de armas para o Oriente Médio e lançaria o “Green New Deal”, um plano econômico e social baseado no que Franklin Roosevelt fez há mais de 50 anos. A diferença do que fez FDR para o New Deal verde de Stein é que o dela prevê a total mudança para energia sustentável até 2030.

Discursos como esse apavoram o establishment, e Wall Street e as grandes corporações não pouparão “investimentos” eu seus candidatos, Clinton e Trump, para calar esse tipo de maluquice que a cada dia parece conquistar mais popularidade nos Estados Unidos e no mundo.

Não por acaso a população americana está a cada dia mais desgostosa do que acontece por lá.

A desigualdade é crescente, a população que mora nas ruas fica a cada dia mais visível, a dívida estudantil chegou a 1,3 trilhões de dólares e mais de 60% dos jovens que se formam não conseguem pagá-la. A batalha do trabalhador americano hoje é para aumentar o salário mínimo para 15 dólares por hora, mas CEOs que ganham 13 mil dólares por hora se recusam a fazê-lo.

A desigualdade social aumentou demais durante as duas administrações de Obama e “qualquer análise econômica que omita [dados que mostrem isso] é no mínimo estranha”, disse recentemente o professor de economia Richard Wolff .

 Assim, vai ser interessante ver como o eleitorado americano reagirá à saída de Sanders da disputa. Ele, que começou quase como um deboche, acabou conquistando milhões de eleitores e arrecadando mais dinheiro do que a mais otimista das previsões poderia supor.

Com seu discurso socialista, a favor do aumento do salário mínimo, contra privatizações, a favor de mais regulações para Wall Street e chamando explicitamente por uma revolução Sanders abriu caminho para que um candidato alternativo aos dois partidos “corporativos” (Democratas e Republicanos) surpreenda. Acho que essa eleição está prestes a ficar ainda mais interessante.

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