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Entrevista com Geddel num universo paralelo

(Uma entrevista fictícia baseada em fatos e personagens estranhamente reais)

“É com prazer que anunciamos o entrevistado dessa noite, o senhor nobre ministro da integração nacional, Geddel Vieira Lima. Na bancada jornalistas a serviço das cinco famílias que representam os maiores veículos de comunicação do Brasil em conglomerados de mídia que envolvem TVs, Rádios, revistas, portais e jornais. Vamos começar então. Boa noite, ministro. É uma honra tê-lo aqui em nossa mesa. Vou começar perguntando se o senhor está bem”

“Obrigada, meu amigo. Estou bem sim. Um pouco triste com tudo o que aconteceu nas últimas semanas, foram dias difíceis durante os quais pude refletir bastante, avaliar algumas atitudes, pensar. Foi bom ter o apoio dos amigos do Senado, do Congresso, do judiciário, enfim, de todos. Recebi mensagens muito bonitas, que me deram muita força. Então, estou bem e essas lágrimas que agora caem de meu rosto são de emoção. Sou um homem muito emotivo.”

“Quero dar boa noite também e voltar a um assunto que o senhor citou há pouco sobre as coisas que aconteceram durante a semana. O que foi que aconteceu?”

“Sua pergunta é oportuna, meu caro. Recentemente sondei com o ex ministro da Cultura a respeito das obras de um prédio onde tenho, por coincidência, um apartamentozinho em Salvador. Queria saber se as obras seriam liberadas, uma sondagem simples, sabe? Até porque com as obras paradas tem muita gente desempregada e me importa dar emprego a essas pessoas. É importante falar disso porque a antiga presidente deixou o país num estado lastimável, a taxa de desemprego é muito alta, e meu interesse é que não haja obras paradas porque elas indicam que tem trabalhador que poderia estar trabalhando e não está. Mas meu interesse foi interpretado como antiético porque ficou parecendo que eu queria saber da obra por causa do imóvelzinho que comprei naquele lugar, e isso me magoou muito.”

“Ver o senhor chorar ao vivo foi muito comovente… até agora me emociono ao lembrar. O que o senhor sentiu nessa hora?”

“Senti que estava recebendo apoio dos amigos e da família, e isso é o que importa. Minha família me ajudou muito. Olha, não vou mentir, foram dias muito difíceis e tudo o que eu queria era que esse episódio de Salvador fosse encerrado, e que se ele tivesse que voltar a ser citado fosse apenas como “o episódio de Salvador”, e que eu nome fosse apagado. É um pedido que faço com carinho a vocês.”

“Ministro, mas eu queria fazer uma pergunta aproveitando o tema. Um passarinho me contou que o senhor e Renato Russo não se davam lá muito bem no colégio.”

[risos]

“Veja, querida, o Renato era um rapaz diferente, vamos dizer assim. Mas eu gostava muito dele, depois comprei todos os Cds que ele lançou, eu cantava no chuveiro e tudo”

“Como o senhor começou a cantar no chuveiro?”

“Ah, desde pequeno. Dizem que canto bem, mas eu sou muito envergonhado para cantar em público”

“O senhor se lembra de um dia em que cantou e desafinou?”

“Ah, acontece, né? Mas normalmente acho que sou afinado”.

[risos gerais]

“Até o final dessa entrevista o senhor vai cantar pra gente”

[Risos]

“Pode ser, pode ser”

“Eu queria voltar a um assunto mencionado pelo senhor antes, que julgo relevante. O senhor gosta de banho quente ou frio?”

“Ótima pergunta. Gosto de banho frio, sempre gostei, desde pequeno. E é bom para economizar energia, né? Se o chuveiro for elétrico, e o meu é”

“Curioso isso, ministro. Eu também gosto de banho frio. Isso é intrigante. Eu amo pizza, falta agora o senhor dizer que também ama pizza”.

“Então vou surpreender você: eu amo pizza. Amo mesmo”.

[Risos]

“Vou mudar um pouco a prosa, embora ela esteja ótima, para falar do desemprego. O que podemos fazer para colocar esse país que anda tão castigado e sofrido nos trilhos, ministro?”

“Ah, que bom falar disso. Pois é. Precisamos cortar mais do social. Muito mais. Todos os programas, aliás. E incentivar o empresário. Emprestar bastante, deixar ele bem feliz porque quando o empresário está feliz ele abre vagas de emprego, como todos nós sabemos. Ele não aplica, não vive de juros, não manda dinheiro para fora, não sonega, não compra mais uma fazenda, não compra mais um barco, ele cria vagas, ele gera empregos e oportunidades. O empresário brasileiro, quando está feliz, cria empregos, só isso”.

“E como deixar ele feliz, ministro?”

“Precisamos abrir linhas de crédito e cortar impostos deles. Cortar tudo, deixar que eles voem, cresçam. Apoiar a iniciativa privada incondicionalmente é o caminho. Para isso precisamos rever as leis trabalhistas, flexibilizá-las. Isso é urgente”.

“E agora o senhor canta pra gente?”

[risos gerais]

“Canto! Canto! Tragam o triângulo!”

“E com uma palhinha do simpático ministro encerramos mais esse programa. Obrigada, ministro, pela gentileza, pela honestidade. Muito bom ver que o senhor se recupera bem do abalo. Obrigada a todos e até a semana que vem”.

 

2 pensamentos sobre “Entrevista com Geddel num universo paralelo

  1. kkkkkkkkkkkkkkkk, retrato sem retoques do jornalismo e dos jornalistas da grande mídia golpista.
    Parabéns pela entrevista. hehehehe.

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