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Como legalizar a escravidão: lições do neo-liberalismo

Nos Estados Unidos existe uma polícia que passa pelas ruas em busca de imigrantes que estejam sem a exigida documentação para permanecer no país. A agência que vai à caça dessas pessoas se chama ICE: Immigration Customs Enforcement.

O cenário fascista e distópico já seria suficientemente trágico, mas esse texto pretende tratar de coisa ainda mais desumana.

Homens e mulheres sem documentação (que muitos preferem chamar de ilegais, um termo que me incomoda porque não acho que possamos classificar seres humanos como legais ou ilegais) são tirados de suas casas, do trabalho e até de hospitais, e — antes de serem julgados e eventualmente deportados — jogados em prisões, a maioria delas privada.

Aqui vale um lembrete prisões privadas pertencem a corporações e visam apenas maximizar o lucro.

Num desses centros de detenção, em Denver, no Colorado, alguns dos presos conseguiram que, depois de anos, advogados se sensibilizassem com a história que eles tinham para contar e que levassem o caso adiante.

A história é a seguinte:

Nesse estabelecimento de 1500 camas os detidos estavam sendo “convidados” a trabalhar e em troca receber a quantia de U$1 (um dólar – vou escrever por extenso para que não haja confusão) por dia de trabalho.

Aqueles que porventura dissessem “não quero” eram ameaçados com confinamento solitário, que é, segundo a ONU, uma forma de tortura.

Trata-se do tipo de história que dispensa comentários e opiniões, então vou seguir apenas informando depois de lembrar que esses homens e mulheres detidos não são culpados de nada porque não tiveram seus casos julgados ainda, e que muitos, ao terem a documentação analisada, são liberados sem acusação.

Finalmente, depois de quase três anos, um certo juiz no Colorado decidiu que iria levar o caso adiante e escutar a empresa que é a proprietária desse centro de detenção: o GEO Group (uma empresa que forneceu dinheiro a Trump durante a campanha e cujo valor das ações subiu bastante desde que ele foi eleito).

Diante das acusações, a corporação alegou que mesmo se estivessem forçando as pessoas a trabalharem sob ameaça de confinamento solitário isso seria permitido pelas leis do Colorado.

“Não, não seria”, respondeu o juiz.

O caso dessa grotesca parceria público-privada pode envolver até 60 mil detentos.

Esse cenário desumano tem tudo para piorar dado que Donald Trump diz que vai deportar de dois a três milhões de pessoas sem documentação, incrementando a ronda do ICE pelas ruas e fazendo nascer, assim, uma legião de novos escravos nos Estados Unidos.

A história foi originalmente publicada pelo jornal The Washington Post no dia 5 de março sob o título: “Thousands of ICE detainees claim they were forced into labor, a violation of anti-slavery laws”, ou: “Milhares de pessoas detidas pelo ICE alegam estarem sendo forçadas a trabalhar, uma violação das leis anti-escravocratas”.

Em nota relacionada, o governo de Michel Temer tenta com bastante desespero impedir que seja publicada a lista anual com a relação de empresas acusadas a usar trabalho escravo no Brasil, numa manobra imoral e anti-ética em muitos e diferentes níveis.

O capitalismo se transformou numa enorme festa para grandes empresários e corporações, e numa triste imoralidade para todos nós.

Leia a íntegra da matéria do Washington Post.

 

2 pensamentos sobre “Como legalizar a escravidão: lições do neo-liberalismo

  1. Com estes indivíduos meliantes do tipo – trump e temer só tem uma saída e o povo sabe qual sera … estes tipos jamais aceitariam a ética social, ou seja cultivar atitudes humanamente compatíveis para facilitar o convívio em comunidade e colaborar para fortalecer os princípios de humanização, então fazer o que …

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