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Bolsonaro está certo

O que você faria se fosse um psicopata líder de uma nação e soubesse que 12 mil cidadãos morreram até aqui por causa de um vírus? Quem está horrorizado com o comportamento de Bolsonaro durante a pendemia está também um pouco desorientado. Todo dia dessa fase de nossas vidas é dia de festa para qualquer psicopata atento, ainda que a ideia de fazer um churras num recente domingão tenha sido desmentida por Bolsonaro que, como adora fazer, joga a informação, testa as águas e depois vê se pula e sai nadando, se corre dali feito um rato ou se vai dar uma voltinha de jet-ski.

Mas um churrasco durante a quarentena faria todo o sentido porque Bolsonaro foi eleito com essa plataforma exatamente: a destruição absoluta de todas as coisas. Ele jamais escondeu quem era ou o que pretendia. Jamais tentou disfarçar o nazi-fascismo que o habita. Jamais tergiversou para dizer que alguns de nós são melhores do que outros e que o Brasil pertence a todos aqueles que se parecem com ele e com os filhos dele. Os demais, se não puderem servi-los de alguma forma, que padeçam.

Bolsonaro foi eleito dizendo que ia executar essa precisa função, e agora cumpre uma agenda que, para além do projeto eugenista, carrega realizações financeiras e econômicas que, para o alto empresariado brasileiro, são como um elixir.

Por que mesmo vocês ainda se mostram surpresos com as manifestações dele? Surpreendente seria ele revelar algum tipo de empatia, algum traço de humanidade, alguma característica jamais revelada em mais de 30 anos como parlamentar e muito menos durante a candidatura para a presidência. Escandalizados com as atitudes dele? Ah por favor.

Para um nazi-fascista nada poderia ser mais coerente do que celebrar com festa a morte de 10 mil brasileiros e também o caminho aberto para que muitos outros morram nas próximas semanas. “Tinha que matar uns 30 mil”, ele disse já como parlamentar. E agora, com poder, está realizando um sonho. Que cenário mais maravilhoso poderia existir para uma alma como a de Bolsonaro do que essa pandemia? Ele já cumpriu 1/3 de seus anseios psicopatas. Dez mil mortos e contando: que se abram as latas de cerveja, que esquentem as grelhas, domingo é dia de festa. Elegem um psicopata que se orgulha de ser um psicopata e esperam o que? Humanidade? Empatia? Solidariedade? Compaixão? Ah, vão à merda. Era isso aí o que ele tinha a oferecer, e todos sempre souberam. Bolsonaro é tão grotesco quanto aqueles que naturalizaram sua candidatura.

Alô, alô, pais e mães do “uma escolha muito difícil”: esse genocídio tem a assinatura de todos vocês também. Não importa se agora vocês estão gritando horrorizados. Não importa se vocês agora estão esperneando publicamente contra a política genocida desse monstro. Não importa nada disso. Ao olhar no espelho vocês verão apenas o reflexo de alguém que foi cúmplice da morte de milhares de brasileiros. Uma cumplicidade covarde, cínica, hipócrita. Durmam com esse barulho agora, seus vendidos.

Bolsonaro e seu fascismo não estão só. Jair é um sonho que cai como doce-de-leite sobre um pedaço de bolo de fubá para o mercado financeiro, que só pode contar com a voz de alguém que se passa por louco-alucinado para fazer do limão uma limonada, que é conseguir aproveitar uma crise humanitária como essa para lucrar ainda mais. Ninguém com um mínimo de razoabilidade poderia dar os recados que Bolsonaro dá em nome dos rentistas, que se escondem atrás do fio de aparente (e falsa) lucidez que querem fazer a gente acreditar que Paulo Guedes tem – e que ele nunca teve. Bolsonaro é Guedes; Guedes é Bolsonaro e esse mantra precisamos apreender porque só a partir dele poderemos entender por que Bolsonaro foi eleito e a quem ele serve.

Publicamente, o mercado financeiro diz que Bolsonaro está “passando dos limites”, mas nos bastidores costura para que o nazi-facista siga com seus planos, que são agradabilíssimos para o Capital. Bolsonaro não sairá do poder enquanto a Avenida Paulista e a Faria Lima tiverem interesse no Brasil que ele (des)constroi.

E o Brasil que Bolsonaro está (des)construindo é um Brasil escandalosamente lindo para essa gente. Até a hora que a população, achatada, humilhada, esmigalhada der um basta. Essa hora chegará, mas a gente não tem como saber quando do mesmo jeito que Maria Antonieta não tinha como saber quando exatamente a população invadiria seu castelo e interromperia o café da manhã com brioches para separar sua cabeça de seu corpo. Bolsonaro estica a corda e o mercado, saltitante, traça mais planos para acumular riqueza – sabendo que tem pouco tempo.

O fascismo é feito de líderes como Bolsonaro, que soam como palhaços quando convém, mas que carregam agendas convenientes para o poder do capital privado. Não haveria fascismo sem o apoio do Capital; não haveria Bolsonaro sem o apoio da Paulista e da Faria Lima. Foi assim com o empresariado que estava ao lado de Hitler e de Mussolini até o fim.

O nazi-fascismo não é um fenômeno histórico que se situa em uma determinada época passada. O nazi-fascismo é uma forma de governar, de organizar as relações de produção, de criar situações de genocídios e de destruição, de nos jogar uns contra os outros. A diferença entre o nazi-fascismo e estados totalitários é que o nazi-fascismo não liga para sua própria perpetuação. “Que padeçam”, é o que Bolsonaro dirá, repetindo Hitler, quando o Brasil afundar.

Ao contrário de Dilma, que foi eleita para executar uma agenda que ela depois se recusou a implementar – cedendo aos liberais – Bolsonaro faz o que sempre disse que faria. Ele nunca escondeu, nunca sequer tentou esconder quem era. Por isso fomos às ruas implorar para que não votassem nele. Por isso nosso desespero com os intelectualmente desonestos do “é uma escolha muito difícil”. Porque era evidente para qualquer um que estivesse prestando um pouco de atenção, ou que tivesse visto apenas uma declaração de Bolsonaro, que a pulsão de morte seria de todo o jeito levada a cabo por ele, com ou sem pandemia.

Acontece que uma pandemia chegou e ajudou bastante os planos de Jair e de sua gangue. Mas não basta. Para algumas pessoas seria preciso ver câmaras de gás nas favelas e periferias queimando corpos negros e pobres para que entedessem o que está acontecendo. Não teremos as câmaras. Mas temos o nazi-fascismo, um nazi-fascismo que nos foi oferecido em bandejas de prata pelo então candidato à presidência. Por tudo isso eu não entendo a surpresa com o que Bolsonaro faz.

É o risco de naturalizar a candidatura de um fascista, é o risco de fazer entrevistas com o fascista e não confrontá-lo com nenhuma pergunta difícil, muito menos com a tréplica, é o risco de votar em um fascista “por causa da economia” ou porque “PT não dá mais”: pode-se eleger um fascista. Não há muito mais a dizer, embora o esperneio seja livre. Mas há o que fazer: Quanto mais cedo a gente usar as palavras certas para dar as notícias mais cedo nos livraremos desse estado putrefado de coisas.

8 pensamentos sobre “Bolsonaro está certo

  1. Oi, Milly,

    É desesperador ver esse imbecil dizer o que bem entende, com deboche, vestindo a roupa de ditador, sem que nenhuma instância do governo o cale/o enfrente por vias legais. É desesperador ver carreatas, em plena quarentena, em favor dele. Impossível conter as lágrimas.

    Obrigada pela força das suas palavras!

    Beijo,
    Patrícia

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  2. Que texto excelente, obrigada. Estou compartilhando em um clipping (gratuito) que envio para um grupo de jovens amigos e alunos do meu filho no Jardim São Luiz (periferia de SP), posso?
    obrigada
    Luciana

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  3. Olá Milly. Fiquei feliz de ver um texto teu publicado novamente. Costumava vir ao teu blog ao menos duas vezes na semana em busca de algo que é tua marca: uma redação incrível e essa fluidez maravihosa na transformação de idéias bem coordenadas em palavras.
    Obrigado e, por favor, não fica tanto tempo sem escrever neste espaço.
    Abraços.

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